Archive for the ‘gay católico’ Category

OBAMA É QUE É O CARA!

10/06/2011

 

 

October 14, 2010|By the CNN Wire Staff 

Obama: Homossexualidade não é escolha

(CNN) – O presidente Obama disse hoje que acredita que a homossexualidade não é uma escolha, mas o resultado de pessoas nascidas com “uma certa composição.”

Seu comentário foi feito durante um evento informal – organizado pela BET Networks da Viacom, CMT e MTV – em que os estudantes fizeram-lhe perguntas.

Perguntado diretamente se pessoas escolhem ser gays ou transgêneros, ou se nascem assim, Obama disse que não era um especialista, e acrescentou em seguida: “Não acho que é uma escolha. Penso que pessoas nascem com uma certa composição”

“Somos todos crianças de Deus,” disse Obama. “Nós não determinamos a quem amar. Por isso acho que discriminação com base em orientação sexual é errado.”

É provável que a posição do Presidente tenha irritado alguns grupos cristãos conservadores que defendem que é pecado e que consequentemente implica em escolha. [Mas nada provam cientificamente…]

http://articles.cnn.com/2010-10-14/politics/obama.homosexuality_1_homosexuality-transgender-people-choice?_s=PM:POLITICS

 

O Gay Católico observa que apesar de declarar não ser um especialista, seguramente Barack Obama tem a melhor assessoria técnica e científica do planeta. Veja em links agregados à carta aberta que o Gay Católico dirigiu à Presidenta Dilma Roussef, a explanação que o Dr. Jerome Goldstein fez no 21º Congresso da Sociedade Européia de Neurobiologia que ocorreu entre 28 e 31 de maio último.

https://gaycatolico.wordpress.com/2011/06/08/presidenta-dilma-roussef/

PRESIDENTA DILMA ROUSSEF

08/06/2011

 

Exma Sra.

Dilma Roussef, Presidenta da República Federativa do Brasil.

 

Entre 28 e 31 de maio último aconteceu em Lisboa o 21º Congresso da Sociedade Européia de Neurobiologia (ENS). Nele o Dr. Jerome Goldstein, diretor do San Francisco Clinical Research Center (EUA) enfatizou que “A orientação sexual NÃO É UMA QUESTÃO DE ESCOLHA, é principalmente questão neurobiológica pré natal. Existem vínculos inegáveis. Nós queremos torná-los visíveis”.

 

http://www.medicalnewstoday.com/releases/226963.php

 

Ele mencionou a pesquisa sueca da neurocientista Ivanka Savic, do Instituto Karolinska de Estocolmo e os vários estudos com gêmeos, que aliás comentei aqui  há algum tempo; tanto o trabalho sueco como o anglo-sueco da Queen Mary University of London, ambos de 2008.

 

http://www.pnas.org/content/105/27/9403.abstract?sid=319b7033-3b4e-48bc-a3db-e8dba26b1260 

http://www.qmul.ac.uk/qmul/news/newsrelease.php?news_id=1075 

 

 
E veja V. Excia que ele acrescenta: “Temos de continuar a apresentar dados que mostram as diferenças ou semelhanças entre os cérebros dos homossexuais, heterossexuais, bissexuais e pessoas trans sexo. É evidente que a base da orientação sexual está no cérebro e suas diferenças na estrutura e função cerebral, e compete à área da Neurologia”

 

O Dr. Goldstein acrescentou mais… “A neurociência tem muito a oferecer para a compreensão das origens de todas as variações da orientação sexual. A neurobiologia da orientação sexual e do cérebro gay, combinados com outros estudos hormonais, genéticos e estruturais, tem conseqüências de longo alcance para além da orientação sexual. Variadas abordagens já estão surgindo como resultado do reconhecimento das diferenças de orientação sexual e do advento da medicina de gênero específico.”

 

Repare Sra. Presidenta que ele fala em “medicina de gênero específico”. É fantástico e revolucionário.

 

É a última, mais avançada, abalizada e confiável assertiva de que a homossexualidade NÃO É OPÇÃO, é inata. Incontestável.

 

Não é doença, não é opção, é CARACTERÍSTICA INATA.

 

Na certeza de que V. Excia considerará a ciência como parâmetro para as afirmações presidenciais.

 

E pela soberania do Estado Laico.

 

 

A FORÇA GAY!

08/05/2011

UMA SOCIEDADE DECENTE É UMA SOCIEDADE QUE NÃO HUMILHA SEUS INTEGRANTES

Ministra Ellen Gracie – Supremo Tribunal Federal do Brasil em 5 de maio de 2011 

contribuição do nosso amigo amado Dudu, dA Força Gay! e LGBT Brasil, comunidades do Orkut

QUANDO DEUS ILUMINA O HOMEM

16/03/2011

ILUMINADO POR DEUS

 PADRE LUÍS CORRÊA LIMA – UM JESUÍTA DA MELHOR CEPA

 

Diversidade sexual e Igreja, um diálogo possível. Entrevista especial com Luís Corrêa Lima

Ao analisar a forma como a Igreja aborda temas como a diversidade sexual, o padre jesuíta Luís Corrêa Lima disse, na entrevista que concedeu por e-mail à IHU On-Line, que “nós só podemos saber o que a Palavra de Deus significa para nós hoje, e que implicações ela tem, com um suficiente conhecimento da realidade atual, que inclui a visibilização da população LGBT”. Ele relembra uma carta do Vaticano aos bispos, do ano de 1986, mencionando que “nenhum ser humano é mero homossexual ou heterossexual. Ele é, acima de tudo, criatura de Deus e destinatário de Sua graça, que o torna filho Seu e herdeiro da vida eterna”.

O pesquisador destaca, ainda, uma declaração do PapaBento XVI, dizendo que “o cristianismo não é um conjunto de proibições, mas uma opção positiva”. Segundo ele, o Papa acrescentou “que é muito importante evidenciarmos isso novamente, porque essa consciência hoje quase desapareceu completamente. É muito bom que um Papa tenha reconhecido isto. Há no cristianismo uma tradição multissecular de insistência na proibição, no pecado, na culpa, na condenação e no medo”.

Corrêa Lima frisa que não cabe “encaminhar os gays a terapias de reversão ou a ‘orações de cura’, que frequentemente são formas escamoteadas de exorcismo. No diálogo ecumênico e inter-religioso da Igreja, recomenda-se conhecer o outro como ele quer ser conhecido, e estimá-lo como ele quer ser estimado. O conhecimento e a estima recíprocos são também o melhor caminho para o diálogo entre a Igreja e o mundo gay”.

E completa: “O grande desafio da diversidade sexual é fazer-se compreender pela sociedade, não como uma ameaça, mas como uma pluralidade existente na condição humana que enriquece o mundo. No fundo, as pessoas querem ser elas mesmas, reconhecidas e aceitas pelos outros”.

Formado em Administração, Filosofia e Teologia, Luís Corrêa Lima também é mestre em História Social da Cultura pela PUC-Rio, onde é professor desde 2004, e doutor em História pela Universidade de Brasília – UnB. É autor de Teologia de Mercado uma visão da economia mundial no tempo em que os economistas eram teólogos (Bauru: EDUSC, 2001).

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Qual é a importância de a Igreja abordar temas como a diversidade sexual, nos dias de hoje?

Luís Corrêa Lima – A diversidade sexual é um dado da realidade. No passado, gays, lésbicas e bissexuais viviam no anonimato ou à margem da sociedade. Escondiam-se em uniões heterossexuais e, quando muito, formavam guetos. Hoje, tornam-se visíveis, fazem imensas paradas, junto com travestis e transexuais, exigem respeito e reconhecimento, e reivindicam direitos.

Para a Igreja, a lei de toda a evangelização é pregar a Palavra de Deus de maneira adaptada à realidade dos povos, como lembra o Concílio Vaticano II (Gaudium et Spes, nº 44). Deve haver um intercâmbio vivo e permanente entre a Igreja e as diversas culturas dos diferentes povos. Para viabilizar este intercâmbio – sobretudo hoje, em que tudo muda tão rapidamente, e os modos de pensar variam tanto – ela necessita da ajuda dos que conhecem bem a realidade atual, sejam eles crentes ou não. O laicato, a hierarquia e os teólogos, prossegue o Concílio, precisam saber ouvir e interpretar as várias linguagens ou sinais do nosso tempo, para avaliá-las adequadamente à luz da Palavra de Deus, de modo que a Revelação divina seja melhor compreendida e apresentada de um modo conveniente.

A correta evangelização, portanto, é uma estrada de duas mãos, do intercâmbio entre a Igreja e as culturas contemporâneas. Nós só podemos saber o que a Palavra de Deus significa para nós hoje, e que implicações ela tem, com um suficiente conhecimento da realidade atual, que inclui a visibilização da população LGBT.

IHU On-Line – Que elementos de discussão a diversidade sexual propõe para setores da sociedade como a família, a igreja e a escola? Quais são os desafios no que se refere à cidadania?

Luís Corrêa Lima – Por muitos séculos, o homoerotismo foi visto no Ocidente como um pecado nefando (que não deve nem ser nomeado) e como um crime gravíssimo que atrai o castigo divino para a sociedade. Igreja e Estado estiveram unidos. Tribunais eclesiásticos julgavam os acusados de “sodomia”, e os culpados eram entregues ao poder civil para serem punidos. Em casos extremos, a punição chegava à pena de morte.

O homoerotismo foi descriminalizado, e a condição homossexual foi despatologizada. Desde o final do século XX, esta condição não é mais considerada doença. Atualmente o Conselho Federal de Psicologia proíbe as terapias de reversão. Ou seja, algumas pessoas são homossexuais e o serão por toda vida. Elas estão em toda parte. Quem não é gay, tem parentes próximos ou distantes que são, bem como vizinhos ou colegas de trabalho que também são, manifesta ou veladamente. Eles compõem a sociedade, visibilizam-se cada vez mais e não aceitam mais serem tratados como doentes ou criaturas abomináveis. Querem ser cidadãos plenos, com os mesmos direitos e deveres dos demais.

IHU On-Line – O que a fé cristã, na sua opinião, tem a dizer sobre a diversidade sexual?

Luís Corrêa Lima – O mais importante é algo que foi dito numa carta do Vaticano aos bispos, em 1986: nenhum ser humano é mero homossexual ou heterossexual. Ele é, acima de tudo, criatura de Deus e destinatário de Sua graça, que o torna filho Seu e herdeiro da vida eterna. E acrescenta que toda violência física ou verbal contra é deplorável, merecendo a condenação dos pastores da Igreja onde quer que se verifiquem. A oposição doutrinária que possa haver às práticas homoeróticas não elimina esta dignidade fundamental do ser humano. Deus criou a todos. O Cristo veio para todos e oferece o seu jugo leve e o seu fardo suave. Cabe a nós, com fidelidade criativa, conhecermos e darmos a conhecer estes dons divinos.

IHU On-Line – Como a Igreja, a partir da fé e das ciências, pode dialogar com a diversidade sexual?

Luís Corrêa Lima – Certa vez o PapaBentoXVI afirmou que o cristianismo não é um conjunto de proibições, mas uma opção positiva. E acrescentou que é muito importante evidenciarmos isso novamente, porque essa consciência hoje quase desapareceu completamente. É muito bom que um Papa tenha reconhecido isto. Há no cristianismo uma tradição multissecular de insistência na proibição, no pecado, na culpa, na condenação e no medo. O historiador Jean Delumeau fala de uma “pastoral do medo”, que com veemência culpabiliza e a ameaça de condenação para obter a conversão. Isto não se deu somente no passado distante. Também no presente, alguns interpretam a doutrina da maneira mais restritiva e condenatória possíveis, com obsessão pelo pecado, sobretudo ligado a sexo.

Sem a obsessão pelo pecado, o caminho do diálogo se abre. É preciso também respeitar a autonomia das ciências e da sociedade, como determina o Concílio. Não cabe hoje encaminhar os gays a terapias de reversão ou a “orações de cura”, que frequentemente são formas escamoteadas de exorcismo. No diálogo ecumênico e inter-religioso da Igreja, recomenda-se conhecer o outro como ele quer ser conhecido, e estimá-lo como ele quer ser estimado. O conhecimento e a estima recíprocos são também o melhor caminho para o diálogo entre a Igreja e o mundo gay.

IHU On-Line – A Igreja, no Brasil, tem, por meio de publicações, cursos, seminários, proposto o diálogo sobre a diversidade sexual. O que isso significa? Há aí um interesse legítimo dos diversos membros da Igreja, ou esta é uma necessidade da Igreja de se inserir em um novo contexto contemporâneo, em que gays e lésbicas ganham mais espaço? Como interpreta a posição da Igreja nesse contexto?

Luís Corrêa Lima – Constata-se que há no Brasil várias publicações, e de qualidade, sobre diversidade sexual feitas por religiosos ou por editoras católicas. Também há cursos e mesas redondas. Pode-se notar que o interesse é crescente, afinal o contexto da sociedade é inevitável. Em vários ambientes católicos, sejam paróquias, escolas ou centros de pastoral, pode-se tratar do assunto com liberdade. De um modo geral, as eventuais resistências não são barreiras intransponíveis.

IHU On-Line – Os homossexuais já conquistaram o direito de manterem uma união estável no Brasil. Como avalia a luta pela cidadania religiosa no Brasil?

Luís Corrêa Lima – Na verdade, há decisões judiciais que favorecem os conviventes homoafetivos, bem como normas de instituições públicas e privadas no mesmo sentido. Casais homossexuais podem obter em cartório um documento declaratório de convivência homoafetiva. Recentemente o Imposto de Renda e os planos de saúde contemplam estes casais com os mesmos direitos dos casais heterossexuais em união estável. Sobre a cidadania religiosa, nos ambientes religiosos católicos, de um modo geral, muitos gays estão presentes mas não manifestam a sua condição para evitar discriminação. É algo semelhante à escola e ao mundo do trabalho.

IHU On-Line – O que podemos entender por diversidade sexual? Quais os principais desafios da diversidade sexual?

Luís Corrêa Lima – A visibilização dos homossexuais, e a sua organização como movimento social, já usou diversas siglas: Gay (termo anterior a homossexual, que evoca alegria e autoestima), MHB (Movimento Homossexual Brasileiro), HSH (Homens que fazem sexo com homens – sigla ainda utilizada em saúde pública), GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes – sigla adotada pelo mercado) e LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), a mais recente. Há tendências de se acrescentar o ‘I’, de intersexual, para os hermafroditas. O termo diversidade sexual é uma maneira de englobar esta crescente pluralidade, embora com imprecisão.

O grande desafio da diversidade sexual é fazer-se compreender pela sociedade, não como uma ameaça, mas como uma pluralidade existente na condição humana que enriquece o mundo. No fundo, as pessoas querem ser elas mesmas, reconhecidas e aceitas pelos outros.

IHU On-Line – Como o senhor avalia o posicionamento da Igreja em relação à diversidade sexual na sociedade contemporânea?

Luís Corrêa Lima – A Igreja, antes de tudo, está alicerçada na milenar tradição judaico-cristã, ao mesmo tempo em que está presente em diversas partes do mundo, interagindo com a cultura ocidental moderna e com culturas não ocidentais. No judaísmo antigo, acreditava-se que o homem e a mulher foram criados um para o outro, para se unirem e procriarem. O homoerotismo era considerado uma abominação. Israel devia se distinguir das outras nações de várias maneiras, inclusive pela proibição do homoerotismo. A Igreja herdou esta visão antropológica com sua interdição.

Alguns conteúdos doutrinais mudam ao longo dos séculos, como é o caso da legitimidade da escravidão e da proibição do empréstimo a juros. Isto mostra que eles não comprometem o núcleo da fé. Outros conteúdos também podem mudar, mas não há como prever. De qualquer maneira, a consciência individual tem um peso decisivo em questões complexas como esta. Este papel não deve ser omitido ou subestimado. O Concílio reconheceu o direito de a pessoa agir segundo a norma reta da sua consciência, e o dever de não agir contra ela. Nela está o “sacrário da pessoa”, onde Deus está presente e se manifesta. A fidelidade à consciência une os cristãos e os outros homens no dever de buscar a verdade, e de nela resolver os problemas morais que surgem na vida individual e social (Gaudium et Spes, nº 16). Nenhuma palavra externa substitui o juízo e a reflexão da própria consciência.

IHU On-Line – Entre os evangélicos também há discordância em relação à homossexualidade. Entretanto, qual sua opinião sobre a Igreja Cristã Contemporânea, coordenada pelo casal de pastores homossexuais Fábio Inácio de Souza e Marcos Gladstone?

Luís Corrêa Lima – Entre os evangélicos, a oposição à homossexualidade em geral é mais intensa, com práticas frequentes de exorcismo para expulsar o demônio que supostamente toma conta da pessoa. Os que continuam a cometer atos homossexuais são muitas vezes expulsos de suas igrejas, ou sofrem um assédio moral devastador que os faz sair. Como o mundo protestante é fragmentado em diversas denominações, gays evangélicos fundaram igrejas inclusivas para acolherem crentes repelidos por suas igrejas de origem.

As igrejas inclusivas nasceram nos Estados Unidos, na ampla constelação do movimento gay. A Igreja Cristã Contemporânea é um rebento brasileiro com notável difusão no Rio de Janeiro. Os pastores Fábio e Marcos protagonizaram o primeiro casamento público entre dois pastores gays, com grande repercussão na mídia, muita simpatia da militância LGBT e forte execração dos evangélicos tradicionais.

IHU On-Line – Quais são, no seu entendimento, as razões que dificultam o consentimento das religiões aos homossexuais?

Luís Corrêa Lima – As grandes religiões monoteístas – judaísmo, cristianismo e islamismo – enraízam-se em tradições milenares consignadas em textos sagrados antigos, situados em horizontes socioculturais bem diferentes do nosso. Estas religiões se vincularam a uma suposta heterossexualidade universal, expressa no imperativo “crescei-vos e multiplicai-vos’” do livro de Gênesis. Por outro lado, há religiões de matrizes africanas que aceitam os gays. Na verdade, a heterossexualidade não é universal, nem na espécie humana, nem entre os animais. No mundo animal, já se conhecem atualmente mais de 450 espécies com indivíduos homossexuais.

Certa vez um rabino disse que a tradição não é um bastão de uma corrida de revezamento. O bastão é sempre mesmo, passando de mão em mão. A imagem correta da tradição é uma casa em que vivem sucessivas gerações. Cada uma delas pode dar o seu toque peculiar e até fazer reformas internas. Mas a casa é sempre reconhecível por quem passa na rua. Assim é a tradição: um legado vivo, constantemente enriquecido para ser fiel a si mesmo. O teólogo Yvez Congar afirmou que a única maneira de se dizer a mesma em um contexto que mudou, é dizê-la de modo diferente. A mensagem cristã precisa se reinventar sempre se quiser ser Boa Nova.

IHU On-Line – As uniões homoafetivas representam uma ameaça à tradição?

Luís Corrêa Lima – Não, pelo contrário. A união entre o homem e a mulher conserva seu valor e função social, e permanece como sinal bíblico do amor entre o Senhor e o seu povo eleito, e do amor entre Cristo e a Igreja. As uniões homoafetivas não ameaçam as uniões heterossexuais, pois estes não são gays enrustidos prestes a debandarem diante da possibilidade de união homossexual. E nem os gays têm obrigação de se “curarem” e de se casarem com pessoas de outro sexo. Até porque, para o direito eclesiástico, este casamento é nulo. Uniões gays e uniões heterossexuais são de naturezas distintas e não concorrem entre si.

Um documento do Vaticano de 2003, sobre o reconhecimento civil da união entre pessoas do mesmo sexo, fez severa oposição à equiparação ou equivalência desta forma de união àquela entre homem e mulher. No entanto, ele afirma que, mesmo assim, podem-se reconhecer direitos decorrentes da convivência homossexual. Este é um passo muito importante. Se não houver nenhum reconhecimento social ou proteção legal às uniões gays, o preconceito homofóbico difuso na sociedade vai pressionar os gays a contraírem uniões heterossexuais. O que já acontece há séculos continuará acontecendo. É lastimável, pois isto traz enorme sofrimento a muitas pessoas.

IHU On-Line – O que deve fazer parte de uma reflexão moral sobre o amor homossexual?

Luís Corrêa Lima – Antes de tudo, a vocação fundamental do ser humano é amar e ser amado. O amor é a plenitude da lei e da vida em Cristo. E o próprio Cristo ensina que a lei foi feita para o homem, e não o homem para a lei. Para a reflexão moral, convém escutar a Palavra de Deus e buscar uma teologia que supere a leitura ao pé da letra; e que leve em conta a Tradição, o ensinamento da Igreja, os sinais dos tempos e os saberes seculares.

A moral não deve se limitar ao ideal, mas deve estar atenta ao possível, à situação em que cada um se encontra e aos passos que pode dar. O papa tratou recentemente do uso da camisinha, e afirmou que em algumas circunstâncias ele representa o primeiro passo para uma humanização da sexualidade. É preciso buscar sempre os caminhos de humanização.

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?

Luís Corrêa Lima – Sim. Jesus afirmou que há eunucos de nascença, eunucos feitos pelos homens e eunucos que assim se fizeram pelo Reino dos Céus (Mt 19,12). Esta frase, um tanto estranha, tem um sentido literal e um sentido não literal. No caso de eunucos feitos pelos homens, trata-se de castração. No caso de eunucos pelo Reino dos Céus, trata-se do próprio Jesus e dos que renunciaram ao casamento para se dedicarem inteiramente à obra de Deus. Não há propriamente castração. E quem são os “eunucos de nascença”? Para os primeiros leitores do Evangelho, talvez fossem pessoas com um defeito físico que impossibilita o casamento. Mas para nós, hoje, é indispensável considerar aqueles que por natureza, em razão de sua libido, não se destinam ao casamento tradicional. São os gays. Eles têm seu lugar no plano divino. E também devem tê-lo na sociedade e na Igreja.

http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=40699

A REVOLUÇÃO CATÓLICA DE OLHO NO FUTURO

09/02/2011

140 teólogos católicos alemães, austríacos e suíços pedem aceitação do casamento entre pessoas do mesmo sexo

 
France Presse

BERLIM, 4 Fev 2011 (AFP) -Mais de 140 teólogos católicos alemães, austríacos e suíços pediram reformas na Igreja Católica que, entre outras coisas, permitam o casamento dos padres, informa o jornal alemão Süddeutsche Zeitung.
No documento, que tem como título “Igreja 2011: a imprescindível renovação”, aberto para consultas no site do jornal, os 143 teólogos, em sua maioria professores de universidades de língua germânica, também pedem ao Vaticano que autorize a entrada de mulheres na vida sacerdotal e aceite os casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

O Papa Bento XVI tem viagem programada à Alemanha, seu país natal, em setembro.
Antes de se tornar Sumo Pontífice, Bento XVI, então apenas o téologo alemão Joseph Ratzinger, examinou a possibilidade de autorização do casamento dos padres, informou em 27 de janeiro o Süddeutsche Zeitung.
Ratzinger integrou um grupo de nove teólogos alemães que apresentou um memorando em fevereiro de 1970 aos bispos da Alemanha para pedir uma análise da necessidade do celibato obrigatório dos padres, segundo o jornal.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/02/teologos-catolicos-pedem-permissao-de-casamento-para-os-padres.html

http://www.sueddeutsche.de/politik/memorandum-der-theologen-kirche-ein-notwendiger-aufbruch-1.1055197

O trecho no original alemão:

4. Gewissensfreiheit: Der Respekt vor dem individuellen Gewissen bedeutet, Vertrauen in die Entscheidungs- und Verantwortungsfähigkeit der Menschen zu setzen. Diese Fähigkeit zu unterstützen, ist auch Aufgabe der Kirche; sie darf aber nicht in Bevormundung umschlagen. Damit ernst zu machen, betrifft besonders den Bereich persönlicher Lebensentscheidungen und individueller Lebensformen. Die kirchliche Hochschätzung der Ehe und der ehelosen Lebensform steht außer Frage. Aber sie gebietet nicht, Menschen auszuschließen, die Liebe, Treue und gegenseitige Sorge in einer gleichgeschlechtlichen Partnerschaft oder als wiederverheiratete Geschiedene verantwortlich leben.

PORQUE A BÍBLIA ME DIZ ASSIM

26/01/2011

IDENTIFICANDO HOMOFOBIA

04/12/2010

 

Exaltação da heterossexualidade implica defesa da heteronormatividade que implica homonegatividade.

O grau de homonegatividade é o grau da homofobia que vai do zero ao ódio assassino à homossexualidade.

Resumindo…

O grau de homofobia é diretamente proporcional ao grau de exaltação da heterossexualidade.

 

A Outra Face

05/10/2010
O que segue é atribuído a um autor que não devo mencionar porque o link oferecido está quebrado e no que deveria ser o blog de origem não consta esse post.

Será oportunamente corrigido, se for o caso. E como a oração é de uma beleza inegável, publicamos.

 

Oração de um gay pecador a Nosso Senhor Jesus Cristo

 
Deus criou machos e fêmeas, como está escrito em Gênesis, mas o diabo forjou preconceituosos e soberbos, como está escrito nos quatro Evangelhos; soberbos e preconceituosos, independentemente dos sexos que a natureza, em sua Santa Inocência, gerou pelas mãos divinas.

Se tudo no ser humano tem de provir exclusiva e unicamente da Natureza, que de fato é santa e tudo nos provê, questões aflitivas se me levantam, ó Pai, em minha pequena e parcimoniosa extensão do entendimento de Vossa Alta Clemência.

Essa mesma Natureza, com efeito, não criou, para dar só um exemplo de minhas muitas perguntas em relação aos homens que evocam, em Vossas palavras, condenação para minhas condutas, Essa mesma Natureza, ó Bom Pai, não fez, desde o Livro de Gênesis, que eu saiba, tintas para que os animais das selvas pintassem seus pelos e suas plumagens. Seria o ato de pintar os cabelos humanos, por não ser proveniente da natureza, um pecado de aberração contra Nosso Senhor? Não seria vaidade? Não seria antinatural? Ou será que a natureza e a invenção cultural do ser humano são, ambas, Obras Necessárias do mesmo Deus, Criador de TODAS AS COISAS, inclusive das tintas para cabelo?

Oh Meu Messias, Salvador de minha alma, meu Senhor Jesus Cristo, Vós, que nunca atirastes sequer uma única pedra em mim, olhai por nós.

Vós, que dissestes que todo aquele que fizesse mal a uma criancinha fazia mal a Vós também, e que nunca comparastes este mal feito aos pequeninos à minha orientação sexual, clareai os espíritos malignos que se comprazem, por conta própria, em me comparar àqueles que são capazes de pecar mortalmente contra uma criança, algo que eu nunca fiz nem nunca farei.

Vós, que nunca, em nenhum momento, por Vossa boca, dissestes que eu era uma ameaça à família e que minha presença manchava a harmonia de um lar, dai aos corações de pedra o entendimento de que meu amor é tão legítimo quanto qualquer amor, porque não existem subdivisões para a maior Graça e o maior dom de Deus: o amor ao semelhante.

Vós, que sabeis quantas vezes apanhei nas duas faces, pelo simples fato de amar e ser amado, sobretudo por Vós, mostrai aos fariseus e aos maus samaritanos que somos todos iguais, e que dentro de mim habita um anjo da guarda enviado por nosso Bom Deus, que jamais me virou as costas nos momentos de maior necessidade, assim como nos momentos de maior alegria.

Vós, que nunca me comparastes a Sodoma e Gomorra, e que sabeis que o meu coração procura a pureza da neve e a claridade do sol, levai a essas pessoas necessitadas o discernimento de que a bondade e a maldade, a concupiscência e o celibato, a pornografia e a inocência, o pecado e a santidade não têm nenhuma relação com homossexualidade ou heterossexualidade.

Vós, que quereis o coração e o espírito, o que os quereis no alto, sursum corda, hosanna in excelsis, e não vos interessais pelas belas roupas, tecidos de veludo, seda e rendas, nem por joias ou por ornamentos de ouro, falai com mais claridade, a quem não Vos compreendeu ainda, apesar de Vossa Infinita Luminosidade, que o caráter de uma pessoa não se encontra da cintura para baixo, mas da cintura para cima.

Vós, que fostes crucificado, oferecendo-vos em favor de cada um de nós, exigindo-nos apenas o amor a Deus e o amor aos nossos irmãos, dai-nos a Vossa Realeza, e o Vosso Santo Espírito de comunhão, que não segrega, mas ajunta, reúne, concilia e ampara.

Vós, que separais o joio do trigo, mostrai que no joio estão a cobiça, a inveja, a ingratidão, a impureza de sentimentos, a discriminação, a soberba, a astúcia, a malícia, o engano, e que no trigo, o pão nosso de cada dia, estão o serviço ao próximo, a abnegação, a fraternidade, a caridade e, sempre, o amor, todo tipo de amor, o amor incondicional.

Vós, que nunca comparastes os gays aos assassinos, aos bandidos, aos adúlteros, nem a qualquer um que tenha pecado contra a carne, revelai a esses pequeninos carentes de Vós que Vossa palavra absolve até mesmo os assassinos, os bandidos, os adúlteros e a qualquer um que tenha pecado contra a carne, porque sei, Senhor, que não sou digno de que entreis em minha morada, mas basta-Vos uma só palavra e serei salvo.

Vós, que ressuscitastes ao terceiro dia e dissestes apenas: “Eu vos deixo a Paz”, deixai em paz os corações aflitos que teimam em nos apedrejar, como se eles fossem, por alguma razão, superiores a nós no amor que Deus derrama igualmente sobre cada uma de suas criaturas – plantas, pássaros, cachorros, leões, gatos, peixes, baleias, mulheres e homens.

Vós, que nunca nos considerastes ímpios, iníquos, vis, mercantilistas, pois sabeis que essas características independem do fato de nossos parceiros serem do mesmo sexo que o nosso ou do sexo oposto, dignificai a Vossa promessa de Eterna Aliança, infundindo nos espíritos embrutecidos o talento de discernir não por estereótipos, mas por essências.

Imploramos, Senhor Jesus, em nome de todos os mártires e de todos os castos que devotaram suas vidas a Vós, e que foram queimados, crucificados, devorados por bestas, acorrentados, esquartejados, imploramos-Vos que mostreis que em Vossa palavra não há um só til, um só jota que nos incrimine pelo simples fato de sermos gays.

Mostrai, Senhor Nosso Salvador, que, como disse Vossa Mãe, a sempre Virgem Maria de Nazaré, devemos fazer tudo o que Vós nos ensinastes, e que em Vossos ensinamentos não há nada que nos recrimine ou condene, nem que nos mande mudar nossa essência e nosso amor.

Vós, Senhor, que tendes a Bondade em Nosso Pai, dai a todos nós a centelha da caridade, da compreensão, da compaixão e do acolhimento, e retirai de nós o fermento farisaico da hipocrisia, do preconceito, da malícia e das más intenções.

Se para alguns de Vossos filhos somos considerados os últimos, se somos perseguidos, portanto, em nome do Vosso amor por nós, bem-aventurado sede Vós, meu Salvador, porque olhastes para o Vosso servo e destes a ele a suprema bondade da vida eterna, e fareis dele o primeiro. Que eu seja como a prostituta que precederá ao senhor da lei no Reino dos Céus. Que eu seja como o bandido que se reconheceu digno da crucificação, mas que viu em Vós, crucificado ao seu lado, somente Justiça e Milagres. Que eu entre, com esse bandido condenado e com essa prostituta ridicularizada, no Reino Eterno, onde não entrarão os imponentes centuriões de Herodes, os respeitados sacerdotes do templo e os suntuosos e solenes escribas de Pilatos e César Augusto que os condenaram à morte ao Vosso lado.

Se eu sou a ovelha desgarrada ou o filho pródigo, é comigo, principalmente, que Vos haveis de preocupar, Senhor. Deixareis de lado as outras 99 ovelhas que sempre estiveram em Vosso rebanho, largará o filho fiel que sempre labutou ao Vosso lado e é para mim, só para mim, que volvereis Vosso Olhar de Pastor e Rei. Foi por mim, e por mim, pecador que sou, que viestes ao mundo em forma de Homem, e enfrentastes as tradições e as leis religiosas maléficas do mundo e do sistema social para me redimir, e é por mim que retornareis, Oh Jesus, Doce Amigo, embora nunca deixastes de estar vivo no coração daqueles que, pecadores ou santos, têm fé em Vós.

Conheço, meu Bom Pastor, que em outros tempos os negros foram considerados bichos imundos e sem alma por pessoas que se diziam vossas seguidoras, e que “encontraram” nas Vossas Palavras Perfeitas “argumento” e “fundamentação” para essa atrocidade. Conheço, meu Fidelíssimo Esposo, Cristo Redentor, que outrora as mulheres foram cruelmente tachadas como inferiores aos varões, dos pontos de vista espiritual, intelectual e – pior – moral. E, da mesma forma, foi em Vossa Santíssima Complacência que alegavam “encontrar provas” e “justificativas” para tamanha aberração, para tamanha iniquidade, para tamanho despautério.

Sou chamado de “gay”, uma palavra da língua inglesa, que quer me dominar até a raiz e transformar-me numa caricatura de gente, num fantoche de pessoa. Mas não reconheço nessa palavra, porque meus olhos não conseguem ver tal impureza, a arrogância com que seus inquisidores a encheram de um significado sombrio, nunca respaldado em Vosso amor. Reconheço nessa palavra, que adoto para mim mesmo, o traço de “alegria”, “festa”, “louvor”, “celebração” que ela, originalmente, significa, uma vez traduzida.

Quanto a ser pecador, reconheço que meus pecados são mais numerosos do que os grãos de areia de todas as praias do Vosso lindo Planeta. Mas confio em Vosso julgamento, e confio em Vós quando dizeis que com a medida com que me julgarem serão igualmente julgados. Minha fé é inabalável: não colocais sobre meus ombros um peso que Vós mesmo, em toda a Vossa Infinita Glória, não seríeis capaz de suportar. Vosso jugo é leve e Vossa mão é suave; mas a mão que me atira pedra é áspera como a figueira estéril, e, por mais que essa mão me ofereça graciosamente a Vós em sacrifício pascal, o carneiro precisa ser imolado, mas ai da mão que o imolou: melhor seria nunca ter nascido, ou ter sido arrancada do corpo daquele que imolou o cordeiro de Deus – assim ensinastes sobre Judas Iscariotes – porque é melhor que entre o corpo no céu faltando uma de suas partes, do que, estando inteiro, pereça inteiramente nos infernos.

Olho, Senhor, como crescem os lírios do campo, que não fiam nem tecem, e percebo-lhes a doçura no esplendor de Vossa Majestade, que nem a Salomão, no auge de sua glória, deu semelhante brilho, perfeição, pureza e liberdade.

Todos nós viemos do pó e ao pó retornaremos; saímos nus do ventre de nossas mães e retornaremos nus ao ventre da terra. Imploro-vos, porém, meu Senhor, que meu pequeno caminho e minha doce cruz sejam uma via povoada mais de rosas que de espinhos, seguindo o exemplo de Vossa fiel serva Teresinha.

Dignai-vos, meu Salvador, fazer que eu possa estender as mãos e ajudar mais do que esticar a língua e chicotear.

Permiti-nos, Senhor Nosso, que sejamos arautos de Vossa palavra de amor e união a toda a gente, assim como o foram Vossos fiéis servos Jerônimo e Lutero.

Minha multidão de pecados, Senhor, é a Vós que a confesso, embora saiba que Vós me sondais, no alto da montanha e no abismo mais profundo; que Vós me conheceis desde antes do meu nascimento até depois de minha primeira morte. Mas, mesmo assim, confesso-Vos, Meu Pai, todos os meus pecados, e arrependo-me, sobretudo, de quando deixei de dar pão a quem mo pedia, e ofereci-lhe, em lugar, pedra, veneno, humilhação e dureza de coração.

Neguei-Vos, Pai Nosso, muito mais do que as três vezes que o medo de Vosso fiel servo Pedro lhe infligiu. Nego-Vos sempre que nego a um irmão que me estende a mão pedindo ajuda. Nego-Vos sempre que atiro um olhar de reprovação a quem só busca amor. Ainda assim, imploro por Vosso dulcíssimo Perdão, para que eu, contrito e convoluto, possa reluzir em minha face apagada o esplendor infinito de Vossos Arcanjos e Serafins e de Vosso Brilho eterno.

Ajoelhado, Senhor, rogo-Vos que me deis a Luz que desconheço. Que Vosso Reino venha até nós. Sede a água de minha sede. Fazei de mim um instrumento da vossa Bondade. Bendita sois Vós, irmã Bondade, entre as ações de toda criatura que pretenda louvar ao Santo de todos os Santos. Onde houver desavenças, que eu leve união; onde houver desespero, que eu leve esperança; onde houver ódio, que eu leve perdão e paz. Meu espírito exulta ao Senhor, e meu coração se alegra, pois encontrou em mim, um mísero pecador, a possibilidade e o poder para eu ser caridoso.

O senhor não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos. Eu sou um pecador, mas, se o Senhor me escolher, tudo em mim será claro como a água límpida que corre das cachoeiras. Quem me escolhe e me capacita nãos são os homens ou as mulheres: é meu Senhor. Quem diz o que sou ou não sou não são as mulheres ou os homens: é meu Senhor.

Quero compreender, mais que ser compreendido; perdoar, mais que ser perdoado. Pois, como nos ensinou Vosso fiel servo Francisco de Assis, o pobrezinho de Deus, é dando que se recebe, e é fazendo morrer nosso olhar recriminatório e cruel contra nossos irmãos que renasceremos com um olhar capaz de enxergar a vida eterna de Vosso seio.

Sei que minha fé é necessária e suficiente, como nos ensinou Vosso fiel Servo Paulo. Sei que o demônio é um cão acorrentado que ladra, ladra, ladra e ladra contra mim, mas não me pode morder, não me pode ferir, não pode tocar, não me pode sequer alcançar, como nos ensinou Vosso fiel Servo Agostinho. Mantende-o seguro e subjugado em sua cadeia inquebrável, Senhor, porque ali está o maligno, pois esbravejar, ferozmente, qual cão raivoso, contra um irmão cujo pecado inquisitorial seja o fato de amar e ser amado é atitude factual do demônio.

Sanctus, Sanctus, Sanctus, Dominus Deus Sabaoth.

Que eu não seja motivo de tropeço a nenhum pequenino como eu. Que, apesar de todos os meus pecados, minhas pequenas e humildes ações ajudem a erguer o amor onde antes só havia vergonha e desonra, preconceito e discórdia.

Nenhuma criatura foi capaz, mesmo com todo o poder político, econômico e religioso de que dispunha, de Vos prender nem mesmo no sepulcro, nem mesmo no túmulo. Ninguém Vos calou a boca e Vós vencestes o poder do dinheiro, da lei escrita, da sociedade hipócrita e da morte.

Não fostes domesticado, nem reduzido pela tentação do deserto infértil, que Vos ofereceu riquezas, glórias terrenas e poder temporal sobre todos os reinos deste mundo. Sois valente, justo, gentil, magnífico. Sois piedoso, mas jamais fostes fraco. Sois benigno, mas jamais fostes inseguro. Sois magnânimo e generoso, mas jamais Vos enganaram com adulações ou com falsas interpretações da Palavra de Deus. A letra mata, mas Vosso Espírito a vivifica. A letra enforca e queima, e já enforcou e queimou muitos ao longo da história, mas Vosso Espírito sobre ela a torna motivo de união, nunca de afastamento e guerra.

Todos aqueles que debocharam e satirizaram impiedosamente de Vós, pregando Vossas mãos e Vossos pés no madeiro, creram que Vos venciam, que Vos subjugavam… Pobres coitados, ilusão das ilusões, era tudo mentira; e o diabo é pai da mentira, tal qual nos ensinou Vosso fiel servo João Evangelista. Eles se iludiram com a mesma mentira com que querem, hoje, debochar de mim, crucificar-me, satirizar de meus pecados e de minhas boas ações, que só Deus conhece, iludindo-se com essa mentira, que é filha do diabo.

Todos esses que acreditavam, iludidos pela mentira, que Vos venciam estão hoje escritos nos livros de história como “centuriões”, “soldados”, “traidores”, “hipócritas”, “mercadores”, “sacerdotes”, “doutores da lei”. Mas os que Vos seguiram, apesar de remarem convosco contra a correnteza de toda uma sociedade construída sobre discriminação e hipocrisia, estes têm seus nomes escritos no Livro da Vida não com o cargo ou com o ato que praticavam, mas com o Nome que Deus lhes deu: Jesus, Maria, José, Joana, Pedro, Tiago, Bartolomeu, Paulo, Francisco, Antônio…

Vós, Senhor, que fostes tão chicoteado quanto eu, tão humilhado quanto eu, tão coroado de espinhos e chacoteado quanto eu, tão ridicularizado pela soberba quanto eu, tão crucificado em praça pública quanto eu, Vós conheceis completamente meus sofrimentos e o poder de minhas chagas abertas em sangue.

Se há alguém cujas pegadas quero imitar do início ao fim de minha jornada, este alguém é tu, Jesus de Nazaré, Jesus do Rio de Janeiro, Jesus de Lisboa, Jesus de Salvador, Jesus de Luanda, Jesus da favela, Jesus das casas onde se ensina o amor, somente tu, meu juiz, meu irmão, amigo meu, pródigo filho de todo o meu amor, meu companheiro.

Tu revogaste as leis iníquas e preconceituosas de um tempo e de TODOS os tempos, e és capaz de revogar até a própria morte. Somente em tuas mãos, portanto, quero colocar minha vida, só em ti eu confio: sou todo teu e de ninguém mais; não ousem me tocar em teu nome, porque, mais do que teu nome, trago em meu coração teu corpo e teu amor, que me salvam, que me absolvem e me iluminam e saciam, e que estão dentro e acima de mim. Ontem, hoje e sempre. Porque se eras assim, Senhor, continuas exatamente o mesmo de todos os tempos. Não mudas, não te venderias, hoje, ao mesmo sistema hipócrita e farisaico que te crucificou. Tal ciência é grandiosa: não alcanço de tão alta.

Vejo, em minha pequenez, a tua face de Luz em todos. Não há uma só pessoa para quem eu olhe ou que eu toque com minhas mãos, apesar de todas as minhas muitas e incontáveis faltas, que não traga na pele o calor da tua alegria e da celebração de teu amor, pelo qual sempre viverei.

Tua felicidade é meu ar. Não posso viver sem.

Por isso, além de pecador, sou gay.

Amém.

BLOG CATÓLICO CENSURA BENJAMIN BEE

23/09/2010

 

O internauta Benjamin Bee apresentou um comentário num post aberto por um blog católico, com o intuito de completar a informação veiculada e aguardou a moderação assim:

Foi censurado e ficou assim: 

http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/16393-a-divulgacao-de-suicidios-na-midia-estimula-novos-casos-ou-os-previne#comment-6799 

O que pensar quando as igrejas defendem a liberdade de expressão? 

ARGENTINA!!!!!!!!!!!

15/07/2010


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