“O PAPA É GAY!” E DAÍ? QUAL É O PROBLEMA?

 
 
 

Por Benjamin Bee

Hutton Gibson, pai quase centenário do celebrado ator e diretor cinematográfico de Hollywood Mel Gibson, afirmou recentemente em entrevista na mídia americana e divulgada por todo o mundo que o Papa Bento XVI e mais da metade do clero é gay. A afirmação não seria nada relevante se não partisse de um ancião católico conservador ortodoxo… e célebre, e ainda que se pretenda desacreditá-lo por sua avançada idade, seu discurso revela clareza de raciocínio e certa propriedade.

Mas o que importa se o Papa é ou não gay? Que diferença faz? Talvez a única diferença notável é que a afirmação revela que gays são pessoas competentes e capazes de assumir cargos da magnitude de um papado. São um bilhão e duzentos milhões de católicos sob sua batuta. Que líder isolado já teve ou tem rebanho desse tamanho? Sem mencionar a influência que possui sobre os demais cristãos perfazendo um séquito de dois bilhões de pessoas. Além disso é respeitado e admirado por quase a totalidade da população planetária. E é gay… segundo o secularmente vivido Hutton Gibson.

http://www.tmz.com/2010/08/09/mel-gibson-dad-hutton-gibson-pope-benedict-a-homosexual-political-cesspool-radio/ 



H. Gibson também afirmou que mais da metade do clero católico é composta por homossexuais. A própria base da Igreja católica reconhece essa afirmação como legítima se observada a intuição dos seus membros. E com razão, já que a própria metodologia de arregimentação do clero católico leva à essa conclusão.

 

 
O celibato, estratégia clerical para manter o patrimônio físico da Igreja sob o poder dos cardeais, e a prescrição 2357 no atual Catecismo Católico, prescrição continuada da interpretação literal das afirmações do líder judeu Moisés há cerca de 6 mil anos, que impede a formação de família pelos homossexuais, não deixou aos gays outra alternativa que o ingresso nos quadros profissionais da Igreja na função de padre, monges e outros consagrados. São estes por sua vez, os que fazem a ponte entre o povo leigo e a cúpula purpurada da Igreja.
Mais da metade dos celibatários religiosos da igreja são gays… segundo Gibson e o senso comum. Mas quanto é mais que a metade? Não seria absurdo pensar em 80 ou 85%. E qual o significado desse número?
Simples. O que seria da Igreja não fossem os gays? A resposta é…
– Não haveria padres o suficiente para dar conta de administrar o rebanho, ou o celibato clerical não seria viável; e não sendo possível o celibato clerical, outros interessados no patrimônio material da Igreja reivindicariam participação na capitalização dos recursos necessários para manter a gigantesca estrutura católica. A Igreja como se conhece hoje seria inviável. Não haveria Igreja desse tamanho.

A conclusão imediata dessa análise tão simples quanto lógica é que a Igreja existe como a conhecemos porque os gays a construíram e a mantiveram. Até hoje.

Nem todos os papas da Igreja foram gays. Mas muitos foram. Nem tampouco é difícil suspeitar da homossexualidade de tantos dos que foram fotografados após o advento da fotografia. Um gay conhece outro gay pelo olhar. Os retratados antes do aparecimento da fotografia não podem ser alvo dessa “especulação” porque a mão dos pintores altera o olhar e a realidade como não o faz a fotografia.

O clero é gay, sim. Hutton Gibson tem razão. Esconder ou ignorar essa realidade é embaçar a verdade.

A crise vivida hoje pela Igreja Católica não é da Igreja propriamente dita, é da alta hierarquia e principalmente do poder leigo que a controla. Seu poder econômico chegou ao princípio do fim.

Sabendo disso, as denominações mais poderosas, controladas por heterossexuais, temem perder o patrimônio que administram, e hoje o que fazem nada mais é que lutar para que este patrimônio não se pulverize nas mãos das famílias de clérigos que virão com o fim do celibato. O celibato clerical conhece nestes dias seu canto do cisne porque os homossexuais soltam suas cadeias em velocidade exponencial. Já não mais precisam recolher-se às sacristias, mosteiros e púlpitos. E é por isso que o poder vigente se opõe aos avanços político-jurídico-cultural dos homossexuais. Porque querem mantê-los na escravidão moralista dentro das igrejas. É o poder sem saída. Sem gays só será possível manter o rebanho com o fim do celibato, e com o fim deste a arrecadação não será suficiente para manter no poder os que dele desfrutaram até hoje.

Os ataques à libertação gay se acirram e os católicos nem se opuseram aliar-se às confissões não católicas, porque também a estas interessa a escravatura gay. Não há celibato nessas confissões, e quando o celibato católico cair também elas estarão ameaçadas, com alto risco de desaparecerem dada a tradição da Igreja Católica. Então, aos protestantes, evangélicos e outros, libertar os gays será o mesmo que derrubar celibato católico e aprofundar a competição entre eles, católicos e não católicos, com desvantagem para estes últimos.

Nessa guerra de ganâncias quem vem pagando a conta ainda são os não heterossexuais.

Mas não por muito tempo.

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15 Respostas to ““O PAPA É GAY!” E DAÍ? QUAL É O PROBLEMA?”

  1. anderson Says:

    Boa tarde estou passando para elogia o seu trabalho, que é muito bom o conteúdo, matérias exclusiva, e convido a participar do meu blog e também das enquetes que será um prazer imenso .
    http://estudobiblicoemfoco.blogspot.com

  2. “O PAPA É GAY!” (via Gay Católico) « Subvertendo Convenções Says:

    […]   Por Benjamin Bee Huttgon Gibson, pai quase centenário do celebrado ator e diretor cinematográfico de Hollywood Mel Gibson afirmou recentemente em entrevista na mídia americana e divulgada por todo o mundo que o Papa Bento XVI e mais da metade do clero é gay. A afirmação não seria nada relevante se não partisse de um ancião católico conservador ortodoxo… e célebre, e ainda que se pretenda desacreditá-lo por sua avançada idade, seu discurso rev … Read More […]

    • Benjamin Bee Says:

      Valeu, Kiko!

      A notícia foi publica na midia em geral mas só agora comentei. Não quis fazer o UP antes de esfriar a notícia, senão não teria graça, né não?

  3. Arthur - HoJE Says:

    Sigo na linha de citação adotada pelo Kiko…

    “… aos protestantes, evangélicos e outros, libertar os gays será o mesmo que derrubar celibato católico e aprofundar a competição entre eles, católicos e não católicos, com desvantagem para estes últimos.

    Nessa guerra de ganâncias quem vem pagando a conta ainda são os não heterossexuais. …”

    ‘Eureka’?
    Este é um ângulo bem interessante sobre o tema!

  4. Dan Sollis Says:

    Eu discordo de um ponto. As Igrejas Evangélicas não correm o risco de desaparecer. Elas já vivem de uma estrutura sem celibato. E têm provado que são possíveis de manter-se em pé a partir da regência de um lider carismático (líderes dos grupos neopentecostais). A própria fragmentação dos evangélicos em diversos grupos é um sinal do que poderia acontecer aos católicos, que mantém a grande unidade administrativa a partir do não casamento de seus sacerdotes. Com o fim dessa estrutura, o dinheiro não escoaria totalmente para o Vaticano e teria de ser repartido, o que causaria a divisão da igreja. Bem, apenas uma das teses do que penso que pode acontecer ao catolicismo.

    • Benjamin Bee Says:

      Dan, mas é justamente porque elas vivem de uma estrutura sem celibato que as neopentecostais não querem uma Igreja Católica nas mesmas condições. Também é verdade que essas novas denominações atraem fiéis com a promessa de ganhos materiais, doutrina sustentável enquanto houver pobreza dolorosa. Quanto esta acabar o que acontecerá com a teologia da prosperidade?

  5. John Desotto Says:

    Homossexualidade não é projeto nem de Deus,nem da Natureza.Se fosse,nós não estaríamos aquí,pois não haveria casais para procriar. Sexo anal é sujo,imoral e absurdio mesmo com mulheres.É um desrespeito à mulher e a dignidade humana. O pênis foi feito para a vagina,não para ser metido em um orificio imundo!

  6. Davi Suleiman Says:

    Eu não gay,mas respeito que tem essa escolha

  7. Antonio fabrizzio Says:

    “Mas o que importa se o Papa é ou não gay? Que diferença faz?” A diferença é que é uma PUTA hipocrisia, um BAITA cinismo o cara ser gay e ficar fazendo discursinho homofóbico!!! Essa é a diferença!

  8. Fabiane Says:

    Olá! Você tem alguma fonte fidedigna dessa afirmação de que 50% do clero católico pode ser gay? Fiquei curiosa.

    • gaycatolico Says:

      Demorei para responder mas aqui estou. Não, Fabiane. Não há dados estatísticos irrefutáveis. Mas é senso comum. Pessoalmente acredito que o clero é não só majoritariamente gay, mas muito provavelmente quase totalmente gay. As batinas heterossexuais tornaram-se raridade. E quando acontece, não raro escapam à castidade prometida.

      É de se lamentar tudo isso. É de se lamentar que gays busquem o celibato clerical para fugir à tentação de “cair em pecado”, e é também lamentável que os que se fazem eunucos por amor do Reino, esqueçam-se desse amor.

      Agora, o fato de serem gays não significa que não sejam castos e nao tenham direito a usar a batina.

      A afirmação do pai de Mel Gibson é afirmação de um heterossexual católico conservador idoso e lúcido, e muito dedicado à igreja. É pessoa que conhece a igreja profundamente, e relaciona-se com quem também conhece. Ele não faria a afirmação que fez apenas para detratar o clero. Disse-o com conhecimento de causa.

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