Posts Tagged ‘o Outro’

A ESTRATÉGIA DE LOUIS P. SHELDON

06/09/2012

MINHA AGENDA É A PAZ

LUTAMOS PELA DIVERSIDADE SEXUAL PORQUE JÁ ENTENDEMOS QUE ELA É A ONTOLOGIA DE TODA A DIVERSIDADE HUMANA

Os “pastores” fundamentalistas neo pentecostais querem usar o que eles fingem acreditar, preceitos bíblicos contraditórios (e por isso não sagrados), para na verdade abrir caminho para um projeto mais largo de hegemonia de seu grupo.

Agora eles estão usando as populações LGBTs como bodes expiatórios porque ainda há resquícios de homofobia nas outras confissões religiosas. Mas na verdade eles querem vencer os homossexuais, aqui e no mundo, para depois partirem numa cruzada contra as outras religiões, e finalmente, contra o Estado Laico.

Eles sonham retomar o poder que os profetas tinham antes dos reis, onde os místicos controlavam o povo e sua cultura, inclusive a ciência.
É uma empreitada paranóica porque eles são paranóicos, mas o que estão fazendo é um enorme estrago no tecido social.

Eles são a maçã podre do balaio. Os falsos profetas do 3º milênio que apenas por terem o carisma do poder como tiveram Hitler e Mussolini, acreditam que são os profetas de Deus. Escondem suas insustentáveis contradições atrás da trincheira armada contra as populações da diversidade sexual, hoje já reconhecidas pelas religiões mais tradicionais, senão no todo, caminhando para isso.

Não. As populações da diversidade sexual são exigências da natureza que eles querem dar como pervertidas, Como se fosse possível que meia duzia de frases lidas fora do contexto histórico tivessem mais poder que uma natureza de muitos milhares de anos espalhada por toda a superfície terrestre. A ontologia de Deus está na ontologia da Terra.

As populações LGBTs não são contra as religiões, até porque sua imensa maioria é constituída por pessoas que acreditam no transcendente e estão disseminadas por todas as confissões religiosas. Mas, as populações LGBTs não podem mais estar submissas ao fundamentalismo religioso porque estas populações LGBTs são as que receberam o bastão para dar continuidade à evolução das civilizações nas sua perfeita harmonia com todas as tradições as mais diversas. A diversidade sexual é o carro chefe da diversidade cultural, política e religiosa.

É isso que eles querem destruir para em seguida destruir toda diversidade humana.

PREMIO NOBEL 2010 Mario Vargas Llosa e a Homofobia

08/04/2012

Não serei eu quem irá apresentar Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura de 2010. Pesquisem, descubram quem é.

Ele escreveu um artigo no jornal espanhol El País, “La caza del gay”. Não se pode traduzir esse artigo, tem que ser lido atentamente em espanhol com a ajuda do que for necessário, mas sempre sem largar o original. O link para a íntegra é este:

http://elpais.com/elpais/2012/04/04/opinion/1333540547_113226.html

Entre tantas coisas que ele diz e que nos fazem chorar, bem poderiam ter sido ditas pelo nosso Chico Buarque de Hollanda. Mas o nosso Chico demora em dizer…

“Lo más fácil y lo más hipócrita en este asunto es atribuir la muerte de Daniel Zamudio sólo a cuatro bellacos pobres diablos que se llaman neonazis sin probablemente saber siquiera qué es ni qué fue el nazismo. Ellos no son más que la avanzadilla más cruda y repelente de una cultura de antigua tradición que presenta al gay y a la lesbiana como enfermos o depravados que deben ser tenidos a una distancia preventiva de los seres normales porque corrompen al cuerpo social sano y lo inducen a pecar y a desintegrarse moral y físicamente en prácticas perversas y nefandas.

Esta idea del homosexualismo se enseña en las escuelas, se contagia en el seno de las familias, se predica en los púlpitos, se difunde en los medios de comunicación, aparece en los discursos de políticos, en los programas de radio y televisión y en las comedias teatrales donde el marica y la tortillera son siempre personajes grotescos, anómalos, ridículos y peligrosos, merecedores del desprecio y el rechazo de los seres decentes, normales y corrientes. El gay es, siempre, “el otro”, el que nos niega, asusta y fascina al mismo tiempo, como la mirada de la cobra mortífera al pajarillo inocente.”

“… los crímenes derivados de la homofobia que se hacen públicos son seguramente sólo una mínima parte de los que en verdad se cometen. Y, en muchos casos, las propias familias de las víctimas prefieren echar un velo de silencio sobre ellos, para evitar el deshonor y la vergüenza.”

“Liberar a América Latina de esa tara inveterada que son el machismo y la homofobia —las dos caras de una misma moneda— será largo, difícil y probablemente el camino hacia esa liberación quedará regado de muchas otras víctimas semejantes al desdichado Daniel Zamudio. El asunto no es político, sino religioso y cultural. Fuimos educados desde tiempos inmemoriales en la peregrina idea de que hay una ortodoxia sexual de la que sólo se apartan los pervertidos y los locos y enfermos, y hemos venido transmitiendo ese disparate aberrante a nuestros hijos, nietos y bisnietos, ayudados por los dogmas de la religión y los códigos morales y costumbres entronizados. Tenemos miedo al sexo y nos cuesta aceptar que en ese incierto dominio hay opciones diversas y variantes que deben ser aceptadas como manifestaciones de la rica diversidad humana. Y que en este aspecto de la condición de hombres y mujeres también la libertad debe reinar, permitiendo que, en la vida sexual, cada cual elija su conducta y vocación sin otra limitación que el respeto y la aquiescencia del prójimo.”

“Se ha avanzado mucho en la lucha contra el racismo, sin duda, aunque sin extirparlo del todo. Hoy, por lo menos, se sabe que no se debe discriminar al negro, al amarillo, al judío, al cholo, al indio, y, en todo caso, que es de muy mal gusto proclamarse racista.

No hay tal cosa aún cuando se trata de gays, lesbianas y transexuales, a ellos se los puede despreciar y maltratar impunemente. Ellos son la demostración más elocuente de lo lejos que está todavía buena parte del mundo de la verdadera civilización.”

Diga Chico.

OBAMA É QUE É O CARA!

10/06/2011

 

 

October 14, 2010|By the CNN Wire Staff 

Obama: Homossexualidade não é escolha

(CNN) – O presidente Obama disse hoje que acredita que a homossexualidade não é uma escolha, mas o resultado de pessoas nascidas com “uma certa composição.”

Seu comentário foi feito durante um evento informal – organizado pela BET Networks da Viacom, CMT e MTV – em que os estudantes fizeram-lhe perguntas.

Perguntado diretamente se pessoas escolhem ser gays ou transgêneros, ou se nascem assim, Obama disse que não era um especialista, e acrescentou em seguida: “Não acho que é uma escolha. Penso que pessoas nascem com uma certa composição”

“Somos todos crianças de Deus,” disse Obama. “Nós não determinamos a quem amar. Por isso acho que discriminação com base em orientação sexual é errado.”

É provável que a posição do Presidente tenha irritado alguns grupos cristãos conservadores que defendem que é pecado e que consequentemente implica em escolha. [Mas nada provam cientificamente…]

http://articles.cnn.com/2010-10-14/politics/obama.homosexuality_1_homosexuality-transgender-people-choice?_s=PM:POLITICS

 

O Gay Católico observa que apesar de declarar não ser um especialista, seguramente Barack Obama tem a melhor assessoria técnica e científica do planeta. Veja em links agregados à carta aberta que o Gay Católico dirigiu à Presidenta Dilma Roussef, a explanação que o Dr. Jerome Goldstein fez no 21º Congresso da Sociedade Européia de Neurobiologia que ocorreu entre 28 e 31 de maio último.

https://gaycatolico.wordpress.com/2011/06/08/presidenta-dilma-roussef/

PORQUE A BÍBLIA ME DIZ ASSIM

26/01/2011

ROXO!

20/10/2010

HOJE, DIA 20 DE OUTUBRO DE 2010, O MUNDO VESTE ROXO,

EXIBE ROXO, RESPIRA E EXALA ROXO!

A COR DO ESPÍRITO DA BANDEIRA DO ARCO-ÍRIS EM MEMÓRIA

DOS QUE DESISTIRAM DE VIVER EM MEIO AO ÓDIO.

EM MEMÓRIA DAS VÍTIMAS DO ÓDIO.

O AMOR É O ESPÍRITO DE DEUS PRESENTE E VISÍVEL EM CADA UM DE NÓS E NO OUTRO.

29/05/2010
 
GAY CATÓLICO
 
Gay, ou GLBTTTI, é um ser humano com identidade sexual diversa da heterossexual. Esta, a identidade sexual humana dominante e hegemônica. Enquanto espécie é a única diferença.
 
Católico é o humano pertencente à religião cristã universalizada com sede na Santa Sé, o Vaticano. 

Pertinência religiosa é a filiação à uma doutrina de fé no Transcendente Absoluto, Deus.

Jesus de Nazareth, o Cristo é o Filho Unigênito de Deus.

BREVE RETROSPECTO DO BLOG GAY CATÓLICO

No Prólogo tentamos elaborar um panorama da situação dos gays católicos. Triplamente discriminados: pelos gays por serem católicos, pelos católicos por serem gays e pela sociedade heteronormativa. [02]
Contamos apenas um caso em três episódios de como um gay se torna católico a despeito da opressão gerada pela discriminação no meio. [03] , [04] , [05]
Gay nasce gay, mas escolhe ser católico. E escolhe ser católico porque, à exceção da discriminação sofrida por sua orientação sexual, é com a doutrina católica que se identifica, e nenhuma outra responde tão integralmente às suas exigências. A sua “desobediência” será analisada a posteriori. [# in comentários]
Ele entende que há um percurso para – sem perder nada – viver plenamente a sua afetividade e sexualidade. A importância do primeiro encontro, a corte, o namoro, o noivado, e finalmente o casamento que celebra na noite de núpcias. Cada um desses passos tem seu significado sem o qual não compreende a relação com o outro. [09] , [10] , [11] , [12]
Sua religiosidade é isenta de culpa porque acredita em Jesus, quando em Mateus 19, 11-12, revela só a quem é capaz de entender, que desde o ventre materno assim foi formado e que portanto está no Plano de Deus. [13]
Unidos por Deus no casamento, o mistério do Amor  – Deus –  revela-Se na fusão dos cônjuges, na experiência única, real e concreta da ininterrupta Presença do Amor entre ambos, identificando-os um no outro ao ponto de cada um ser dois e os dois… Um.  [14]
E ainda sem deixar de ser, cada um, ele mesmo. É o encontro com o Sagrado que conduz à família homoparental, à educação da prole segundo determinação divina, o envelhecimento na companhia dos seus e finalmente a dignidade da passagem para a Glória do Senhor.  [17]
 

 

DOIS EM UM

05/05/2010

MAPA 2 – A SEXUALIDADE DOS CÔNJUGES GAYS

DOIS EM UM SÓ CORPO

E eu te vejo dentro de mim e tu me vês dentro de ti.

Eu me vejo com os teus olhos e tu te vês com os meus.

Eu te vejo com os teus olhos e tu me vês com os meus.

Já não sabemos quem é um e quem é o outro,

mas sabemos que somos Um e um novo mistério.

Quem já não experimentou a delícia que é sentir o amado dentro de si mesmo? Não se trata aqui de penetração sexual. Trata-se de incorporação mesmo. Lúcida. Melhor dizendo: translúcida.

O célebre verso da canção que diz: “I’ve got you under my skin”, não é uma imagem poética. É uma sensação real e concreta.

É como se o amado nos incorporasse. Como se penetrasse nosso soma, e nossos pensamentos e emoções são os dele.

Mesmo longe está tão perto de nós quanto perto é dentro de nós mesmos.

Mais do que um estado alterado da consciência é a transcendência da consciência.

Seu corpo invisível mas sensível encaixa-se no nosso, e sentimos em nós o jeito de ser do nosso amado.

A experiência só é possível no Amor ao outro. Amor Verdadeiro.

Quando a entrega de si mesmo ao outro é plena, este outro se nos incorpora. E passamos a ser ele sem deixarmos de ser nós mesmos. É o Amor. É o casamento. É a fusão de dois em um. É o novo ser. O Um de dois. Dois num só corpo.

O que está descrito acima não é poesia, é fato, é real, é concreto. Esse é o significado de um só corpo no casamento entre dois que se amam verdadeiramente. Quando o Amor é entre dois, é assim que Ele se manifesta. É assim que Ele opera.

Nessa fusão, a Presença divina é sentida na pele, no cérebro, na alma. É a Graça. É o Estado de Graça

E assim segue o casal gay católico na união verdadeira no Amor. Nesse novo corpo que nasceu na noite de núpcias, começa a crescer na manhã seguinte e inicia sua jornada no Caminho. Porque é cristão. E é católico.

Por isso o que Deus uniu o Homem não separa. Porque separar significa matar essa Nova Pessoa.

Jesus é tão ou mais presente nesse casal que em encontros “em nome Dele” carregados de retórica.

Talvez a maior virtude que se segue desse encontro, porque pleno de felicidade no Amor, é a generosidade abundante. Quem ama e é correspondido, melhor dizendo, o Um quem tem o Amor em si pelo Outro e tem o Amor no Outro pelo Um, não olha para o pecado nos outros. Olha, exclusivamente para a Santidade ao seu redor. Está tão compenetrado no serviço à santidade que não tem tempo para apontar o pecado.

É assim o casal gay católico. Positivo. Faz campanha da Luz, do que é Santo, do que é agradável a Deus. Não critica, não julga, não pressiona, não exige que os outros sejam santos, apenas espera que os outros sintam a santa inveja dos que “se amam”. Inveja que se for santa fará com que se busque a mesma santidade. É a evangelização por osmose e não por decreto.

Estão livres em Cristo. E nada, nada poderá obstruir sua caminhada na direção e sentido do Supremo. A subida é íngreme mas um sustenta o outro, cantando. E Jesus no meio dos dois, e Jesus dentro do Dois que agora é Um. E Jesus com eles.

A vida sexual do casal gay católico é ativa e é sem culpa. Porque sabem que aqueles que julgam essa relação o fazem a partir de ensinamentos que receberam dos homens suscetíveis à incompreensão. E o casal GC não os culpa por isso. Não interessa atribuir culpa a ninguém. É um desperdício de tempo e de emoção. É um consumo de energia da qual não se podem privar porque deverão armazená-la para as necessidades espirituais de sua família, dos seus filhos e da família dos santos. E para o próprio bem estar de todos, inclusive daqueles que os atacam, estes consumidos que estão pela xenofobia, pelo terror do novo, do original, do inédito ainda que genuíno.

E o conhecimento do corpo de Um do Outro cresce continuamente. E a cada degrau sua alegria só faz aumentar, a cada dia seu prazer de estarem juntos aumenta sem solução de continuidade. Um conhecimento que cresce continuamente sem a menor expectativa de cessar. E guardam esse conhecimento, essa sabedoria com zelo porque seus herdeiros virão e herdarão esse conhecimento como herdarão o Reino de Deus.

PRIMEIROS TOQUES

18/04/2010

MAPA 2 – A SEXUALIDADE DOS CÔNJUGES GAYS

A APROXIMAÇÃO

II

Então, ali estão dois gays católicos e entre eles Deus. O Amor.

O Amor pode estar entre dois gays sem que estes sejam um para ou outro. Basta que estejam um com outro em nome de Jesus. Como nós aqui neste blog.

Mas a Presença de Deus quando um é para o outro tem um tom diferente. Eles caminham ao encontro de um terceiro humano aparentemente invisível. O casal gay católico. O Dois em Um.

A visibilidade de Deus entre eles vai-se definindo à medida em que atravessam as fases mencionadas num post anterior. A corte, o namoro, o noivado e o casamento.

Ao primeiro olhar, o Primeiro Toque, segue o nascimento de um sentimento de pertença entre eles. A Presença os agita com o claro propósito de amalgamar as duas vidas. E porque essa Presença é divina, e porque o divino é incontrolavelmente atraente, os dois nada mais desejam que permanecer Nela.

E se contornam o Um em torno do Outro para certificar que o acontecimento é verdadeiro. Que o milagre é legítimo. E para ter a certeza de que é real, provocam o Segundo Toque. Os corpos físicos se resvalam e arrastam juntos seus espíritos, suas almas que também se tocam. A descarga elétrica é de tal ordem que o céu se abre e esparrama luz sobre e ao redor deles. E o sentido da vida se transforma. E atravessam a fronteira que separa a Solidão do Encontro. E o sentimento de que não há nada a fazer a não ser entregar-se a esse Encontro, que resistir é voltar para o tédio do país da Solidão, e, que o país desse Encontro é uma aventura de inestimável alegria e prazer pleno, uma escolha entre o bom e o ruim; o par não vacila e decide enfrentar o Mistério desse país. Conhecer Esse Mistério!

E Deus entre eles.

Apaixonados iniciam a exploração desse território, exploração chamada namoro. Um território onde Segundos Toques acontecem sucessivamente, cada vez mais intensos e próximos, cada vez mais profundos, prazerosos, ternos e felizes. E em cada Segundo Toque a sensação de vertigem envolve os dois mais e mais, e a força da natureza das almas os leva ao abraço e o abraço revela uma vista inédita do País do Encontro, quente, macia, doce, terna e lânguida.

E Deus envolvendo-os.

No abraço, os rostos se tocam. O rosto, um muito do que se é, uma identidade. Os dois muitos se tocam. Duas identidades se tocam. Face na face. E Deus ali, Presente.

No Encontro em Cristo, no Toque em Cristo, no Abraço em Cristo. Face a face em Cristo. Em Deus, no Amor, envolvidos pela Presença. Vendo a Deus o Um no Outro e o Outro no Um. Deus alí. Porque o Amor é Deus. Porque Deus é Amor. O Espírito visível do Senhor.

A escandalosa Presença de Deus no encontro dos lábios. Deus no Beijo. O Beijo em Cristo. Duas identidades unidas no Amor e pelo Amor. O que nega tal Encontro, nega portanto a Deus.

Quaisquer católicos que se olham, ou que se tocam, ou que se abraçam, ou que se beijam não pode nunca agir sem Cristo.

O namoro chega à nova fronteira do novo e desconhecido país vizinho, o país do Matrimônio. Do país do Namoro, o par já pode vislumbrar a esplêndida paisagem do outro lado da fronteira. Uma fronteira abismal. Atravessá-la é avançar na direção do Mistério sem volta. Há uma ponte para a travessia. Concluída a travessia, a ponte desmorona. A tomada de decisão é irreversível. Uma exigência do Amor, porque do outro lado, a visão da Beleza é delirante e se um dos amantes negar, recusar a Presença do Amor após a travessia, será lançado na periferia do Mistério, onde a Confusão é tirana, e o amante poderá enlouquecer. A decisão é grave.

O Um perscruta a face do Outro e o Outro a face do Um. E Deus escuta. E o Um e o Outro, na insegurança natural da grave decisão, pedem para a Presença um sinal que lhes confirme continuar ou desistir antes da travessia. Porque o par gay católico sabe, tem plena consciência de que não haverá possibilidade de retorno caso decidam atravessar a ponte. E Deus na Sua magnífica generosidade deixa-os por um instante a sós para que decidam se querem ser Dois em Um.

No momento desse recuo de Deus, que será breve se a decisão for de atravessar, ou longa se a decisão for de não atravessar, a Sabedoria ensina que o par estará sujeito às inevitáveis investidas do Mal que os quer de volta ao país da Solidão, onde até terão nova chance mas já não mais serão um par este Um e este Outro. A Sabedoria sugere ao par então, que a tomada de decisão seja feita sem a influência do Mal. Por isso o par, para decidir livre da influência do Mal deverá agir de modo único. Ambos assumirão o Jejum, a Penitência e a Oração. É o noivado, a ponte é o noivado. Ao termino do que os Anjos os servirão com a decisão mais acertada que será tomada pouco antes de tocar o outro lado.

Se recuarem, voltarão às suas vidas de antes do Encontro e permanecerão à espera na memória do Amor agora conhecido, de que o Amor os incorpore novamente para nova tentativa. Se avançarem, se terminarem o noivado terminando de atravessar a ponte, tocarão o solo do país do Matrimônio.

E decidiram atravessar. Então, o Senhor retorna e agora com mais visibilidade ainda. O Amor reassume seu propósito e sua promessa. Lá, antes da consumação da fusão dos dois em Um, aguarda-os uma celebração, sempre na Presença de Deus. A cerimônia de casamento. Necessária, imprescindível porque é a um só tempo a despedida definitiva do país da Solidão, uma vitória, e, é também a recepção para a chegada do novo ser, o Dois em Um, a partida para a continuação da aventura do conhecimento do Mistério, que acontece na… Noite de Núpcias.

A SEXUALIDADE DOS CÔNJUGES GAYS

18/04/2010

MAPA 2 – A SEXUALIDADE DOS CÔNJUGES GAYS 

I

Dois homossexuais católicos, unidos no amor e vivendo maritalmente, partilhando o leito e neste mantendo relações sexuais como um casal heterossexual, e com o conhecimento público dessa relação nesses termos. Alguém já viu um?

É sobre a sexualidade destes que se pretende aqui e agora arriscar uma abordagem.

Até o presente momento, por óbvio, não se tem notícia de um casal nessa situação, portanto só uma visão idealizada é passível de enfoque. Mas é importante que se a registre porque assegura, no mínimo, uma comparação com a vida sexual de um casal católico heterossexual, a quem este registro também há de beneficiar. Com a vantagem de que aqui se poderá abrir a porta de um aposento onde o pejo não entra.

A sexualidade no mundo católico, mesmo de um casal sacramentado, é ainda um tabu.

E a consequência desse tabu é tudo o que já se conhece em termos de sexo na sociedade humana. Sexo que vai do “sexo coisa” até toda a sorte de perversão sexual.

Como o calouro, ou mesmo o veterano do sexo não tem referência do que é sexo espiritualizado porque a sexualidade dos pais, ou do Outro, nunca é assunto das rodas familiares ou outras, e, como tudo o que se sabe a respeito da espiritualidade no sexo católico é sugerido exatamente pelos abstinentes sexuais, os padres, e sempre através de uma retórica ininteligível; aos jovens e adultos resta a tentativa de encontrar nas manifestações artísticas, alguma coisa que possa remetê-los à uma vaga idéia do que é sexo pleno, sexo espírito e carne.

O sexo encontrado na arte de boa qualidade não deixa de ser uma vaga analogia do sexo de atitude. Mas vaga, muito vaga.

A única referência católica é o livro bíblico O Cântigo dos Cânticos. Uma boa iniciação haveria de começar por ele. Mas é preciso ir além, muito além para não se reduzir o sexo apenas a um evento poético carnal. Já não é o “sexo coisa”, mas também não é o “sexo santo”.

E não há kama sutra que dê conta do recado.

[O AMOR entre os cônjuges]

Para se alcançar os limites superiores do sexo é necessario antes de tudo e primordialmente: desvendar, revelar, descobrir a mais absoluta verdade do significado e conteúdo da palavra Amor.

Não se considera o casamento, a união, o matrimônio sem a presença do Amor. Não se considera a vida sem Essa presença.

O senso comum e o incomum considera que Deus é Amor. E é o que dizem as Sagradas Escrituras.

Como não se pode atribuir a Deus um valor menor que Ele e nem maior, resulta que o Amor é Deus.

Sendo Deus, Espírito, então o Amor é Espírito.

Logo, o Amor é Espírito e não é um sentimento. Até porque sentimento é atributo dos homens e não atributo de Deus.

O Amor não é um sentimento.

O Amor é Espírito.

E é o Espírito de Deus.

Assim, não existe amor humano. Nem de pai, nem de mãe, nem de filho, nem de amante, nem de amigo, nem qualquer outro tipo de amor que se possa imaginar.

Porque o Amor é Deus e é único. E é Espírito.

Mesmo a catolicidade não vê assim, nunca viu. Até a catolicidade fala em amor humano. Que não existe.

Porque o Amor é Único e é Deus.

Quando se diz: “eu te amo”, só o que se pode entender e perceber é que o Espírito Amor incorporou o amante e o faz tender à pessoa amada. O que se deve entender e perceber é a Presença de Deus no amante.

Assim, entre duas pessoas que se amam, o que se vê não é um sentimento que une essas pessoas. O que se vê ou sente, mesmo sem a consciência que se realizaria na carne, é infinitamente maior, é a Presença de Deus entre os amantes.

É Deus e é Visível! Ainda que como por um espelho de cobre polido dos antigos tempos de São João. A imagem perceptível mas sem a perfeita definição. Definição que só cresce à medida em que a vivência aplaina e alisa na incessante manufatura do espelho perfeito, cujo climax de perfeição é só quando da Parusia.

Desse entendimento dessa palavra é que se pode dar início à reflexão da sexualidade entre cônjuges.

Quando duas pessoas formam um casal legítimo, a Presença de Deus está entre os cônjuges. É Deus Presente.

Quando um par se une formando um verdadeiro casal, será sempre um casal do tipo que ao acordar cada manhã um ao lado do outro, no estupor da surprêsa contínua e sempre renovável… a cada manhã… um diz ao outro: “Olha! Veja! Somos um casal! Eu te amo como nunca antes e tanto quanto a mim mesmo como nunca me amei…”.

É um par de humanos que recebeu entre os dois a graça da Presença do Senhor, Criador de tudo. Uma Presença que vive com eles ininterruptamente. E que dorme com eles. E que os transforma dois em um.

É sobre a sexualidade e o sexo desse casal o objeto deste post. Que não pode esgotar-se aqui. Só se completa no leito e no coração dos cônjuges amantes.

Como o sexo entre dois não se restringe às quatro paredes de uma alcova, antes, começa com a chegada de Deus entre eles e só termina com a Sua retirada, que nem a morte temporal de um dos cônjuges é capaz de cessar, é na Chegada que se dá… o Primeiro Toque.

O Primeiro Toque.

O Senhor vem e como quem diz, e a respeito de Um:

– Este corpo me pertence, é do meu agrado, é um templo meu, farei neste felizardo minha morada.

E a respeito do Outro:

– Do mesmo modo, aquele outro que alí está também me pertence, também é do meu agrado, também é meu templo e também farei naquele não menos feliz a minha morada.

E a respeito do Um e do Outro:

– Agora, vai Um! Olha ali aquele Outro e veja o que será a Beleza ao teu alcance. E não desvie daquele Outro o teu olhar nem por um instante porque estás prestes a Me conhecer.

E o Um, numa hipnose não consentida, antes… assaltado… o Um percebe, sente uma Presença infinita e irresistivelmente imantada. E mergulha no que se poderia confundir com um estado alterado da consciência. Que até é uma alteração da consciência mas no sentido de que esta deu um enorme salto qualitativo, por primeiro com a Presença em si mesmo e depois com o sentimento Dessa Presença num Outro.

Do mesmo modo, o Senhor no Outro. E do mesmo modo o Outro na direção e sentido do Um. 

É o Primeiro Toque, o primeiro encontro do olhar. É o que o senso comum chama de “amor à primeira vista” que só é dado experimentar a aquele que está aberto e acredita.

O Primeiro Toque. Um estremecimento. Uma suspensão. Um inspirar sem expirar. Um salto no abismo sem mergulhar. Uma simples troca de olhar e o proscênio se abre por detrás do Um e do Outro, e ambos descortinam uma vastidão jamais vista ou sequer possível de ser imaginada. Vastidão em hora ainda enevoada e iluminada pela primeira luz. O primeiríssimo instante do Primeiro Toque, no espaço sem chão… no ar.


%d blogueiros gostam disto: