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TI SPOSERÒ – E VIVA ITALIA!

07/05/2012

O AMOR É O ESPÍRITO DE DEUS PRESENTE E VISÍVEL EM CADA UM DE NÓS E NO OUTRO.

29/05/2010
 
GAY CATÓLICO
 
Gay, ou GLBTTTI, é um ser humano com identidade sexual diversa da heterossexual. Esta, a identidade sexual humana dominante e hegemônica. Enquanto espécie é a única diferença.
 
Católico é o humano pertencente à religião cristã universalizada com sede na Santa Sé, o Vaticano. 

Pertinência religiosa é a filiação à uma doutrina de fé no Transcendente Absoluto, Deus.

Jesus de Nazareth, o Cristo é o Filho Unigênito de Deus.

BREVE RETROSPECTO DO BLOG GAY CATÓLICO

No Prólogo tentamos elaborar um panorama da situação dos gays católicos. Triplamente discriminados: pelos gays por serem católicos, pelos católicos por serem gays e pela sociedade heteronormativa. [02]
Contamos apenas um caso em três episódios de como um gay se torna católico a despeito da opressão gerada pela discriminação no meio. [03] , [04] , [05]
Gay nasce gay, mas escolhe ser católico. E escolhe ser católico porque, à exceção da discriminação sofrida por sua orientação sexual, é com a doutrina católica que se identifica, e nenhuma outra responde tão integralmente às suas exigências. A sua “desobediência” será analisada a posteriori. [# in comentários]
Ele entende que há um percurso para – sem perder nada – viver plenamente a sua afetividade e sexualidade. A importância do primeiro encontro, a corte, o namoro, o noivado, e finalmente o casamento que celebra na noite de núpcias. Cada um desses passos tem seu significado sem o qual não compreende a relação com o outro. [09] , [10] , [11] , [12]
Sua religiosidade é isenta de culpa porque acredita em Jesus, quando em Mateus 19, 11-12, revela só a quem é capaz de entender, que desde o ventre materno assim foi formado e que portanto está no Plano de Deus. [13]
Unidos por Deus no casamento, o mistério do Amor  – Deus –  revela-Se na fusão dos cônjuges, na experiência única, real e concreta da ininterrupta Presença do Amor entre ambos, identificando-os um no outro ao ponto de cada um ser dois e os dois… Um.  [14]
E ainda sem deixar de ser, cada um, ele mesmo. É o encontro com o Sagrado que conduz à família homoparental, à educação da prole segundo determinação divina, o envelhecimento na companhia dos seus e finalmente a dignidade da passagem para a Glória do Senhor.  [17]
 

 

PRIMEIROS TOQUES

18/04/2010

MAPA 2 – A SEXUALIDADE DOS CÔNJUGES GAYS

A APROXIMAÇÃO

II

Então, ali estão dois gays católicos e entre eles Deus. O Amor.

O Amor pode estar entre dois gays sem que estes sejam um para ou outro. Basta que estejam um com outro em nome de Jesus. Como nós aqui neste blog.

Mas a Presença de Deus quando um é para o outro tem um tom diferente. Eles caminham ao encontro de um terceiro humano aparentemente invisível. O casal gay católico. O Dois em Um.

A visibilidade de Deus entre eles vai-se definindo à medida em que atravessam as fases mencionadas num post anterior. A corte, o namoro, o noivado e o casamento.

Ao primeiro olhar, o Primeiro Toque, segue o nascimento de um sentimento de pertença entre eles. A Presença os agita com o claro propósito de amalgamar as duas vidas. E porque essa Presença é divina, e porque o divino é incontrolavelmente atraente, os dois nada mais desejam que permanecer Nela.

E se contornam o Um em torno do Outro para certificar que o acontecimento é verdadeiro. Que o milagre é legítimo. E para ter a certeza de que é real, provocam o Segundo Toque. Os corpos físicos se resvalam e arrastam juntos seus espíritos, suas almas que também se tocam. A descarga elétrica é de tal ordem que o céu se abre e esparrama luz sobre e ao redor deles. E o sentido da vida se transforma. E atravessam a fronteira que separa a Solidão do Encontro. E o sentimento de que não há nada a fazer a não ser entregar-se a esse Encontro, que resistir é voltar para o tédio do país da Solidão, e, que o país desse Encontro é uma aventura de inestimável alegria e prazer pleno, uma escolha entre o bom e o ruim; o par não vacila e decide enfrentar o Mistério desse país. Conhecer Esse Mistério!

E Deus entre eles.

Apaixonados iniciam a exploração desse território, exploração chamada namoro. Um território onde Segundos Toques acontecem sucessivamente, cada vez mais intensos e próximos, cada vez mais profundos, prazerosos, ternos e felizes. E em cada Segundo Toque a sensação de vertigem envolve os dois mais e mais, e a força da natureza das almas os leva ao abraço e o abraço revela uma vista inédita do País do Encontro, quente, macia, doce, terna e lânguida.

E Deus envolvendo-os.

No abraço, os rostos se tocam. O rosto, um muito do que se é, uma identidade. Os dois muitos se tocam. Duas identidades se tocam. Face na face. E Deus ali, Presente.

No Encontro em Cristo, no Toque em Cristo, no Abraço em Cristo. Face a face em Cristo. Em Deus, no Amor, envolvidos pela Presença. Vendo a Deus o Um no Outro e o Outro no Um. Deus alí. Porque o Amor é Deus. Porque Deus é Amor. O Espírito visível do Senhor.

A escandalosa Presença de Deus no encontro dos lábios. Deus no Beijo. O Beijo em Cristo. Duas identidades unidas no Amor e pelo Amor. O que nega tal Encontro, nega portanto a Deus.

Quaisquer católicos que se olham, ou que se tocam, ou que se abraçam, ou que se beijam não pode nunca agir sem Cristo.

O namoro chega à nova fronteira do novo e desconhecido país vizinho, o país do Matrimônio. Do país do Namoro, o par já pode vislumbrar a esplêndida paisagem do outro lado da fronteira. Uma fronteira abismal. Atravessá-la é avançar na direção do Mistério sem volta. Há uma ponte para a travessia. Concluída a travessia, a ponte desmorona. A tomada de decisão é irreversível. Uma exigência do Amor, porque do outro lado, a visão da Beleza é delirante e se um dos amantes negar, recusar a Presença do Amor após a travessia, será lançado na periferia do Mistério, onde a Confusão é tirana, e o amante poderá enlouquecer. A decisão é grave.

O Um perscruta a face do Outro e o Outro a face do Um. E Deus escuta. E o Um e o Outro, na insegurança natural da grave decisão, pedem para a Presença um sinal que lhes confirme continuar ou desistir antes da travessia. Porque o par gay católico sabe, tem plena consciência de que não haverá possibilidade de retorno caso decidam atravessar a ponte. E Deus na Sua magnífica generosidade deixa-os por um instante a sós para que decidam se querem ser Dois em Um.

No momento desse recuo de Deus, que será breve se a decisão for de atravessar, ou longa se a decisão for de não atravessar, a Sabedoria ensina que o par estará sujeito às inevitáveis investidas do Mal que os quer de volta ao país da Solidão, onde até terão nova chance mas já não mais serão um par este Um e este Outro. A Sabedoria sugere ao par então, que a tomada de decisão seja feita sem a influência do Mal. Por isso o par, para decidir livre da influência do Mal deverá agir de modo único. Ambos assumirão o Jejum, a Penitência e a Oração. É o noivado, a ponte é o noivado. Ao termino do que os Anjos os servirão com a decisão mais acertada que será tomada pouco antes de tocar o outro lado.

Se recuarem, voltarão às suas vidas de antes do Encontro e permanecerão à espera na memória do Amor agora conhecido, de que o Amor os incorpore novamente para nova tentativa. Se avançarem, se terminarem o noivado terminando de atravessar a ponte, tocarão o solo do país do Matrimônio.

E decidiram atravessar. Então, o Senhor retorna e agora com mais visibilidade ainda. O Amor reassume seu propósito e sua promessa. Lá, antes da consumação da fusão dos dois em Um, aguarda-os uma celebração, sempre na Presença de Deus. A cerimônia de casamento. Necessária, imprescindível porque é a um só tempo a despedida definitiva do país da Solidão, uma vitória, e, é também a recepção para a chegada do novo ser, o Dois em Um, a partida para a continuação da aventura do conhecimento do Mistério, que acontece na… Noite de Núpcias.

MAPA 2

13/04/2010
MAPA 2
O encontro, a formação do par, a situação legal, a situação religiosa do casal formado e a sexualidade dos cônjuges.

O ENCONTRO ( – A CORTE – )

Católicos têm sua perspectiva de vida centrada em Jesus, Cristo. Anseiam, ao menos num primeiro momento, encontrar seu par entre os católicos para que juntos possam estabelecer um convívio na presença de Deus, a partir do Amor. Assim, é muito frequente que os católicos frequentem sua comunidade religiosa e esperam que através dela o encontro com seu par aconteça.

Evidentemente não é uma regra, apenas uma estratégia. Não poucas vezes um católico encontrará seu futuro cônjuge fora do seu círculo religioso, que poderá até nem ser católico. Entretanto a maior frequência de encontros ocorrerá dentro da própria comunidade. Se o Amor se apresentar entre ambos, o par iniciará um período de reconhecimento entre si. É a fase da corte.

Contudo, o estigma de desordem moral lançado sobre os gays induz o gay católico a esconder sua sexualidade, na quase totalidade das vezes. Isso dificulta o encontro com outros gays dentro da comunidade porque quase todos estão na mesma situação. E a maioria em conflito com sua identidade sexual, muitas vezes tentando travesti-la de heterossexual, chegando mesmo ao casamento com alguém do sexo oposto dentro da comunidade, sem Amor e fadado ao sofrimento mútuo.

É muito comum encontrar grupos de gays não assumidos que buscam orientar-se para a vida religiosa. Pode-se afirmar que grupos de pré-postulantes são quase na totalidade constituídos por homossexuais. Não há estatísticas a respeito por dificuldades óbvias.

Raramente ocorre que dois gays se encontrem dentro da comunidade. Assumidos para si, unem-se e passam a viver uma relação do tipo “don’t ask, don’t tell”. Marginalizam-se, quando não afastam-se de vez da comunidade para viver sua parceria.

Outras vezes, sofrem a vivência de uma relação exclusivamente platônica.

Em qualquer situação, os gays católicos acabam por reprimir o afeto para o qual foram divinamente construídos. É o fracasso como seres humanos totais.

NAMORO, NOIVADO, CASAMENTO

Estas fases da formação de um casal ocorre em todas as culturas. Dir-se-ia que são ontológicas.

A FORMAÇÃO DO PAR ( – O NAMORO – )

Na felicidade de que o encontro seja bem sucedido, o par inicia o “namoro”.

Para poupar a comunidade do “escândalo”, afastam-se dela e na esperança de que o Amor sustente a relação tentam evoluir em Cristo isoladamente, relacionando-se com a Igreja apenas nas formalidades rituais. Dessa forma a identidade do par, enquanto casal, é sufocada e impedida de crescer social e religiosamente. Para a Igreja esse par, real e concreto, simplesmente não existe.

A SITUAÇÃO LEGAL ( – O NOIVADO – )

O casamento no civil para os gays católicos implica o “outing” para a Igreja. Não há ainda, referências do comportamento dos padres em relação à essas uniões, no que se refere à comunhão eucarística. É um futuro incerto tendo-se à vista que os padres não têm conhecimento se tais uniões implicam a prática sexual na vida privada dos cônjuges. Certamente estes serão convidados ao sacramento da confissão e nesta, a intimidade poderá ser ou não revelada, dependendo do fôro íntimo de cada confidente em considerar a relação pecaminosa ou não.

Como o Magistério da Igreja parte errôneamente da idéia de que as uniões civis sugerem obrigatoriamente uniões carnais, e, o “outing” que a legalização dessas uniões implica, arrastam os pares gays para fora desse instituto legal deixando-os ao relento das suas salvaguardas. Ou seja, vão evitar a união civil e perder os direitos a que fazem jus.

A SITUAÇÃO RELIGIOSA DO CASAL FORMADO ( – O CASAMENTO – )

Preconceito, estigma, repulsa, nojo e homofobia é o que o casal gay católico encontrará na sua comunidade religiosa, na missa, na eucaristia. Apesar de terem sido unidos pelo Amor, de viverem na Presença Dele, muitas vezes com verdade e em profundidade maior que entre muitos casais heterossexuais católicos, essa Presença não é enxergada, sentida, reconhecida pela comunidade. Como entre os cônjuges a Presença de Deus é mais forte que o preconceito, quem acaba por perder dessa relação é a própria comunidade religiosa.

Como o sacramento, dogma da Igreja, estabelece  – pela Tradição – que o matrimônio é união entre gêneros díspares, com fins de procriação e educação da prole, não há como sacramentar a união gay.

Na melhor das hipóteses, o que se poderia esperar a curto prazo seria a criação de um instituto religioso inteiramente novo, não sujeito a sacramento, mas que permitisse a integração do casal gay à vida comunitária religiosa. E a longuíssimo prazo, a extensão do sacramento do matrimônio a todo e qualquer casamento que tenha por objetivo a constituição de familia – no ESPÍRITO – independentemente dos gêneros dos cônjuges.

A SEXUALIDADE DOS CÔNJUGES GAYS CATÓLICOS

Este capítulo especialíssimo requer análise em separado no próximo post.


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