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O AMOR É O ESPÍRITO DE DEUS PRESENTE E VISÍVEL EM CADA UM DE NÓS E NO OUTRO.

29/05/2010
 
GAY CATÓLICO
 
Gay, ou GLBTTTI, é um ser humano com identidade sexual diversa da heterossexual. Esta, a identidade sexual humana dominante e hegemônica. Enquanto espécie é a única diferença.
 
Católico é o humano pertencente à religião cristã universalizada com sede na Santa Sé, o Vaticano. 

Pertinência religiosa é a filiação à uma doutrina de fé no Transcendente Absoluto, Deus.

Jesus de Nazareth, o Cristo é o Filho Unigênito de Deus.

BREVE RETROSPECTO DO BLOG GAY CATÓLICO

No Prólogo tentamos elaborar um panorama da situação dos gays católicos. Triplamente discriminados: pelos gays por serem católicos, pelos católicos por serem gays e pela sociedade heteronormativa. [02]
Contamos apenas um caso em três episódios de como um gay se torna católico a despeito da opressão gerada pela discriminação no meio. [03] , [04] , [05]
Gay nasce gay, mas escolhe ser católico. E escolhe ser católico porque, à exceção da discriminação sofrida por sua orientação sexual, é com a doutrina católica que se identifica, e nenhuma outra responde tão integralmente às suas exigências. A sua “desobediência” será analisada a posteriori. [# in comentários]
Ele entende que há um percurso para – sem perder nada – viver plenamente a sua afetividade e sexualidade. A importância do primeiro encontro, a corte, o namoro, o noivado, e finalmente o casamento que celebra na noite de núpcias. Cada um desses passos tem seu significado sem o qual não compreende a relação com o outro. [09] , [10] , [11] , [12]
Sua religiosidade é isenta de culpa porque acredita em Jesus, quando em Mateus 19, 11-12, revela só a quem é capaz de entender, que desde o ventre materno assim foi formado e que portanto está no Plano de Deus. [13]
Unidos por Deus no casamento, o mistério do Amor  – Deus –  revela-Se na fusão dos cônjuges, na experiência única, real e concreta da ininterrupta Presença do Amor entre ambos, identificando-os um no outro ao ponto de cada um ser dois e os dois… Um.  [14]
E ainda sem deixar de ser, cada um, ele mesmo. É o encontro com o Sagrado que conduz à família homoparental, à educação da prole segundo determinação divina, o envelhecimento na companhia dos seus e finalmente a dignidade da passagem para a Glória do Senhor.  [17]
 

 

A NOITE DE NÚPCIAS

21/04/2010

MAPA 2 – A SEXUALIDADE DOS CÔNJUGES GAYS

 

III

A NOITE DE NÚPCIAS

Eles não são apenas corpos humanos, não são só duas histórias de vida distintas que se encontram para trocar experiências, não são só dois indivíduos ou dois cidadãos, não são só dois desejos, dois sonhos, duas aspirações, duas fantasias. São infinitamente mais que isso. São duas almas que se encontraram para a fusão numa só. Dois para serem numa só alma. Duas almas para fazer nascer uma nova sem se perder das que eram e que continuarão sendo sempre duas. Um mistério de entendimento exclusivo. Só eles conhecerão.

Conceitos primitivos: Eros e Ágape.

Eros e Ágape duas formas de amor. Conceito politeista falso.

Se Ágape é Amor então: Ágape é criador. Eros é criatura. Eros é sensação. É atributo do corpo.

Sensação é informação concreta recebida no corpo.

Sentimento é a elaboração da sensação pela alma.

O Amor não é sentimento, é o Espírito de Deus que controla Eros através da alma do Um e do Outro. Eros é instrumento de linguagem. Instrumento de comunicação.

O Amor domina a alma que controla o cérebro que conduz Eros que informa o cérebro que submete a informação à alma dominada pelo Amor.

Eros informa o cérebro que sente e experimenta a informação que a alma lê e interpreta. O Amor conduz a pergunta e a resposta da alma.

Por quê essas colocações áridas antes de se espreitar o que seria a Noite de Núpcias de um casal gay católico?

Simplesmente porque ninguém, nem mesmo os casais heterossexuais católicos fazem sexo na frente de Deus. O tabu…

A rigor até fazem, mas não vêem Deus como Ele se apresenta no intercurso sexual, Visível. Cobrem-no com o véu do “sentimento de amor”. Esse é o pecado original… o pejo. Deus é esquecido no ato sexual, e no entanto Ele é quem conduz, coordena e instiga o ato sexual. O sexo santo nunca é entre duas pessoas. É sempre entre três pessoas. Os dois noivos e Deus. Ou então não é santo.

– Toma-me nos teus braços, meu amado. Conduz-me ao nosso leito nupcial e despe-me das minhas aparências. O Senhor é em mim para ti e eu O vejo através dos teus olhos que declaram que me amas. Sei que na verdade não és tu que me amas, sei que é o Criador em ti que projeta teu olhar, teus lábios, tua pele, teus músculos ao meu favor. Também eu sou criatura tomada pelo Criador que me move inteira ao teu favor. Sei que é Ele quem nos ama, porque só Ele ama, porque Ele é que é o Amor.

Só o Criador ama e só ama a criatura. A criatura não pode amar, ela só é amada. Amada pelo Senhor que está no Outro. Amada pelo Senhor que está em mim.

– É Ele quem aquece a tua pele e a faz tépida e generosamente agradável ao meu tato. É o Senhor em mim que sugere que tuas mãos deslizem sobre meu peito em direção à minha nuca, é Ele que conduz as minhas para afagar os teus cabelos e pedir que os teus lábios toquem os meus, porque Ele quer dizer-te que está em mim e quer que tu O vejas. Porque te ama e quer brindá-lo com a Sua glória.

– É Ele quem cola o teu corpo no meu. Teu corpo inteiro, simultâneamente teso e relaxado. Teus lábios umedecem do fluído divino que a um tempo aquece e refresca o mamilo junto do meu coração, que acelera de alegria, a alegria que diz aos teus lábios, capazes de ler o que Ele escreve, para que também tu sintas a mesma alegria na tua alma.

– É Ele quem nos leva a rolar no leito, numa espiral ascendente, no Seu propósito de nos fundir um no outro. Eu me abandono antes a Ele do que a ti, meu amado. E tu, do mesmo modo, e eu exulto em ver-te abandonado a Deus. E exulto comigo também, por me ver em completo abandono Naquele que Tudo criou. Aquele que tem todo o Poder, toda a Vida. Poder e Vida que derrama sobre nós, para nós dois.

– Leio o teu corpo, teus movimentos em cada pormenor. Cada poro, cada fio de cabelo, cada pelo. Leio com todo o meu corpo o que Ele escreve no teu corpo. Sem pejo conheço a linguagem do teu sexo que elabora o discurso poético do Senhor. Sim, teu sexo, tua genitália fala, canta para mim e eu ouço o Cântico dos Cânticos. Também em mim a música é divina. Nossos corpos são instrumentos musicais regidos por quem inventou a Música, a melodia é do Céu. E ouça, meu amado! Agora Ele convoca os Anjos para o Seu coro entoar a Sua Canção. Assim, dançamos nas nuvens, nos sóis, nas estrêlas, nas brisas das manhãs, nos luares de verão, nas marés das praias virgens, por tempo indefinido, por horas como segundos e instantes como eternidades. Instantes eternos. Um após o outro e cada vez mais perto um instante do outro.

– E o Senhor entre nós… Ele… no trono da letícia.

– Estremecemos de prazer, porque nada dá mais prazer do que ver o céu abrir-se para passar a Sua Luz. Porque é chegada a hora, é chegado o momento mais sublime do nosso Encontro. Já começo a sentir que tu, meu amado, despreende-se de ti, como eu me despreendo de mim, porque estamos prestes a alcançar a graça de ver revelada e tocar a nova criatura que Ele prometeu criar. Estamos em tempo de sermos não mais apenas dois, mas Dois em Um.

– A vertigem de levantar vôo, nossas almas desprendidas dos nossos corpos, enlaçadas, coladas uma na outra, rodopiando em aceleração crescente, e num único impacto sem volta começam a interpenetrar-se. Penetram-se uma na outra até que uma se confunde com a outra. Até que as duas se tornam uma única.

– E eu te vejo dentro de mim e tu me vês dentro de ti. E loucura… Eu me vejo com os teus olhos e tu te vês com os meus. E ainda maior delírio, eu te vejo com os teus olhos e tu me vês com os meus. E já não sabemos quem é um e quem é o outro, ao mesmo tempo em que nossos mistérios se evaporam. Mas sabemos que somos Um e um novo mistério.

– E Ele, o Senhor resplandece sobre o nosso leito enquanto nos abandonamos ao Um que agora somos.

– E como se nada fôssemos, desmaiamos no nosso abraço sem nos perguntarmos do amanhã.

MAPA 2

13/04/2010
MAPA 2
O encontro, a formação do par, a situação legal, a situação religiosa do casal formado e a sexualidade dos cônjuges.

O ENCONTRO ( – A CORTE – )

Católicos têm sua perspectiva de vida centrada em Jesus, Cristo. Anseiam, ao menos num primeiro momento, encontrar seu par entre os católicos para que juntos possam estabelecer um convívio na presença de Deus, a partir do Amor. Assim, é muito frequente que os católicos frequentem sua comunidade religiosa e esperam que através dela o encontro com seu par aconteça.

Evidentemente não é uma regra, apenas uma estratégia. Não poucas vezes um católico encontrará seu futuro cônjuge fora do seu círculo religioso, que poderá até nem ser católico. Entretanto a maior frequência de encontros ocorrerá dentro da própria comunidade. Se o Amor se apresentar entre ambos, o par iniciará um período de reconhecimento entre si. É a fase da corte.

Contudo, o estigma de desordem moral lançado sobre os gays induz o gay católico a esconder sua sexualidade, na quase totalidade das vezes. Isso dificulta o encontro com outros gays dentro da comunidade porque quase todos estão na mesma situação. E a maioria em conflito com sua identidade sexual, muitas vezes tentando travesti-la de heterossexual, chegando mesmo ao casamento com alguém do sexo oposto dentro da comunidade, sem Amor e fadado ao sofrimento mútuo.

É muito comum encontrar grupos de gays não assumidos que buscam orientar-se para a vida religiosa. Pode-se afirmar que grupos de pré-postulantes são quase na totalidade constituídos por homossexuais. Não há estatísticas a respeito por dificuldades óbvias.

Raramente ocorre que dois gays se encontrem dentro da comunidade. Assumidos para si, unem-se e passam a viver uma relação do tipo “don’t ask, don’t tell”. Marginalizam-se, quando não afastam-se de vez da comunidade para viver sua parceria.

Outras vezes, sofrem a vivência de uma relação exclusivamente platônica.

Em qualquer situação, os gays católicos acabam por reprimir o afeto para o qual foram divinamente construídos. É o fracasso como seres humanos totais.

NAMORO, NOIVADO, CASAMENTO

Estas fases da formação de um casal ocorre em todas as culturas. Dir-se-ia que são ontológicas.

A FORMAÇÃO DO PAR ( – O NAMORO – )

Na felicidade de que o encontro seja bem sucedido, o par inicia o “namoro”.

Para poupar a comunidade do “escândalo”, afastam-se dela e na esperança de que o Amor sustente a relação tentam evoluir em Cristo isoladamente, relacionando-se com a Igreja apenas nas formalidades rituais. Dessa forma a identidade do par, enquanto casal, é sufocada e impedida de crescer social e religiosamente. Para a Igreja esse par, real e concreto, simplesmente não existe.

A SITUAÇÃO LEGAL ( – O NOIVADO – )

O casamento no civil para os gays católicos implica o “outing” para a Igreja. Não há ainda, referências do comportamento dos padres em relação à essas uniões, no que se refere à comunhão eucarística. É um futuro incerto tendo-se à vista que os padres não têm conhecimento se tais uniões implicam a prática sexual na vida privada dos cônjuges. Certamente estes serão convidados ao sacramento da confissão e nesta, a intimidade poderá ser ou não revelada, dependendo do fôro íntimo de cada confidente em considerar a relação pecaminosa ou não.

Como o Magistério da Igreja parte errôneamente da idéia de que as uniões civis sugerem obrigatoriamente uniões carnais, e, o “outing” que a legalização dessas uniões implica, arrastam os pares gays para fora desse instituto legal deixando-os ao relento das suas salvaguardas. Ou seja, vão evitar a união civil e perder os direitos a que fazem jus.

A SITUAÇÃO RELIGIOSA DO CASAL FORMADO ( – O CASAMENTO – )

Preconceito, estigma, repulsa, nojo e homofobia é o que o casal gay católico encontrará na sua comunidade religiosa, na missa, na eucaristia. Apesar de terem sido unidos pelo Amor, de viverem na Presença Dele, muitas vezes com verdade e em profundidade maior que entre muitos casais heterossexuais católicos, essa Presença não é enxergada, sentida, reconhecida pela comunidade. Como entre os cônjuges a Presença de Deus é mais forte que o preconceito, quem acaba por perder dessa relação é a própria comunidade religiosa.

Como o sacramento, dogma da Igreja, estabelece  – pela Tradição – que o matrimônio é união entre gêneros díspares, com fins de procriação e educação da prole, não há como sacramentar a união gay.

Na melhor das hipóteses, o que se poderia esperar a curto prazo seria a criação de um instituto religioso inteiramente novo, não sujeito a sacramento, mas que permitisse a integração do casal gay à vida comunitária religiosa. E a longuíssimo prazo, a extensão do sacramento do matrimônio a todo e qualquer casamento que tenha por objetivo a constituição de familia – no ESPÍRITO – independentemente dos gêneros dos cônjuges.

A SEXUALIDADE DOS CÔNJUGES GAYS CATÓLICOS

Este capítulo especialíssimo requer análise em separado no próximo post.


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