Posts Tagged ‘FAMÍLIA HOMOPARENTAL’

PREMIO NOBEL 2010 Mario Vargas Llosa e a Homofobia

08/04/2012

Não serei eu quem irá apresentar Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura de 2010. Pesquisem, descubram quem é.

Ele escreveu um artigo no jornal espanhol El País, “La caza del gay”. Não se pode traduzir esse artigo, tem que ser lido atentamente em espanhol com a ajuda do que for necessário, mas sempre sem largar o original. O link para a íntegra é este:

http://elpais.com/elpais/2012/04/04/opinion/1333540547_113226.html

Entre tantas coisas que ele diz e que nos fazem chorar, bem poderiam ter sido ditas pelo nosso Chico Buarque de Hollanda. Mas o nosso Chico demora em dizer…

“Lo más fácil y lo más hipócrita en este asunto es atribuir la muerte de Daniel Zamudio sólo a cuatro bellacos pobres diablos que se llaman neonazis sin probablemente saber siquiera qué es ni qué fue el nazismo. Ellos no son más que la avanzadilla más cruda y repelente de una cultura de antigua tradición que presenta al gay y a la lesbiana como enfermos o depravados que deben ser tenidos a una distancia preventiva de los seres normales porque corrompen al cuerpo social sano y lo inducen a pecar y a desintegrarse moral y físicamente en prácticas perversas y nefandas.

Esta idea del homosexualismo se enseña en las escuelas, se contagia en el seno de las familias, se predica en los púlpitos, se difunde en los medios de comunicación, aparece en los discursos de políticos, en los programas de radio y televisión y en las comedias teatrales donde el marica y la tortillera son siempre personajes grotescos, anómalos, ridículos y peligrosos, merecedores del desprecio y el rechazo de los seres decentes, normales y corrientes. El gay es, siempre, “el otro”, el que nos niega, asusta y fascina al mismo tiempo, como la mirada de la cobra mortífera al pajarillo inocente.”

“… los crímenes derivados de la homofobia que se hacen públicos son seguramente sólo una mínima parte de los que en verdad se cometen. Y, en muchos casos, las propias familias de las víctimas prefieren echar un velo de silencio sobre ellos, para evitar el deshonor y la vergüenza.”

“Liberar a América Latina de esa tara inveterada que son el machismo y la homofobia —las dos caras de una misma moneda— será largo, difícil y probablemente el camino hacia esa liberación quedará regado de muchas otras víctimas semejantes al desdichado Daniel Zamudio. El asunto no es político, sino religioso y cultural. Fuimos educados desde tiempos inmemoriales en la peregrina idea de que hay una ortodoxia sexual de la que sólo se apartan los pervertidos y los locos y enfermos, y hemos venido transmitiendo ese disparate aberrante a nuestros hijos, nietos y bisnietos, ayudados por los dogmas de la religión y los códigos morales y costumbres entronizados. Tenemos miedo al sexo y nos cuesta aceptar que en ese incierto dominio hay opciones diversas y variantes que deben ser aceptadas como manifestaciones de la rica diversidad humana. Y que en este aspecto de la condición de hombres y mujeres también la libertad debe reinar, permitiendo que, en la vida sexual, cada cual elija su conducta y vocación sin otra limitación que el respeto y la aquiescencia del prójimo.”

“Se ha avanzado mucho en la lucha contra el racismo, sin duda, aunque sin extirparlo del todo. Hoy, por lo menos, se sabe que no se debe discriminar al negro, al amarillo, al judío, al cholo, al indio, y, en todo caso, que es de muy mal gusto proclamarse racista.

No hay tal cosa aún cuando se trata de gays, lesbianas y transexuales, a ellos se los puede despreciar y maltratar impunemente. Ellos son la demostración más elocuente de lo lejos que está todavía buena parte del mundo de la verdadera civilización.”

Diga Chico.

QUERO SABER COMO É…

29/03/2012

Legendado em português. Ative a legenda se não carregar automaticamente.

 

OBAMA É QUE É O CARA!

10/06/2011

 

 

October 14, 2010|By the CNN Wire Staff 

Obama: Homossexualidade não é escolha

(CNN) – O presidente Obama disse hoje que acredita que a homossexualidade não é uma escolha, mas o resultado de pessoas nascidas com “uma certa composição.”

Seu comentário foi feito durante um evento informal – organizado pela BET Networks da Viacom, CMT e MTV – em que os estudantes fizeram-lhe perguntas.

Perguntado diretamente se pessoas escolhem ser gays ou transgêneros, ou se nascem assim, Obama disse que não era um especialista, e acrescentou em seguida: “Não acho que é uma escolha. Penso que pessoas nascem com uma certa composição”

“Somos todos crianças de Deus,” disse Obama. “Nós não determinamos a quem amar. Por isso acho que discriminação com base em orientação sexual é errado.”

É provável que a posição do Presidente tenha irritado alguns grupos cristãos conservadores que defendem que é pecado e que consequentemente implica em escolha. [Mas nada provam cientificamente…]

http://articles.cnn.com/2010-10-14/politics/obama.homosexuality_1_homosexuality-transgender-people-choice?_s=PM:POLITICS

 

O Gay Católico observa que apesar de declarar não ser um especialista, seguramente Barack Obama tem a melhor assessoria técnica e científica do planeta. Veja em links agregados à carta aberta que o Gay Católico dirigiu à Presidenta Dilma Roussef, a explanação que o Dr. Jerome Goldstein fez no 21º Congresso da Sociedade Européia de Neurobiologia que ocorreu entre 28 e 31 de maio último.

https://gaycatolico.wordpress.com/2011/06/08/presidenta-dilma-roussef/

A FORÇA GAY!

08/05/2011

UMA SOCIEDADE DECENTE É UMA SOCIEDADE QUE NÃO HUMILHA SEUS INTEGRANTES

Ministra Ellen Gracie – Supremo Tribunal Federal do Brasil em 5 de maio de 2011 

contribuição do nosso amigo amado Dudu, dA Força Gay! e LGBT Brasil, comunidades do Orkut

EUA – PESQUISA BOMBÁSTICA!

07/04/2011

Do Public Religion Research Institute – Washington, DC 20036

 

 

Relatório – Atitude católica sobre gays e lésbicas: um retrato abrangente da recente pesquisa

 

 

Os católicos são mais favoráveis ​​aos reconhecimentos jurídicos de pessoas do mesmo sexo do que os membros de qualquer outra tradição cristã e os americanos em geral.

Aproximadamente 75% dos católicos são a favor da permissão do casamento entre pessoas do mesmo sexo (43%) ou da união civil (31%). Somente 22% dos católicos são contrários ao reconhecimento legal das uniões homossexuais.

Quando o casamento homossexual é definido explicitamente como um casamento civil, o apoio é dramaticamente mais alto entre os católicos.

Se o casamento para casais gays é definido como casamento civil “como o que se realiza em cartório”, o apoio católico para a modalidade aumente 28%, de 43% para 71%. O mesmo padrão existe na população em geral, mas entre católicos é mais pronunciado.

Sob o tema do casamento homossexual, o apoio católico às lésbicas e aos gays é forte e ligeiramente maior que o do público em geral.

Aproximadamente três quartos (73%) dos católicos apoiam leis que protejam gays e lésbicas contra a discriminação em ambiente de trabalho; 63% dos católicos apoiam gays e lésbicas assumidos no serviço militar; e 6 em 10 (60%) dos católicos são a favor da adoção de crianças por casais homossexuais.

Comparado com o público em geral que vai à igreja, os católicos são muito menos propensos a ouvir sobre a questão da homossexualidade do seu clero, mas aqueles que ouvem têm muito mais probabilidade de ouvir mensagens negativas

Somente 1 em cada 4 (27%) dos católicos que assistem missa regularmente diz que o padre fala sobre homossexualidade, mas cerca de dois terços (63%) desse grupo dizem que as mensagens ouvidas são negativas.

Comparado a outros grupos religiosos, os católicos são significativamente mais propensos a dar a sua igreja avaliações pobres sobre como ela está lidando com a questão da homossexualidade.

Menos de 4 em 10 (39%) dos católicos dão à sua igreja alta avaliação (em notas tanto A como B) ao ítem manejo da homossexualidade.

Sete em cada dez católicos dizem que as mensagens em lugares de culto dos Estados Unidos contribuem muito (33%) ou pouco (37%) para aumentar a taxa de suicídio entre jovens gays e lésbicas.

A esmagadora maioria de católicos rejeita a idéia de que a orientação sexual possa ser mudada.

Aproximadamente 7 entre 10 (69%) dos católicos discordam que oreintação homossexual possa ser mudada; menos de 1 em 4 (23%) acredita que pode ser mudada.

A maioria dos catolicos (56%) acredita que relações sexuais entre dois adultos do mesmo sexo não é pecado.

Entre a população geral, menos da metade (46%) acredita que não é pecado.

(PRRI, Religion & Politics Tracking Survey, October 2010).

fonte:

 

http://www.publicreligion.org/research/?id=509

QUANDO DEUS ILUMINA O HOMEM

16/03/2011

ILUMINADO POR DEUS

 PADRE LUÍS CORRÊA LIMA – UM JESUÍTA DA MELHOR CEPA

 

Diversidade sexual e Igreja, um diálogo possível. Entrevista especial com Luís Corrêa Lima

Ao analisar a forma como a Igreja aborda temas como a diversidade sexual, o padre jesuíta Luís Corrêa Lima disse, na entrevista que concedeu por e-mail à IHU On-Line, que “nós só podemos saber o que a Palavra de Deus significa para nós hoje, e que implicações ela tem, com um suficiente conhecimento da realidade atual, que inclui a visibilização da população LGBT”. Ele relembra uma carta do Vaticano aos bispos, do ano de 1986, mencionando que “nenhum ser humano é mero homossexual ou heterossexual. Ele é, acima de tudo, criatura de Deus e destinatário de Sua graça, que o torna filho Seu e herdeiro da vida eterna”.

O pesquisador destaca, ainda, uma declaração do PapaBento XVI, dizendo que “o cristianismo não é um conjunto de proibições, mas uma opção positiva”. Segundo ele, o Papa acrescentou “que é muito importante evidenciarmos isso novamente, porque essa consciência hoje quase desapareceu completamente. É muito bom que um Papa tenha reconhecido isto. Há no cristianismo uma tradição multissecular de insistência na proibição, no pecado, na culpa, na condenação e no medo”.

Corrêa Lima frisa que não cabe “encaminhar os gays a terapias de reversão ou a ‘orações de cura’, que frequentemente são formas escamoteadas de exorcismo. No diálogo ecumênico e inter-religioso da Igreja, recomenda-se conhecer o outro como ele quer ser conhecido, e estimá-lo como ele quer ser estimado. O conhecimento e a estima recíprocos são também o melhor caminho para o diálogo entre a Igreja e o mundo gay”.

E completa: “O grande desafio da diversidade sexual é fazer-se compreender pela sociedade, não como uma ameaça, mas como uma pluralidade existente na condição humana que enriquece o mundo. No fundo, as pessoas querem ser elas mesmas, reconhecidas e aceitas pelos outros”.

Formado em Administração, Filosofia e Teologia, Luís Corrêa Lima também é mestre em História Social da Cultura pela PUC-Rio, onde é professor desde 2004, e doutor em História pela Universidade de Brasília – UnB. É autor de Teologia de Mercado uma visão da economia mundial no tempo em que os economistas eram teólogos (Bauru: EDUSC, 2001).

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Qual é a importância de a Igreja abordar temas como a diversidade sexual, nos dias de hoje?

Luís Corrêa Lima – A diversidade sexual é um dado da realidade. No passado, gays, lésbicas e bissexuais viviam no anonimato ou à margem da sociedade. Escondiam-se em uniões heterossexuais e, quando muito, formavam guetos. Hoje, tornam-se visíveis, fazem imensas paradas, junto com travestis e transexuais, exigem respeito e reconhecimento, e reivindicam direitos.

Para a Igreja, a lei de toda a evangelização é pregar a Palavra de Deus de maneira adaptada à realidade dos povos, como lembra o Concílio Vaticano II (Gaudium et Spes, nº 44). Deve haver um intercâmbio vivo e permanente entre a Igreja e as diversas culturas dos diferentes povos. Para viabilizar este intercâmbio – sobretudo hoje, em que tudo muda tão rapidamente, e os modos de pensar variam tanto – ela necessita da ajuda dos que conhecem bem a realidade atual, sejam eles crentes ou não. O laicato, a hierarquia e os teólogos, prossegue o Concílio, precisam saber ouvir e interpretar as várias linguagens ou sinais do nosso tempo, para avaliá-las adequadamente à luz da Palavra de Deus, de modo que a Revelação divina seja melhor compreendida e apresentada de um modo conveniente.

A correta evangelização, portanto, é uma estrada de duas mãos, do intercâmbio entre a Igreja e as culturas contemporâneas. Nós só podemos saber o que a Palavra de Deus significa para nós hoje, e que implicações ela tem, com um suficiente conhecimento da realidade atual, que inclui a visibilização da população LGBT.

IHU On-Line – Que elementos de discussão a diversidade sexual propõe para setores da sociedade como a família, a igreja e a escola? Quais são os desafios no que se refere à cidadania?

Luís Corrêa Lima – Por muitos séculos, o homoerotismo foi visto no Ocidente como um pecado nefando (que não deve nem ser nomeado) e como um crime gravíssimo que atrai o castigo divino para a sociedade. Igreja e Estado estiveram unidos. Tribunais eclesiásticos julgavam os acusados de “sodomia”, e os culpados eram entregues ao poder civil para serem punidos. Em casos extremos, a punição chegava à pena de morte.

O homoerotismo foi descriminalizado, e a condição homossexual foi despatologizada. Desde o final do século XX, esta condição não é mais considerada doença. Atualmente o Conselho Federal de Psicologia proíbe as terapias de reversão. Ou seja, algumas pessoas são homossexuais e o serão por toda vida. Elas estão em toda parte. Quem não é gay, tem parentes próximos ou distantes que são, bem como vizinhos ou colegas de trabalho que também são, manifesta ou veladamente. Eles compõem a sociedade, visibilizam-se cada vez mais e não aceitam mais serem tratados como doentes ou criaturas abomináveis. Querem ser cidadãos plenos, com os mesmos direitos e deveres dos demais.

IHU On-Line – O que a fé cristã, na sua opinião, tem a dizer sobre a diversidade sexual?

Luís Corrêa Lima – O mais importante é algo que foi dito numa carta do Vaticano aos bispos, em 1986: nenhum ser humano é mero homossexual ou heterossexual. Ele é, acima de tudo, criatura de Deus e destinatário de Sua graça, que o torna filho Seu e herdeiro da vida eterna. E acrescenta que toda violência física ou verbal contra é deplorável, merecendo a condenação dos pastores da Igreja onde quer que se verifiquem. A oposição doutrinária que possa haver às práticas homoeróticas não elimina esta dignidade fundamental do ser humano. Deus criou a todos. O Cristo veio para todos e oferece o seu jugo leve e o seu fardo suave. Cabe a nós, com fidelidade criativa, conhecermos e darmos a conhecer estes dons divinos.

IHU On-Line – Como a Igreja, a partir da fé e das ciências, pode dialogar com a diversidade sexual?

Luís Corrêa Lima – Certa vez o PapaBentoXVI afirmou que o cristianismo não é um conjunto de proibições, mas uma opção positiva. E acrescentou que é muito importante evidenciarmos isso novamente, porque essa consciência hoje quase desapareceu completamente. É muito bom que um Papa tenha reconhecido isto. Há no cristianismo uma tradição multissecular de insistência na proibição, no pecado, na culpa, na condenação e no medo. O historiador Jean Delumeau fala de uma “pastoral do medo”, que com veemência culpabiliza e a ameaça de condenação para obter a conversão. Isto não se deu somente no passado distante. Também no presente, alguns interpretam a doutrina da maneira mais restritiva e condenatória possíveis, com obsessão pelo pecado, sobretudo ligado a sexo.

Sem a obsessão pelo pecado, o caminho do diálogo se abre. É preciso também respeitar a autonomia das ciências e da sociedade, como determina o Concílio. Não cabe hoje encaminhar os gays a terapias de reversão ou a “orações de cura”, que frequentemente são formas escamoteadas de exorcismo. No diálogo ecumênico e inter-religioso da Igreja, recomenda-se conhecer o outro como ele quer ser conhecido, e estimá-lo como ele quer ser estimado. O conhecimento e a estima recíprocos são também o melhor caminho para o diálogo entre a Igreja e o mundo gay.

IHU On-Line – A Igreja, no Brasil, tem, por meio de publicações, cursos, seminários, proposto o diálogo sobre a diversidade sexual. O que isso significa? Há aí um interesse legítimo dos diversos membros da Igreja, ou esta é uma necessidade da Igreja de se inserir em um novo contexto contemporâneo, em que gays e lésbicas ganham mais espaço? Como interpreta a posição da Igreja nesse contexto?

Luís Corrêa Lima – Constata-se que há no Brasil várias publicações, e de qualidade, sobre diversidade sexual feitas por religiosos ou por editoras católicas. Também há cursos e mesas redondas. Pode-se notar que o interesse é crescente, afinal o contexto da sociedade é inevitável. Em vários ambientes católicos, sejam paróquias, escolas ou centros de pastoral, pode-se tratar do assunto com liberdade. De um modo geral, as eventuais resistências não são barreiras intransponíveis.

IHU On-Line – Os homossexuais já conquistaram o direito de manterem uma união estável no Brasil. Como avalia a luta pela cidadania religiosa no Brasil?

Luís Corrêa Lima – Na verdade, há decisões judiciais que favorecem os conviventes homoafetivos, bem como normas de instituições públicas e privadas no mesmo sentido. Casais homossexuais podem obter em cartório um documento declaratório de convivência homoafetiva. Recentemente o Imposto de Renda e os planos de saúde contemplam estes casais com os mesmos direitos dos casais heterossexuais em união estável. Sobre a cidadania religiosa, nos ambientes religiosos católicos, de um modo geral, muitos gays estão presentes mas não manifestam a sua condição para evitar discriminação. É algo semelhante à escola e ao mundo do trabalho.

IHU On-Line – O que podemos entender por diversidade sexual? Quais os principais desafios da diversidade sexual?

Luís Corrêa Lima – A visibilização dos homossexuais, e a sua organização como movimento social, já usou diversas siglas: Gay (termo anterior a homossexual, que evoca alegria e autoestima), MHB (Movimento Homossexual Brasileiro), HSH (Homens que fazem sexo com homens – sigla ainda utilizada em saúde pública), GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes – sigla adotada pelo mercado) e LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), a mais recente. Há tendências de se acrescentar o ‘I’, de intersexual, para os hermafroditas. O termo diversidade sexual é uma maneira de englobar esta crescente pluralidade, embora com imprecisão.

O grande desafio da diversidade sexual é fazer-se compreender pela sociedade, não como uma ameaça, mas como uma pluralidade existente na condição humana que enriquece o mundo. No fundo, as pessoas querem ser elas mesmas, reconhecidas e aceitas pelos outros.

IHU On-Line – Como o senhor avalia o posicionamento da Igreja em relação à diversidade sexual na sociedade contemporânea?

Luís Corrêa Lima – A Igreja, antes de tudo, está alicerçada na milenar tradição judaico-cristã, ao mesmo tempo em que está presente em diversas partes do mundo, interagindo com a cultura ocidental moderna e com culturas não ocidentais. No judaísmo antigo, acreditava-se que o homem e a mulher foram criados um para o outro, para se unirem e procriarem. O homoerotismo era considerado uma abominação. Israel devia se distinguir das outras nações de várias maneiras, inclusive pela proibição do homoerotismo. A Igreja herdou esta visão antropológica com sua interdição.

Alguns conteúdos doutrinais mudam ao longo dos séculos, como é o caso da legitimidade da escravidão e da proibição do empréstimo a juros. Isto mostra que eles não comprometem o núcleo da fé. Outros conteúdos também podem mudar, mas não há como prever. De qualquer maneira, a consciência individual tem um peso decisivo em questões complexas como esta. Este papel não deve ser omitido ou subestimado. O Concílio reconheceu o direito de a pessoa agir segundo a norma reta da sua consciência, e o dever de não agir contra ela. Nela está o “sacrário da pessoa”, onde Deus está presente e se manifesta. A fidelidade à consciência une os cristãos e os outros homens no dever de buscar a verdade, e de nela resolver os problemas morais que surgem na vida individual e social (Gaudium et Spes, nº 16). Nenhuma palavra externa substitui o juízo e a reflexão da própria consciência.

IHU On-Line – Entre os evangélicos também há discordância em relação à homossexualidade. Entretanto, qual sua opinião sobre a Igreja Cristã Contemporânea, coordenada pelo casal de pastores homossexuais Fábio Inácio de Souza e Marcos Gladstone?

Luís Corrêa Lima – Entre os evangélicos, a oposição à homossexualidade em geral é mais intensa, com práticas frequentes de exorcismo para expulsar o demônio que supostamente toma conta da pessoa. Os que continuam a cometer atos homossexuais são muitas vezes expulsos de suas igrejas, ou sofrem um assédio moral devastador que os faz sair. Como o mundo protestante é fragmentado em diversas denominações, gays evangélicos fundaram igrejas inclusivas para acolherem crentes repelidos por suas igrejas de origem.

As igrejas inclusivas nasceram nos Estados Unidos, na ampla constelação do movimento gay. A Igreja Cristã Contemporânea é um rebento brasileiro com notável difusão no Rio de Janeiro. Os pastores Fábio e Marcos protagonizaram o primeiro casamento público entre dois pastores gays, com grande repercussão na mídia, muita simpatia da militância LGBT e forte execração dos evangélicos tradicionais.

IHU On-Line – Quais são, no seu entendimento, as razões que dificultam o consentimento das religiões aos homossexuais?

Luís Corrêa Lima – As grandes religiões monoteístas – judaísmo, cristianismo e islamismo – enraízam-se em tradições milenares consignadas em textos sagrados antigos, situados em horizontes socioculturais bem diferentes do nosso. Estas religiões se vincularam a uma suposta heterossexualidade universal, expressa no imperativo “crescei-vos e multiplicai-vos’” do livro de Gênesis. Por outro lado, há religiões de matrizes africanas que aceitam os gays. Na verdade, a heterossexualidade não é universal, nem na espécie humana, nem entre os animais. No mundo animal, já se conhecem atualmente mais de 450 espécies com indivíduos homossexuais.

Certa vez um rabino disse que a tradição não é um bastão de uma corrida de revezamento. O bastão é sempre mesmo, passando de mão em mão. A imagem correta da tradição é uma casa em que vivem sucessivas gerações. Cada uma delas pode dar o seu toque peculiar e até fazer reformas internas. Mas a casa é sempre reconhecível por quem passa na rua. Assim é a tradição: um legado vivo, constantemente enriquecido para ser fiel a si mesmo. O teólogo Yvez Congar afirmou que a única maneira de se dizer a mesma em um contexto que mudou, é dizê-la de modo diferente. A mensagem cristã precisa se reinventar sempre se quiser ser Boa Nova.

IHU On-Line – As uniões homoafetivas representam uma ameaça à tradição?

Luís Corrêa Lima – Não, pelo contrário. A união entre o homem e a mulher conserva seu valor e função social, e permanece como sinal bíblico do amor entre o Senhor e o seu povo eleito, e do amor entre Cristo e a Igreja. As uniões homoafetivas não ameaçam as uniões heterossexuais, pois estes não são gays enrustidos prestes a debandarem diante da possibilidade de união homossexual. E nem os gays têm obrigação de se “curarem” e de se casarem com pessoas de outro sexo. Até porque, para o direito eclesiástico, este casamento é nulo. Uniões gays e uniões heterossexuais são de naturezas distintas e não concorrem entre si.

Um documento do Vaticano de 2003, sobre o reconhecimento civil da união entre pessoas do mesmo sexo, fez severa oposição à equiparação ou equivalência desta forma de união àquela entre homem e mulher. No entanto, ele afirma que, mesmo assim, podem-se reconhecer direitos decorrentes da convivência homossexual. Este é um passo muito importante. Se não houver nenhum reconhecimento social ou proteção legal às uniões gays, o preconceito homofóbico difuso na sociedade vai pressionar os gays a contraírem uniões heterossexuais. O que já acontece há séculos continuará acontecendo. É lastimável, pois isto traz enorme sofrimento a muitas pessoas.

IHU On-Line – O que deve fazer parte de uma reflexão moral sobre o amor homossexual?

Luís Corrêa Lima – Antes de tudo, a vocação fundamental do ser humano é amar e ser amado. O amor é a plenitude da lei e da vida em Cristo. E o próprio Cristo ensina que a lei foi feita para o homem, e não o homem para a lei. Para a reflexão moral, convém escutar a Palavra de Deus e buscar uma teologia que supere a leitura ao pé da letra; e que leve em conta a Tradição, o ensinamento da Igreja, os sinais dos tempos e os saberes seculares.

A moral não deve se limitar ao ideal, mas deve estar atenta ao possível, à situação em que cada um se encontra e aos passos que pode dar. O papa tratou recentemente do uso da camisinha, e afirmou que em algumas circunstâncias ele representa o primeiro passo para uma humanização da sexualidade. É preciso buscar sempre os caminhos de humanização.

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?

Luís Corrêa Lima – Sim. Jesus afirmou que há eunucos de nascença, eunucos feitos pelos homens e eunucos que assim se fizeram pelo Reino dos Céus (Mt 19,12). Esta frase, um tanto estranha, tem um sentido literal e um sentido não literal. No caso de eunucos feitos pelos homens, trata-se de castração. No caso de eunucos pelo Reino dos Céus, trata-se do próprio Jesus e dos que renunciaram ao casamento para se dedicarem inteiramente à obra de Deus. Não há propriamente castração. E quem são os “eunucos de nascença”? Para os primeiros leitores do Evangelho, talvez fossem pessoas com um defeito físico que impossibilita o casamento. Mas para nós, hoje, é indispensável considerar aqueles que por natureza, em razão de sua libido, não se destinam ao casamento tradicional. São os gays. Eles têm seu lugar no plano divino. E também devem tê-lo na sociedade e na Igreja.

http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=40699

A REVOLUÇÃO CATÓLICA DE OLHO NO FUTURO

09/02/2011

140 teólogos católicos alemães, austríacos e suíços pedem aceitação do casamento entre pessoas do mesmo sexo

 
France Presse

BERLIM, 4 Fev 2011 (AFP) -Mais de 140 teólogos católicos alemães, austríacos e suíços pediram reformas na Igreja Católica que, entre outras coisas, permitam o casamento dos padres, informa o jornal alemão Süddeutsche Zeitung.
No documento, que tem como título “Igreja 2011: a imprescindível renovação”, aberto para consultas no site do jornal, os 143 teólogos, em sua maioria professores de universidades de língua germânica, também pedem ao Vaticano que autorize a entrada de mulheres na vida sacerdotal e aceite os casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

O Papa Bento XVI tem viagem programada à Alemanha, seu país natal, em setembro.
Antes de se tornar Sumo Pontífice, Bento XVI, então apenas o téologo alemão Joseph Ratzinger, examinou a possibilidade de autorização do casamento dos padres, informou em 27 de janeiro o Süddeutsche Zeitung.
Ratzinger integrou um grupo de nove teólogos alemães que apresentou um memorando em fevereiro de 1970 aos bispos da Alemanha para pedir uma análise da necessidade do celibato obrigatório dos padres, segundo o jornal.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/02/teologos-catolicos-pedem-permissao-de-casamento-para-os-padres.html

http://www.sueddeutsche.de/politik/memorandum-der-theologen-kirche-ein-notwendiger-aufbruch-1.1055197

O trecho no original alemão:

4. Gewissensfreiheit: Der Respekt vor dem individuellen Gewissen bedeutet, Vertrauen in die Entscheidungs- und Verantwortungsfähigkeit der Menschen zu setzen. Diese Fähigkeit zu unterstützen, ist auch Aufgabe der Kirche; sie darf aber nicht in Bevormundung umschlagen. Damit ernst zu machen, betrifft besonders den Bereich persönlicher Lebensentscheidungen und individueller Lebensformen. Die kirchliche Hochschätzung der Ehe und der ehelosen Lebensform steht außer Frage. Aber sie gebietet nicht, Menschen auszuschließen, die Liebe, Treue und gegenseitige Sorge in einer gleichgeschlechtlichen Partnerschaft oder als wiederverheiratete Geschiedene verantwortlich leben.

IDENTIFICANDO HOMOFOBIA

04/12/2010

 

Exaltação da heterossexualidade implica defesa da heteronormatividade que implica homonegatividade.

O grau de homonegatividade é o grau da homofobia que vai do zero ao ódio assassino à homossexualidade.

Resumindo…

O grau de homofobia é diretamente proporcional ao grau de exaltação da heterossexualidade.

 

JUSTIÇA SEJA FEITA

09/11/2010

 

Las condiciones de la vida han cambiado mucho y con ellas se ha avanzado enormemente en ámbitos técnicos, sociales y culturales. No podemos contentarnos con estos progresos. Junto a ellos deben estar siempre los progresos morales, como la atención, protección y ayuda a la familia, ya que el amor generoso e indisoluble de un hombre y una mujer es el marco eficaz y el fundamento de la vida humana en su gestación, en su alumbramiento, en su crecimiento y en su término natural. Sólo donde existen el amor y la fidelidad, nace y perdura la verdadera libertad. Por eso, la Iglesia aboga por adecuadas medidas económicas y sociales para que la mujer encuentre en el hogar y en el trabajo su plena realización; para que el hombre y la mujer que contraen matrimonio y forman una familia sean decididamente apoyados por el Estado; para que se defienda la vida de los hijos como sagrada e inviolable desde el momento de su concepción; para que la natalidad sea dignificada, valorada y apoyada jurídica, social y legislativamente. Por eso, la Iglesia se opone a todas las formas de negación de la vida humana y apoya cuanto promueva el orden natural en el ámbito de la institución familiar. 

 http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2010/ 

documents/hf_ben-xvi_hom_20101107_barcelona_sp.html 

 

  
Nada disse Sua Santidade contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Um Papa nada teme e se quisesse dizer ser contra, diria sem meias palavras.

A mídia é que insiste em colocar palavras na boca alheia para gerar polêmica e vender jornal.

Numa análise isenta, nem o discurso de Fátima e nem agora no de Barcelona trouxeram sequer uma única crítica aos homossexuais. Nem poderiam.

Em Barcelona ele disse: “Por eso, la Iglesia aboga por adecuadas medidas económicas y sociales … para que el hombre y la mujer que contraen matrimonio y forman una familia sean decididamente apoyados por el Estado; … Por eso, la Iglesia … apoya cuanto promueva el orden natural en el ámbito de la institución familiar.”…
 

 

Bento XVI não poderia ter-se calado, não poderia deixar de fazer referência à família porque estava justamente consagrando o trambolho arquitetônico sarcasticamente hilário e debochado sinal dos tempos de Gaudi. Consagrado à SAGRADA FAMÍLIA. Jesus, Maria, José.

Siim, ele poderia ter generalizado: “.. para que los que contraen matrimônio” ao invés de: “para que o homem e a mulher que contraem matrimônio”. Mas não fez, porque seria o mesmo que justificar o matrimônio religioso entre pessoas do mesmo sexo e ele não pode derrubar a prescrição 2357 do Catecismo Católico, não ainda… não sem antes fazer a Igreja entender que afinal a homossexualidade NÃO É intrinsecamente DESORDENADA.

A 2357, a falha trágica do Catecismo Católico, que leva à homofobia que mata e induz à morte os próprios filhos é a mentira que por ignorância científica a ICAR propagou.

Ignorância que perdurou por séculos até que um Papa, gay de nascimento, ocupasse o Trono de Pedro, para que ele mesmo, nessas condições purificasse a Igreja dessa inverdade trágica.

Bento XVI, ao não condenar a homossexualidade reconhece que “Las condiciones de la vida han cambiado mucho y con ellas se ha avanzado enormemente en ámbitos técnicos, sociales y culturales.” Com isso, e tantas outras afirmações positivas, o Papa vem preparando a Igreja para que a prescrição 2357 seja definitivamente banida da doutrina católica sem traumas.

O drama está instalado. De um lado os homossexuais de hoje e do futuro clamando por justiça, e do outro, aqueles que ao longo de milênios e até os dias de hoje sufocaram suas vidas, abraçaram a morte da sua afetividade NATURAL, por terem reconhecido como legal uma afirmação que não se pode provar simplesmente porque é falsa.

Este é O PAPA. Ele mesmo, por toda a sua propria vida um injustiçado da ignorância científica. E só ele pode atenuar o sofrimento dos que com ele foram forçados a negar a si mesmos.

Porque ele é o Papa e porque ele é tão vítima da 2357 quanto todos os católicos.

A GRANDE VIRADA COM GOL DE BICICLETA DA INGLATERRA!

05/11/2010

 
 

Um juiz inglês impediu um casal – Owen e Eunice Johns – de adotar uma criança porque declaram-se contra a homossexualidade, o que poderia trazer danos à criança adotada no caso desta ser homossexual.

A decisão levanta realmente a gravíssima questão da adoção por casais homofóbicos, estes em geral pertencentes à congregações religiosas, porque estas pregam a “cura”, a imposição de terapias de reversão.

 

Os recentes suicídios alardeados pela imprensa americana, motivados por bullying contra adolescentes gays, têm como causa na sua origem o moralismo religioso nas igrejas, porque estas é que geraram e continuam incrementando a cultura da homofobia.

Assim, é de se perguntar sem dúvidas, se casais adeptos de religões não inclusivas estão aptos à adoção.

O jogo virou. O Vaticano não terá mais como manter a prescrição 2357 do Catecismo Católico sob pena de que os casais católicos que pleiteam adoção não estejam aptos a realizar a felicidade dos adotados, antes poderão induzí-los ao suicídio.

Vejam a matéria em inglês:

 http://www.dailymail.co.uk/news/article-1325311/Gay-rights-laws-danger-freedoms-Bishops-speak-homosexuality.html

 

 


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