Archive for the ‘Apresentações’ Category

XEQUE MATE

27/03/2012

A homossexualidade não pode influenciar o outro porque é inata.

– Não! É escolha!

Na hipótese de escolha:
1. Escolhe-se o melhor, então o melhor seria a homossexualidade implicando o fim da espécie. Portanto nesse caso não é escolha.
2. Na hipótese da homossexualidade ser melhor apenas para alguns e sendo a heterossexualidade natural nos héteros, então, ou é também natural nos homos ou é:
perversão, ou vício, ou doença, ou trauma, ou defeito genético, ou possessão demoníca.
O que é, então?

É perversão

– Não, porque milhões de pessoas em todo o mundo, em todos esses milênios não suportariam viver no opróbrio por uma tara.

É vício

– Não, porque os abstinentes são a prova de que a total abstinência não é capaz de provocar desejo pelo sexo oposto.

É doença

– Não, porque não há registros de medicina curativa também desde sempre, desde a origem da humanidade. E a OMS retirou seu status de doença porque não se enquadra na definição de doença.

É trauma

– Não, porque não há registros significativos de superação do trauma. E mesmo as tentativas de forjar tais registros fracassaram.

É defeito genético

– Não, porque não ameaça a sobrevivência do homossexual, nem a sua auto suficiência, nem o impede de alcançar a felicidade. Assim, do mesmo modo que não é doença, não é deficiência.

É possessão demoníaca

– Não, porque não há jejum, penitência e oração que desperte o desejo pelo sexo oposto.

Conclui-se que não é perversão, não é vício. não é doença, não é trauma, não é defeito genético, não é possessão demoníaca; consequentemente não é escolha nem apenas para alguns.
Se é assim, então… o que poderia ser?
É característica da natureza de certos indivíduos. É ontológico. É pré natal e pré determinado. É perfeitamente natural.

PRESIDENTA DILMA ROUSSEF

08/06/2011

 

Exma Sra.

Dilma Roussef, Presidenta da República Federativa do Brasil.

 

Entre 28 e 31 de maio último aconteceu em Lisboa o 21º Congresso da Sociedade Européia de Neurobiologia (ENS). Nele o Dr. Jerome Goldstein, diretor do San Francisco Clinical Research Center (EUA) enfatizou que “A orientação sexual NÃO É UMA QUESTÃO DE ESCOLHA, é principalmente questão neurobiológica pré natal. Existem vínculos inegáveis. Nós queremos torná-los visíveis”.

 

http://www.medicalnewstoday.com/releases/226963.php

 

Ele mencionou a pesquisa sueca da neurocientista Ivanka Savic, do Instituto Karolinska de Estocolmo e os vários estudos com gêmeos, que aliás comentei aqui  há algum tempo; tanto o trabalho sueco como o anglo-sueco da Queen Mary University of London, ambos de 2008.

 

http://www.pnas.org/content/105/27/9403.abstract?sid=319b7033-3b4e-48bc-a3db-e8dba26b1260 

http://www.qmul.ac.uk/qmul/news/newsrelease.php?news_id=1075 

 

 
E veja V. Excia que ele acrescenta: “Temos de continuar a apresentar dados que mostram as diferenças ou semelhanças entre os cérebros dos homossexuais, heterossexuais, bissexuais e pessoas trans sexo. É evidente que a base da orientação sexual está no cérebro e suas diferenças na estrutura e função cerebral, e compete à área da Neurologia”

 

O Dr. Goldstein acrescentou mais… “A neurociência tem muito a oferecer para a compreensão das origens de todas as variações da orientação sexual. A neurobiologia da orientação sexual e do cérebro gay, combinados com outros estudos hormonais, genéticos e estruturais, tem conseqüências de longo alcance para além da orientação sexual. Variadas abordagens já estão surgindo como resultado do reconhecimento das diferenças de orientação sexual e do advento da medicina de gênero específico.”

 

Repare Sra. Presidenta que ele fala em “medicina de gênero específico”. É fantástico e revolucionário.

 

É a última, mais avançada, abalizada e confiável assertiva de que a homossexualidade NÃO É OPÇÃO, é inata. Incontestável.

 

Não é doença, não é opção, é CARACTERÍSTICA INATA.

 

Na certeza de que V. Excia considerará a ciência como parâmetro para as afirmações presidenciais.

 

E pela soberania do Estado Laico.

 

 

O AMOR É O ESPÍRITO DE DEUS PRESENTE E VISÍVEL EM CADA UM DE NÓS E NO OUTRO.

29/05/2010
 
GAY CATÓLICO
 
Gay, ou GLBTTTI, é um ser humano com identidade sexual diversa da heterossexual. Esta, a identidade sexual humana dominante e hegemônica. Enquanto espécie é a única diferença.
 
Católico é o humano pertencente à religião cristã universalizada com sede na Santa Sé, o Vaticano. 

Pertinência religiosa é a filiação à uma doutrina de fé no Transcendente Absoluto, Deus.

Jesus de Nazareth, o Cristo é o Filho Unigênito de Deus.

BREVE RETROSPECTO DO BLOG GAY CATÓLICO

No Prólogo tentamos elaborar um panorama da situação dos gays católicos. Triplamente discriminados: pelos gays por serem católicos, pelos católicos por serem gays e pela sociedade heteronormativa. [02]
Contamos apenas um caso em três episódios de como um gay se torna católico a despeito da opressão gerada pela discriminação no meio. [03] , [04] , [05]
Gay nasce gay, mas escolhe ser católico. E escolhe ser católico porque, à exceção da discriminação sofrida por sua orientação sexual, é com a doutrina católica que se identifica, e nenhuma outra responde tão integralmente às suas exigências. A sua “desobediência” será analisada a posteriori. [# in comentários]
Ele entende que há um percurso para – sem perder nada – viver plenamente a sua afetividade e sexualidade. A importância do primeiro encontro, a corte, o namoro, o noivado, e finalmente o casamento que celebra na noite de núpcias. Cada um desses passos tem seu significado sem o qual não compreende a relação com o outro. [09] , [10] , [11] , [12]
Sua religiosidade é isenta de culpa porque acredita em Jesus, quando em Mateus 19, 11-12, revela só a quem é capaz de entender, que desde o ventre materno assim foi formado e que portanto está no Plano de Deus. [13]
Unidos por Deus no casamento, o mistério do Amor  – Deus –  revela-Se na fusão dos cônjuges, na experiência única, real e concreta da ininterrupta Presença do Amor entre ambos, identificando-os um no outro ao ponto de cada um ser dois e os dois… Um.  [14]
E ainda sem deixar de ser, cada um, ele mesmo. É o encontro com o Sagrado que conduz à família homoparental, à educação da prole segundo determinação divina, o envelhecimento na companhia dos seus e finalmente a dignidade da passagem para a Glória do Senhor.  [17]
 

 

“POIS ONDE DOIS OU TRÊS ESTIVEREM REUNIDOS EM MEU NOME, ALI ESTOU EU NO MEIO DELES.” Mateus 18, 20

28/03/2010

Por quê o Gay Católico está num blog e não em outro meio como um grupo de discussões, um portal, etc.?

GC – Porque é mais prático. Está aberto diretamente a todos numa URL própria sem necessidade de cadastros, porque é grátis, a navegação é amigável, sua construção e manutenção é rápida e fácil. Só tem vantagens. Um blog é o melhor recurso disponível para a publicação de opinião, conceitos, informações e idéias.  É inteiramente democrático.  Acessivel a todos e a qualquer um.

O que se pode esperar do Gay Católico?

GC – O desenvolvimento da cultura de um segmento social, o dos gays católicos.

É dirigido somente aos homossexuais masculinos?

GC – No GC o termo “gay” refere-se a todos os membros da comunidade GLBT, ou mais modernamente aos GLBTTTS. Quando se lê “gay” no Gay Católico, leia-se GLBTTTS – Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transseuais, Transgêneros, Travestis e Simpatizantes.

E como o Gay Cátolico vai se desenvolver?

GC – Como qualquer blog. Um tópico será apresentado através de um post. Um post é um assunto qualquer apresentado de qualquer forma e posto à apreciação dos leitores, ativa ou passivamente. Passivamente através da simples leitura, e ativamente através dos comentários que seus leitores queiram fazer.

Com que frequência os posts serão publicados?

GC – A intenção é publicar um novo post a cada dois ou três dias.

Quem mantém o GC e quem alimenta seu conteúdo?

GC – A manutenção será feita por um gay católico impessoalmente e será alimentado pelos próprios usuários que definirão o conteúdo a partir das suas próprias exigências manifestadas nos comentários.

Quem fará os comentários?

GC – Quem quiser, livremente, respeitando sempre o código da melhor conduta social. Qual seja: comentar argumentando com serenidade e amorosamente – a única regra do Gay Católico.

Qual o escopo do Gay Católico?

GC – A paz do católico não heterossexual em harmonia com a Igreja Católica e consigo mesmo. A paz no seu Íntimo e no Corpo de Cristo.

Sim… Gay Católico!

24/03/2010

Então ele se viu católico! Gay e católico.

O Levítico que ele já tinha lido dizia literalmente que os gays eram malignos. Mas ele sabia que não era. Quando Aquele Amor o possuiu, sua dúvidas se dissiparam de vez. Aquilo que estava nele e que o transformava em pura luz não anulava, nem sequer questionava sua convicção de que era gay porque era sua natureza. Aliás era essa sua natureza que o aproximava de Deus, do Transcendente e agora de Jesus.

Ser gay o levou a Jesus. E Jesus o levou a Igreja.

Mas a Igreja…

Um dia, quando a doutrina ia refletir o Amor, nosso GC estava radiante. Achava que naquela hora todos o compreenderiam. Mas pularam o capítulo!!! Como? Não vamos falar do Amor? Nunca um capítulo foi tirado da ordem e esse que é o mais importante de todos vai ser ignorado?

Levantou em silêncio, saiu e nunca mais voltou. E aquela comunidade se esfumaçou na sua lembrança. Sua dignidade não se permitia ser ultrajada. Não agora que o Amor era a sua Vida.

Afastou-se das comunidades religiosas sem deixar de ser católico. Sem deixar de pertencer a Igreja Santa no Amor. Porque tudo o que não é Amor não é Igreja. Tudo o que não é Amor não é Católico. E Jesus lhe deu o maior apoio. GC voltou à sua ermida e nela permaneceu a serviço solitário do Amor. Até o dia em que Ele o enviou de volta ao mundo para aprender o que faltava.

Finalmente, quando seu coração terminou de amadurar, Jesus o colocou diante de um outro. E desabaram as últimas pedras do edifício antigo e nosso gay católico chegou mais perto ainda do Mistério.

Sua busca terminara. Agora só faltava que Jesus o levasse até Deus, pessoalmente. Sua ansiedade já era coisa do passado, sua pressa também, mas não tardou para que ele O visse e finalmente O reconhecesse.

Quando a morte levou seu ente mais querido, ele viu. Ele entendeu. Quando o Amor que estava no outro se afastou com a sua morte, nosso gay católico compreendeu que se Deus é Amor então o Amor é Deus. E sendo Deus, não é sentimento, é Espírito.

Ele encontrou Deus e viu que Seu Espírito Amor está por toda a parte, nos outros em que Ele, o Amor, incorpora. Nosso Gay Católico agora vê Deus.

E foi como católico que tudo começou, então porque deixar de ser católico?

Gay Católico…

21/03/2010

 

 

Nosso gay teoricamente cristão enveredou pelo Evangelho de Jesus Cristo. Foi lá com a cara e a coragem. Precisava falar com Cristo que o levaria a Deus.

Pelas tantas ouviu dizer que Jesus havia dito que entre dois ou mais reunidos em Seu nome, então Ele lá estaria. E muitas outras coisas, tantas que nosso gay apaixonou-se intelectualmente por Jesus. Que também dissera que Dele fizessem memória.

Computou aquelas informações todas e deduziu sabiamente que deveria procurar uma igreja, que era o lugar mais óbvio e adequado para se reunir com outros em nome de Jesus. Nosso gay já havia deduzido que o cristianismo crescera a partir de Pedro, o Apóstolo, por indicação do próprio Jesus. Tornou-se uma religião universal dentro do universo conhecido pelo ocidente, e que por isso denominou-se “católica”.

Procurou e encontrou uma igreja… católica… a mais perto dele, pediu licença e entrou. Como ninguém lhe havia pedido contas de nada, foi entrando mesmo, sentando e ouviu o padre. No entanto não lhe saia da cabeça que o cristianismo era composto de outras denominações. Os ortodoxos, os protestantes, os evangélicos, tantos outros e até os rejeitados espíritas. Deu uma olhada nas razões porque o cristianismo estava assim tão pulverizado e não deu a menor importância a elas, as razões. Pareceu-lhe briga de comadres e decidiu que o catolicismo era o que tinha o cordão umbilical mais próximo da origem. Como nosso gay tinha sangue de rebelde tradicional, ou rebelde conservador como queiram; entendeu que quanto mais perto da origem, mais perto de Jesus. E sentou-se no meio dos católicos.

Como, apesar de reunidos em nome de Jesus naquela igreja, Jesus não dava as caras como prometera, nosso agora gay-católico-intelecualmente, que na verdade não tinha era ainda olhos de ver, passou a circular por outros templos católicos. Quem sabe mudando de comunidade ele talvez encontrasse uma que fosse mais agradável a Jesus e Ele então aparecesse. E andou pelas Missões, pelos beneditinos e outras, até que entrou numa que tinha um padre com uma linguagem que lhe era familiar e agradável. Esqueceu por um tempo a ansiedade de encontrar Jesus que o levaria Deus.

Uma noite… No silêncio de sua morada, foi invadido por um tênue núcleo de calor no centro do coração. Estranhou… por pouco tempo… porque o calor no seu coração disparou a crescer. Apavorou-se pensando estar sofrendo um infarto. O calor tomou todo o coração, o peito inteiro, seu corpo viu-se envolvido por um fogo que não cessava de expandir-se e intensificar-se. Impossível acostumar-se à sua temperatura porque não parava de aumentar. O fogo envolveu seu corpo, todo o espaço do seu quarto, sua casa que ficava cada vez mais quente a partir do centro do seu coração. O Inferno! E agora ela sabia porque não era possível acostumar-se ao inferno. Porque lá o calor não pára de crescer. No inferno, a temperatura é a cada instante mais elevada que no instante imediatamente anterior. Cresce sempre tendendo para ao infinito.

Repentinamente tudo cessou e a única coisa que nosso gay-católico-intelectualmente sabia dizer era: – Isso foi uma imagem do inferno. Eu não quero isso para mim! Isso eu não quero!

A vida voltou ao normal e ele continuou a frequentar àquela comunidade que o atraía, aquela que tinha um padre com um discurso bonito.

Uma outra noite… Depois de algumas horas de reunião com alguns membros dessa comunidade, já na solidão de sua morada, nosso gay-católico-intelectualmente foi abduzido. Isso mesmo, foi abduzido… literalmente. Seu espírito foi sugado por uma força incontrolável e irresistível. Uma espada de luz esquartejou-lhe o cérebro para eliminar toda sorte e resquício de impureza porque a ele seria dado o privilégio de ver! Ver o quê?

Ele foi lançado num espaço de cores luminosas, livre de qualquer sensação de desconforto ou necessidade, invadido por uma paz absoluta até onde se pode entender o Absoluto, e teve uma locução interior que lhe dizia que ali era a porta de entrada do Paraíso que lhe aguardava num futuro qualquer, mas que ainda não podia penetrar, e que aquilo que ele via era só como que um tira gosto.

Tendo retornado inexplicavelmente da abdução para o silêncio de sua morada, nosso gay-católico-intelectualmente achou que a companhia daqueles católicos de momentos antes tinha sido a responsável por aquela inesquecível, absurda, fantástica e maravilhosa viagem. E “aquilo” ele queria… Era tudo o que ele poderia querer. Foi tempos depois que ele se deu conta de que o responsável por sua abdução não foram os católicos, fora a Virgem Maria.

Coincidentemente aquela foi a última vez que os viu por um longo tempo. Foi “circunstancialmente” empurrado montanhas acima a quilômetros da tal comunidade, mas com a certeza de que já não era mais um simples gay-catolico-intelectualmente, mas um legítimo gay-católico. Viu-se então, a partir daí como um eremita, sem saber exatamente porque.

Entretanto, sua ambição de encontrar Jesus que o levaria a Deus, se não arrefecia também não o impulsionava para tentar reunir-se em nome Dele com outros católicos.

Mergulhou no trabalho, já esquecido dos católicos afortunados quando um dia, um carro chega à sua casa trazendo alguns daquele grupo e entre eles, ninguém menos do que Ele. E mau, nosso gay católico ainda não tinha olhos de ver. Mas, bom… SENTIU Sua Presença.

Confuso, atordoado com a maravilha que aportava à sua casa, confundiu alhos com bugalhos e viu-se apaixonado por um dos membros do grupo. Uma paixão pura, joanina, absolutamente livre de malícia, toda generosidade e doação. Mal sabia ele que havia sido incorporado por Jesus. Jesus veio sim… dentro dele! O Amor fazia morada em nosso gay católico.

Continua…

Gay e Católico?!

21/03/2010

O gay católico não decide que é gay, mas decide que é católico.
Ser gay não é uma escolha. Ser católico é.

Por quê decide o gay que é católico? Por que opta por uma doutrina e a defende se o magistério dela condena sua natureza homossexual?

Um caso…

Ele, longe das religiões, encontrou-se gay e viveu esse encontro. Experimentou sua sexualidade ao limite do possível, sem reservas, sem limites.

Mas tanto quanto sua orientação sexual, sua gênese era religiosa. Nasceu gay e com fé no transcendente maior. Nasceu gay e acreditando em “Deus”. Nasceu gay e crente.

Pensou o céu e a terra até os infinitos limites inferiores e superiores. Tirou conclusões e acabou só, isolado, porque considerado utópico.

Viveu anos ao deus-dará. Achou que recebeu pouco e insatisfeito resolveu tomar satisfações com “Deus”. Que audácia!

Saiu ao encontro desse Criador, que se “existisse” estaria em algum lugar. Mas onde?

Como bom pensador que era olhou o mundo dos crentes e ateus e verificou que os crentes tinham uma referência histórica, uma tradição. Seus livros sagrados. Concluiu que “Deus” poderia realmente ter-se manifestado através desses escritos e foi atrás.

Leu a Bíblia de cabo a rabo, como quem lê um jornal. Chorou muito no Velho Testamento porque não sendo judeu não teria o privilégio de conhecer “Deus”. Se este “existisse”, claro. Na verdade chorou de pena de si mesmo porque insatisfeito não via grandes perspectivas de solução para seu caso. Mas, persistente, sabendo que não tinha outra saída que não ir até o fim, ao menos na primeira fase do seu projeto, chegou ao Novo Testamento. Deu de cara com Jesus.

Surprêsa! Sua utopia estava ali sem tirar nem pôr. E o mundo que o havia rotulado de utópico? Ora, o mundo…

Havia outros livros, pelo menos dois, que faziam parte de seu projeto de busca e que não poderia deixar de olhar, ou correria o risco de tomar satisfações com a Pessoa errada. Primeiro leu o Bagavad Gita seguido pelo Alcorão.

Não restou dúvida. Para ele “Deus”, se “existisse”, apresentou-se melhor na Bíblia. Não era à toa que era famosa a Bíblia. E nesta, na sua segunda grande coleção, o Novo Testamento, um homem especialíssimo havia dito: “… se te baterem numa face, dá a outra.” Pronto. Voltou a olhar para o mundo e constatou que ninguém nunca antes havia proferido tal frase, mágica, reveladora, epifânica! Nada de Lei do Talião, nada de sensibilidade indiferente.

Dá a outra face, disse ele, Jesus de Nazareth. Então, Ecce Homo! Esse é o Homem! Porque ele foi o que foi mais longe. E ainda é.

Teoricamente, tendo esse homem afirmado que “Deus” existe, nosso gay não teve alternativa a não ser reconhecer de fato que sua fé na transcendência do Maior tinha razão de ser. Teoricamente… O modelo teórico era perfeito! Então dava para ir em frente. Ou melhor, dava para ir atrás desse Jesus, de Nazareth. Era o caminho mais seguro. Do meio de bilhões de humanos vivos e mortos, foi ele o único que disse: “Dá a outra face.”

E foi atrás, seguiu… Tornou-se cristão… teoricamente.

Continua…

PRÓLOGO

19/03/2010

Os gays não têm acesso à tranquilidade existencial porque seus direitos políticos, sociais e religiosos lhes vêm sendo negados sistematicamente pelos legisladores, estes influenciados que são pelo eleitorado majoritariamente de crentes de todas as religiões, controlados por sua vez pelos seus respectivos magistérios.

O Magistério da maior das denominações cristãs, o Católico, como o de quase todas as outras denominações cristãs, bem como o judaísmo e islamismo, ancoram-se no Levítico e no que chamam de lei natural para não reconhecer a homoafetividade. O mais insistente argumento que lhes impõe o entendimento literal de Levitico 18, 22 é que Deus criou somente o macho e a fêmea, e para que procriassem. Portanto, macho com macho é inadmissível.

Por conta disso a teologia católica, que se expressa no Catecismo Católico dá a homossexualidade como “intrinsicamente desordenada”, que é o mesmo que dizer que o homossexual é mentalmente perturbado. Em outras palavras: doente sujeito à cura.

As investigões científicas levadas a termo em 2008 por suecos e ingleses apontam com força e segurança que os sexos não são apenas os dois reconhecidos pelo formato aparente da genitália. A ciência provou ser natural a multiplicidade de gêneros. Contudo, a religião contesta, e, sem apresentar a prova em contrário.*

Dado que a prova científica é recente, o Magistério Conservador por excesso de zelo continuará fundeado onde está, na idéia de uma lei natural restritiva.

Já a teologia cristã progressista abre o entendimento da Criação. Para ela, Deus como O Criador que é, criou não só macho e fêmea, mas todas as variações entre esses extremos, e não só para procriar biológicamente mas também, e principalmente para procriar no espírito. O que não está manifestado de forma explícita no texto sagrado, mas de onde se pode subentender com clareza, inclusive sob pena de contrariar o Plano de Deus no caso de se omitir essa compreensão expandida. Significa que a teologia de ponta está mais afinada com os propósitos divinos. Os teólogos avançados enxergam melhor a grandeza maior de Deus.

Entretanto, apesar da resistência da conservadora teologia católica estar presente nos países latinos e de eleitorado católico, a justiça vem sendo paulatinamente distribuída aos gays, à revelia da Igreja e em sintonia com as civilizações mais avançadas do planeta. O que significa que a luta dos gays pela sua paz caminha inexoravelmente para a vitória.

E finalmente, por mais contraditório que possa parecer, é a ciência político-jurídica que acompanhando a vanguarda da teologia, vem desvendando o olhar para mais adiante no Mistério Divino e Seu Plano.

* Pode-se tomar conhecimento das teses científicas acima mencionadas nos seguintes links:

http://www.pnas.org/content/105/27/9403.abstract?sid=bf6e65de-7e21-4ec5-9f22-174d9383698b

http://www.eurekalert.org/pub_releases/2008-06/qmuo-hbd062608.php

http://ciudadania-express.com/2010/02/27/la-homosexualidad-predeterminada-geneticamente-ortiz-suri/

O Gay Católico voltou!

19/03/2010
 
O Gay Católico está de volta, sim… Para quem ainda lembra do “gaycatolico.com” e do grupo de discussões banido inesperadamente do YahooGroups, voltamos e agora com mais dez anos de entendimento.

O Gay Católico, para quem não sabe teve grande importância na evolução da luta pelos direitos GLBT. Nada era mais transgressivo que o gay católico nos anos 90.

Inspirado pelo Dignity, chegou ao ‘ponto com’ e até pároco tivemos. Claro que as enormes dificuldades impediram de prosseguir sua jornada à superfície, desceu então para as catacumbas.

Seus “evangelistas” dispersaram em diáspora e foram lançando, cada um à sua maneira, as sementes da idéia de que não é possivel alcançar seus legítimos direitos se a homofobia clerical e religiosa não encontrasse obstáculos à altura de seus argumentos conservadores e sectários.

Igrejas inclusivas foram criadas para amenizar a sede de comunhão dos cristãos. Mas é bom que se diga, não são católicas.

E porque ser católico?

Por que não?


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