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O AMOR É O ESPÍRITO DE DEUS PRESENTE E VISÍVEL EM CADA UM DE NÓS E NO OUTRO.

29/05/2010
 
GAY CATÓLICO
 
Gay, ou GLBTTTI, é um ser humano com identidade sexual diversa da heterossexual. Esta, a identidade sexual humana dominante e hegemônica. Enquanto espécie é a única diferença.
 
Católico é o humano pertencente à religião cristã universalizada com sede na Santa Sé, o Vaticano. 

Pertinência religiosa é a filiação à uma doutrina de fé no Transcendente Absoluto, Deus.

Jesus de Nazareth, o Cristo é o Filho Unigênito de Deus.

BREVE RETROSPECTO DO BLOG GAY CATÓLICO

No Prólogo tentamos elaborar um panorama da situação dos gays católicos. Triplamente discriminados: pelos gays por serem católicos, pelos católicos por serem gays e pela sociedade heteronormativa. [02]
Contamos apenas um caso em três episódios de como um gay se torna católico a despeito da opressão gerada pela discriminação no meio. [03] , [04] , [05]
Gay nasce gay, mas escolhe ser católico. E escolhe ser católico porque, à exceção da discriminação sofrida por sua orientação sexual, é com a doutrina católica que se identifica, e nenhuma outra responde tão integralmente às suas exigências. A sua “desobediência” será analisada a posteriori. [# in comentários]
Ele entende que há um percurso para – sem perder nada – viver plenamente a sua afetividade e sexualidade. A importância do primeiro encontro, a corte, o namoro, o noivado, e finalmente o casamento que celebra na noite de núpcias. Cada um desses passos tem seu significado sem o qual não compreende a relação com o outro. [09] , [10] , [11] , [12]
Sua religiosidade é isenta de culpa porque acredita em Jesus, quando em Mateus 19, 11-12, revela só a quem é capaz de entender, que desde o ventre materno assim foi formado e que portanto está no Plano de Deus. [13]
Unidos por Deus no casamento, o mistério do Amor  – Deus –  revela-Se na fusão dos cônjuges, na experiência única, real e concreta da ininterrupta Presença do Amor entre ambos, identificando-os um no outro ao ponto de cada um ser dois e os dois… Um.  [14]
E ainda sem deixar de ser, cada um, ele mesmo. É o encontro com o Sagrado que conduz à família homoparental, à educação da prole segundo determinação divina, o envelhecimento na companhia dos seus e finalmente a dignidade da passagem para a Glória do Senhor.  [17]
 

 

DOIS EM UM

05/05/2010

MAPA 2 – A SEXUALIDADE DOS CÔNJUGES GAYS

DOIS EM UM SÓ CORPO

E eu te vejo dentro de mim e tu me vês dentro de ti.

Eu me vejo com os teus olhos e tu te vês com os meus.

Eu te vejo com os teus olhos e tu me vês com os meus.

Já não sabemos quem é um e quem é o outro,

mas sabemos que somos Um e um novo mistério.

Quem já não experimentou a delícia que é sentir o amado dentro de si mesmo? Não se trata aqui de penetração sexual. Trata-se de incorporação mesmo. Lúcida. Melhor dizendo: translúcida.

O célebre verso da canção que diz: “I’ve got you under my skin”, não é uma imagem poética. É uma sensação real e concreta.

É como se o amado nos incorporasse. Como se penetrasse nosso soma, e nossos pensamentos e emoções são os dele.

Mesmo longe está tão perto de nós quanto perto é dentro de nós mesmos.

Mais do que um estado alterado da consciência é a transcendência da consciência.

Seu corpo invisível mas sensível encaixa-se no nosso, e sentimos em nós o jeito de ser do nosso amado.

A experiência só é possível no Amor ao outro. Amor Verdadeiro.

Quando a entrega de si mesmo ao outro é plena, este outro se nos incorpora. E passamos a ser ele sem deixarmos de ser nós mesmos. É o Amor. É o casamento. É a fusão de dois em um. É o novo ser. O Um de dois. Dois num só corpo.

O que está descrito acima não é poesia, é fato, é real, é concreto. Esse é o significado de um só corpo no casamento entre dois que se amam verdadeiramente. Quando o Amor é entre dois, é assim que Ele se manifesta. É assim que Ele opera.

Nessa fusão, a Presença divina é sentida na pele, no cérebro, na alma. É a Graça. É o Estado de Graça

E assim segue o casal gay católico na união verdadeira no Amor. Nesse novo corpo que nasceu na noite de núpcias, começa a crescer na manhã seguinte e inicia sua jornada no Caminho. Porque é cristão. E é católico.

Por isso o que Deus uniu o Homem não separa. Porque separar significa matar essa Nova Pessoa.

Jesus é tão ou mais presente nesse casal que em encontros “em nome Dele” carregados de retórica.

Talvez a maior virtude que se segue desse encontro, porque pleno de felicidade no Amor, é a generosidade abundante. Quem ama e é correspondido, melhor dizendo, o Um quem tem o Amor em si pelo Outro e tem o Amor no Outro pelo Um, não olha para o pecado nos outros. Olha, exclusivamente para a Santidade ao seu redor. Está tão compenetrado no serviço à santidade que não tem tempo para apontar o pecado.

É assim o casal gay católico. Positivo. Faz campanha da Luz, do que é Santo, do que é agradável a Deus. Não critica, não julga, não pressiona, não exige que os outros sejam santos, apenas espera que os outros sintam a santa inveja dos que “se amam”. Inveja que se for santa fará com que se busque a mesma santidade. É a evangelização por osmose e não por decreto.

Estão livres em Cristo. E nada, nada poderá obstruir sua caminhada na direção e sentido do Supremo. A subida é íngreme mas um sustenta o outro, cantando. E Jesus no meio dos dois, e Jesus dentro do Dois que agora é Um. E Jesus com eles.

A vida sexual do casal gay católico é ativa e é sem culpa. Porque sabem que aqueles que julgam essa relação o fazem a partir de ensinamentos que receberam dos homens suscetíveis à incompreensão. E o casal GC não os culpa por isso. Não interessa atribuir culpa a ninguém. É um desperdício de tempo e de emoção. É um consumo de energia da qual não se podem privar porque deverão armazená-la para as necessidades espirituais de sua família, dos seus filhos e da família dos santos. E para o próprio bem estar de todos, inclusive daqueles que os atacam, estes consumidos que estão pela xenofobia, pelo terror do novo, do original, do inédito ainda que genuíno.

E o conhecimento do corpo de Um do Outro cresce continuamente. E a cada degrau sua alegria só faz aumentar, a cada dia seu prazer de estarem juntos aumenta sem solução de continuidade. Um conhecimento que cresce continuamente sem a menor expectativa de cessar. E guardam esse conhecimento, essa sabedoria com zelo porque seus herdeiros virão e herdarão esse conhecimento como herdarão o Reino de Deus.

FLASHBACK

30/04/2010

FLASHBACK

 

No PRÓLOGO  do nosso blog apresentamos links para dois trabalhos científicos que remetem à evidência de que a homossexualidade é genética e, ou, resultante de fatores intra uterino.

Jesus Cristo, Nosso Senhor, já afirmava isso. Nasce-se gay. PALAVRA DO SENHOR.

Quem documenta essa verdade, essa afirmação, é o Apóstolo Mateus em

MATEUS 19, 11-12

¹¹Ele acrescentou: “Nem todos são capazes de compreender essa palavra, mas só aqueles a quem é concedido. ¹²Com efeito, há eunucos que nasceram assim, desde o ventre materno. E há eunucos que foram feitos eunucos pelos homens. E há eunucos que se fizeram eunucos por causa do Reino dos Céus. Quem tiver capacidade para compreender, compreenda!”

Se você leitor, me permitir, vou colocar aqui meu raciocínio. Simples, sem dúvida, e sem a menor pesquisa ou perspectiva histórica. Puro raciocínio de lógica.

2. “Eunucos feitos pelo homem”. CASTRADOS. Que não se recusavam ao sexo mas que não podiam procriar. ESTERILIZADOS INTENCIONALMENTE.

3. “Eunucos por causa do Reino dos Céus”. NÃO CASTRADOS. Que se recusavam ao sexo porque poderiam procriar e seus filhos poderiam ser um impedimento para dedicar-se a Deus. ESTERILIZADOS INTENCIONALMENTE.

1. “Eunucos desde o ventre materno”. NÃO CASTRADOS. Que não se recusavam ao sexo mas que não podiam procriar. ESTERILIZADOS CONGÊNITOS.

Ora, com efeito, os inférteis e os homossexuais estão neste último conjunto.

Por que haveria Jesus de dizer: “Nem todos são capazes de compreender essa palavra, mas só aqueles a quem é concedido”? E ainda reafirma concluindo: “Quem tiver capacidade para compreender, compreenda!”.

Se Ele só estivesse referindo-se aos adultos estéreis, aqueles que não tinham filhos do casamento, não seria necessário fazer a ressalva de que poucos compreenderiam Suas palavras.

Ou seria? Já que a infertilidade era sempre num primeiro momento atribuída à mulher.

Não. Porque quando a mulher era estéril, era dado ao homem o direito de ter outra mulher. É o caso de Abraão e Sara. Significa então, que era do conhecimento de todos que existiam homens estéreis, e assim não haveria necessidade de ressalvas.

Logo, Ele estava referindo-se APENAS aos que não se recusavam ao sexo, sem com isso passar a idéia de que se referia aos machos adultos estéreis. Quer dizer, Ele estava referindo-se somente aos nascidos sexualmente ativos que recusavam-se ao sexo com mulheres. Os homossexuais.

Conclui-se daí que Ele afirmou, em MATEUS 19, vers 11, que os homossexuais nascem homossexuais.

E é ainda de se reparar que Ele coloca os homossexuais no início da lista de eunucos.

A NOITE DE NÚPCIAS

21/04/2010

MAPA 2 – A SEXUALIDADE DOS CÔNJUGES GAYS

 

III

A NOITE DE NÚPCIAS

Eles não são apenas corpos humanos, não são só duas histórias de vida distintas que se encontram para trocar experiências, não são só dois indivíduos ou dois cidadãos, não são só dois desejos, dois sonhos, duas aspirações, duas fantasias. São infinitamente mais que isso. São duas almas que se encontraram para a fusão numa só. Dois para serem numa só alma. Duas almas para fazer nascer uma nova sem se perder das que eram e que continuarão sendo sempre duas. Um mistério de entendimento exclusivo. Só eles conhecerão.

Conceitos primitivos: Eros e Ágape.

Eros e Ágape duas formas de amor. Conceito politeista falso.

Se Ágape é Amor então: Ágape é criador. Eros é criatura. Eros é sensação. É atributo do corpo.

Sensação é informação concreta recebida no corpo.

Sentimento é a elaboração da sensação pela alma.

O Amor não é sentimento, é o Espírito de Deus que controla Eros através da alma do Um e do Outro. Eros é instrumento de linguagem. Instrumento de comunicação.

O Amor domina a alma que controla o cérebro que conduz Eros que informa o cérebro que submete a informação à alma dominada pelo Amor.

Eros informa o cérebro que sente e experimenta a informação que a alma lê e interpreta. O Amor conduz a pergunta e a resposta da alma.

Por quê essas colocações áridas antes de se espreitar o que seria a Noite de Núpcias de um casal gay católico?

Simplesmente porque ninguém, nem mesmo os casais heterossexuais católicos fazem sexo na frente de Deus. O tabu…

A rigor até fazem, mas não vêem Deus como Ele se apresenta no intercurso sexual, Visível. Cobrem-no com o véu do “sentimento de amor”. Esse é o pecado original… o pejo. Deus é esquecido no ato sexual, e no entanto Ele é quem conduz, coordena e instiga o ato sexual. O sexo santo nunca é entre duas pessoas. É sempre entre três pessoas. Os dois noivos e Deus. Ou então não é santo.

– Toma-me nos teus braços, meu amado. Conduz-me ao nosso leito nupcial e despe-me das minhas aparências. O Senhor é em mim para ti e eu O vejo através dos teus olhos que declaram que me amas. Sei que na verdade não és tu que me amas, sei que é o Criador em ti que projeta teu olhar, teus lábios, tua pele, teus músculos ao meu favor. Também eu sou criatura tomada pelo Criador que me move inteira ao teu favor. Sei que é Ele quem nos ama, porque só Ele ama, porque Ele é que é o Amor.

Só o Criador ama e só ama a criatura. A criatura não pode amar, ela só é amada. Amada pelo Senhor que está no Outro. Amada pelo Senhor que está em mim.

– É Ele quem aquece a tua pele e a faz tépida e generosamente agradável ao meu tato. É o Senhor em mim que sugere que tuas mãos deslizem sobre meu peito em direção à minha nuca, é Ele que conduz as minhas para afagar os teus cabelos e pedir que os teus lábios toquem os meus, porque Ele quer dizer-te que está em mim e quer que tu O vejas. Porque te ama e quer brindá-lo com a Sua glória.

– É Ele quem cola o teu corpo no meu. Teu corpo inteiro, simultâneamente teso e relaxado. Teus lábios umedecem do fluído divino que a um tempo aquece e refresca o mamilo junto do meu coração, que acelera de alegria, a alegria que diz aos teus lábios, capazes de ler o que Ele escreve, para que também tu sintas a mesma alegria na tua alma.

– É Ele quem nos leva a rolar no leito, numa espiral ascendente, no Seu propósito de nos fundir um no outro. Eu me abandono antes a Ele do que a ti, meu amado. E tu, do mesmo modo, e eu exulto em ver-te abandonado a Deus. E exulto comigo também, por me ver em completo abandono Naquele que Tudo criou. Aquele que tem todo o Poder, toda a Vida. Poder e Vida que derrama sobre nós, para nós dois.

– Leio o teu corpo, teus movimentos em cada pormenor. Cada poro, cada fio de cabelo, cada pelo. Leio com todo o meu corpo o que Ele escreve no teu corpo. Sem pejo conheço a linguagem do teu sexo que elabora o discurso poético do Senhor. Sim, teu sexo, tua genitália fala, canta para mim e eu ouço o Cântico dos Cânticos. Também em mim a música é divina. Nossos corpos são instrumentos musicais regidos por quem inventou a Música, a melodia é do Céu. E ouça, meu amado! Agora Ele convoca os Anjos para o Seu coro entoar a Sua Canção. Assim, dançamos nas nuvens, nos sóis, nas estrêlas, nas brisas das manhãs, nos luares de verão, nas marés das praias virgens, por tempo indefinido, por horas como segundos e instantes como eternidades. Instantes eternos. Um após o outro e cada vez mais perto um instante do outro.

– E o Senhor entre nós… Ele… no trono da letícia.

– Estremecemos de prazer, porque nada dá mais prazer do que ver o céu abrir-se para passar a Sua Luz. Porque é chegada a hora, é chegado o momento mais sublime do nosso Encontro. Já começo a sentir que tu, meu amado, despreende-se de ti, como eu me despreendo de mim, porque estamos prestes a alcançar a graça de ver revelada e tocar a nova criatura que Ele prometeu criar. Estamos em tempo de sermos não mais apenas dois, mas Dois em Um.

– A vertigem de levantar vôo, nossas almas desprendidas dos nossos corpos, enlaçadas, coladas uma na outra, rodopiando em aceleração crescente, e num único impacto sem volta começam a interpenetrar-se. Penetram-se uma na outra até que uma se confunde com a outra. Até que as duas se tornam uma única.

– E eu te vejo dentro de mim e tu me vês dentro de ti. E loucura… Eu me vejo com os teus olhos e tu te vês com os meus. E ainda maior delírio, eu te vejo com os teus olhos e tu me vês com os meus. E já não sabemos quem é um e quem é o outro, ao mesmo tempo em que nossos mistérios se evaporam. Mas sabemos que somos Um e um novo mistério.

– E Ele, o Senhor resplandece sobre o nosso leito enquanto nos abandonamos ao Um que agora somos.

– E como se nada fôssemos, desmaiamos no nosso abraço sem nos perguntarmos do amanhã.

PRIMEIROS TOQUES

18/04/2010

MAPA 2 – A SEXUALIDADE DOS CÔNJUGES GAYS

A APROXIMAÇÃO

II

Então, ali estão dois gays católicos e entre eles Deus. O Amor.

O Amor pode estar entre dois gays sem que estes sejam um para ou outro. Basta que estejam um com outro em nome de Jesus. Como nós aqui neste blog.

Mas a Presença de Deus quando um é para o outro tem um tom diferente. Eles caminham ao encontro de um terceiro humano aparentemente invisível. O casal gay católico. O Dois em Um.

A visibilidade de Deus entre eles vai-se definindo à medida em que atravessam as fases mencionadas num post anterior. A corte, o namoro, o noivado e o casamento.

Ao primeiro olhar, o Primeiro Toque, segue o nascimento de um sentimento de pertença entre eles. A Presença os agita com o claro propósito de amalgamar as duas vidas. E porque essa Presença é divina, e porque o divino é incontrolavelmente atraente, os dois nada mais desejam que permanecer Nela.

E se contornam o Um em torno do Outro para certificar que o acontecimento é verdadeiro. Que o milagre é legítimo. E para ter a certeza de que é real, provocam o Segundo Toque. Os corpos físicos se resvalam e arrastam juntos seus espíritos, suas almas que também se tocam. A descarga elétrica é de tal ordem que o céu se abre e esparrama luz sobre e ao redor deles. E o sentido da vida se transforma. E atravessam a fronteira que separa a Solidão do Encontro. E o sentimento de que não há nada a fazer a não ser entregar-se a esse Encontro, que resistir é voltar para o tédio do país da Solidão, e, que o país desse Encontro é uma aventura de inestimável alegria e prazer pleno, uma escolha entre o bom e o ruim; o par não vacila e decide enfrentar o Mistério desse país. Conhecer Esse Mistério!

E Deus entre eles.

Apaixonados iniciam a exploração desse território, exploração chamada namoro. Um território onde Segundos Toques acontecem sucessivamente, cada vez mais intensos e próximos, cada vez mais profundos, prazerosos, ternos e felizes. E em cada Segundo Toque a sensação de vertigem envolve os dois mais e mais, e a força da natureza das almas os leva ao abraço e o abraço revela uma vista inédita do País do Encontro, quente, macia, doce, terna e lânguida.

E Deus envolvendo-os.

No abraço, os rostos se tocam. O rosto, um muito do que se é, uma identidade. Os dois muitos se tocam. Duas identidades se tocam. Face na face. E Deus ali, Presente.

No Encontro em Cristo, no Toque em Cristo, no Abraço em Cristo. Face a face em Cristo. Em Deus, no Amor, envolvidos pela Presença. Vendo a Deus o Um no Outro e o Outro no Um. Deus alí. Porque o Amor é Deus. Porque Deus é Amor. O Espírito visível do Senhor.

A escandalosa Presença de Deus no encontro dos lábios. Deus no Beijo. O Beijo em Cristo. Duas identidades unidas no Amor e pelo Amor. O que nega tal Encontro, nega portanto a Deus.

Quaisquer católicos que se olham, ou que se tocam, ou que se abraçam, ou que se beijam não pode nunca agir sem Cristo.

O namoro chega à nova fronteira do novo e desconhecido país vizinho, o país do Matrimônio. Do país do Namoro, o par já pode vislumbrar a esplêndida paisagem do outro lado da fronteira. Uma fronteira abismal. Atravessá-la é avançar na direção do Mistério sem volta. Há uma ponte para a travessia. Concluída a travessia, a ponte desmorona. A tomada de decisão é irreversível. Uma exigência do Amor, porque do outro lado, a visão da Beleza é delirante e se um dos amantes negar, recusar a Presença do Amor após a travessia, será lançado na periferia do Mistério, onde a Confusão é tirana, e o amante poderá enlouquecer. A decisão é grave.

O Um perscruta a face do Outro e o Outro a face do Um. E Deus escuta. E o Um e o Outro, na insegurança natural da grave decisão, pedem para a Presença um sinal que lhes confirme continuar ou desistir antes da travessia. Porque o par gay católico sabe, tem plena consciência de que não haverá possibilidade de retorno caso decidam atravessar a ponte. E Deus na Sua magnífica generosidade deixa-os por um instante a sós para que decidam se querem ser Dois em Um.

No momento desse recuo de Deus, que será breve se a decisão for de atravessar, ou longa se a decisão for de não atravessar, a Sabedoria ensina que o par estará sujeito às inevitáveis investidas do Mal que os quer de volta ao país da Solidão, onde até terão nova chance mas já não mais serão um par este Um e este Outro. A Sabedoria sugere ao par então, que a tomada de decisão seja feita sem a influência do Mal. Por isso o par, para decidir livre da influência do Mal deverá agir de modo único. Ambos assumirão o Jejum, a Penitência e a Oração. É o noivado, a ponte é o noivado. Ao termino do que os Anjos os servirão com a decisão mais acertada que será tomada pouco antes de tocar o outro lado.

Se recuarem, voltarão às suas vidas de antes do Encontro e permanecerão à espera na memória do Amor agora conhecido, de que o Amor os incorpore novamente para nova tentativa. Se avançarem, se terminarem o noivado terminando de atravessar a ponte, tocarão o solo do país do Matrimônio.

E decidiram atravessar. Então, o Senhor retorna e agora com mais visibilidade ainda. O Amor reassume seu propósito e sua promessa. Lá, antes da consumação da fusão dos dois em Um, aguarda-os uma celebração, sempre na Presença de Deus. A cerimônia de casamento. Necessária, imprescindível porque é a um só tempo a despedida definitiva do país da Solidão, uma vitória, e, é também a recepção para a chegada do novo ser, o Dois em Um, a partida para a continuação da aventura do conhecimento do Mistério, que acontece na… Noite de Núpcias.

A SEXUALIDADE DOS CÔNJUGES GAYS

18/04/2010

MAPA 2 – A SEXUALIDADE DOS CÔNJUGES GAYS 

I

Dois homossexuais católicos, unidos no amor e vivendo maritalmente, partilhando o leito e neste mantendo relações sexuais como um casal heterossexual, e com o conhecimento público dessa relação nesses termos. Alguém já viu um?

É sobre a sexualidade destes que se pretende aqui e agora arriscar uma abordagem.

Até o presente momento, por óbvio, não se tem notícia de um casal nessa situação, portanto só uma visão idealizada é passível de enfoque. Mas é importante que se a registre porque assegura, no mínimo, uma comparação com a vida sexual de um casal católico heterossexual, a quem este registro também há de beneficiar. Com a vantagem de que aqui se poderá abrir a porta de um aposento onde o pejo não entra.

A sexualidade no mundo católico, mesmo de um casal sacramentado, é ainda um tabu.

E a consequência desse tabu é tudo o que já se conhece em termos de sexo na sociedade humana. Sexo que vai do “sexo coisa” até toda a sorte de perversão sexual.

Como o calouro, ou mesmo o veterano do sexo não tem referência do que é sexo espiritualizado porque a sexualidade dos pais, ou do Outro, nunca é assunto das rodas familiares ou outras, e, como tudo o que se sabe a respeito da espiritualidade no sexo católico é sugerido exatamente pelos abstinentes sexuais, os padres, e sempre através de uma retórica ininteligível; aos jovens e adultos resta a tentativa de encontrar nas manifestações artísticas, alguma coisa que possa remetê-los à uma vaga idéia do que é sexo pleno, sexo espírito e carne.

O sexo encontrado na arte de boa qualidade não deixa de ser uma vaga analogia do sexo de atitude. Mas vaga, muito vaga.

A única referência católica é o livro bíblico O Cântigo dos Cânticos. Uma boa iniciação haveria de começar por ele. Mas é preciso ir além, muito além para não se reduzir o sexo apenas a um evento poético carnal. Já não é o “sexo coisa”, mas também não é o “sexo santo”.

E não há kama sutra que dê conta do recado.

[O AMOR entre os cônjuges]

Para se alcançar os limites superiores do sexo é necessario antes de tudo e primordialmente: desvendar, revelar, descobrir a mais absoluta verdade do significado e conteúdo da palavra Amor.

Não se considera o casamento, a união, o matrimônio sem a presença do Amor. Não se considera a vida sem Essa presença.

O senso comum e o incomum considera que Deus é Amor. E é o que dizem as Sagradas Escrituras.

Como não se pode atribuir a Deus um valor menor que Ele e nem maior, resulta que o Amor é Deus.

Sendo Deus, Espírito, então o Amor é Espírito.

Logo, o Amor é Espírito e não é um sentimento. Até porque sentimento é atributo dos homens e não atributo de Deus.

O Amor não é um sentimento.

O Amor é Espírito.

E é o Espírito de Deus.

Assim, não existe amor humano. Nem de pai, nem de mãe, nem de filho, nem de amante, nem de amigo, nem qualquer outro tipo de amor que se possa imaginar.

Porque o Amor é Deus e é único. E é Espírito.

Mesmo a catolicidade não vê assim, nunca viu. Até a catolicidade fala em amor humano. Que não existe.

Porque o Amor é Único e é Deus.

Quando se diz: “eu te amo”, só o que se pode entender e perceber é que o Espírito Amor incorporou o amante e o faz tender à pessoa amada. O que se deve entender e perceber é a Presença de Deus no amante.

Assim, entre duas pessoas que se amam, o que se vê não é um sentimento que une essas pessoas. O que se vê ou sente, mesmo sem a consciência que se realizaria na carne, é infinitamente maior, é a Presença de Deus entre os amantes.

É Deus e é Visível! Ainda que como por um espelho de cobre polido dos antigos tempos de São João. A imagem perceptível mas sem a perfeita definição. Definição que só cresce à medida em que a vivência aplaina e alisa na incessante manufatura do espelho perfeito, cujo climax de perfeição é só quando da Parusia.

Desse entendimento dessa palavra é que se pode dar início à reflexão da sexualidade entre cônjuges.

Quando duas pessoas formam um casal legítimo, a Presença de Deus está entre os cônjuges. É Deus Presente.

Quando um par se une formando um verdadeiro casal, será sempre um casal do tipo que ao acordar cada manhã um ao lado do outro, no estupor da surprêsa contínua e sempre renovável… a cada manhã… um diz ao outro: “Olha! Veja! Somos um casal! Eu te amo como nunca antes e tanto quanto a mim mesmo como nunca me amei…”.

É um par de humanos que recebeu entre os dois a graça da Presença do Senhor, Criador de tudo. Uma Presença que vive com eles ininterruptamente. E que dorme com eles. E que os transforma dois em um.

É sobre a sexualidade e o sexo desse casal o objeto deste post. Que não pode esgotar-se aqui. Só se completa no leito e no coração dos cônjuges amantes.

Como o sexo entre dois não se restringe às quatro paredes de uma alcova, antes, começa com a chegada de Deus entre eles e só termina com a Sua retirada, que nem a morte temporal de um dos cônjuges é capaz de cessar, é na Chegada que se dá… o Primeiro Toque.

O Primeiro Toque.

O Senhor vem e como quem diz, e a respeito de Um:

– Este corpo me pertence, é do meu agrado, é um templo meu, farei neste felizardo minha morada.

E a respeito do Outro:

– Do mesmo modo, aquele outro que alí está também me pertence, também é do meu agrado, também é meu templo e também farei naquele não menos feliz a minha morada.

E a respeito do Um e do Outro:

– Agora, vai Um! Olha ali aquele Outro e veja o que será a Beleza ao teu alcance. E não desvie daquele Outro o teu olhar nem por um instante porque estás prestes a Me conhecer.

E o Um, numa hipnose não consentida, antes… assaltado… o Um percebe, sente uma Presença infinita e irresistivelmente imantada. E mergulha no que se poderia confundir com um estado alterado da consciência. Que até é uma alteração da consciência mas no sentido de que esta deu um enorme salto qualitativo, por primeiro com a Presença em si mesmo e depois com o sentimento Dessa Presença num Outro.

Do mesmo modo, o Senhor no Outro. E do mesmo modo o Outro na direção e sentido do Um. 

É o Primeiro Toque, o primeiro encontro do olhar. É o que o senso comum chama de “amor à primeira vista” que só é dado experimentar a aquele que está aberto e acredita.

O Primeiro Toque. Um estremecimento. Uma suspensão. Um inspirar sem expirar. Um salto no abismo sem mergulhar. Uma simples troca de olhar e o proscênio se abre por detrás do Um e do Outro, e ambos descortinam uma vastidão jamais vista ou sequer possível de ser imaginada. Vastidão em hora ainda enevoada e iluminada pela primeira luz. O primeiríssimo instante do Primeiro Toque, no espaço sem chão… no ar.


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