DOIS EM UM

MAPA 2 – A SEXUALIDADE DOS CÔNJUGES GAYS

DOIS EM UM SÓ CORPO

E eu te vejo dentro de mim e tu me vês dentro de ti.

Eu me vejo com os teus olhos e tu te vês com os meus.

Eu te vejo com os teus olhos e tu me vês com os meus.

Já não sabemos quem é um e quem é o outro,

mas sabemos que somos Um e um novo mistério.

Quem já não experimentou a delícia que é sentir o amado dentro de si mesmo? Não se trata aqui de penetração sexual. Trata-se de incorporação mesmo. Lúcida. Melhor dizendo: translúcida.

O célebre verso da canção que diz: “I’ve got you under my skin”, não é uma imagem poética. É uma sensação real e concreta.

É como se o amado nos incorporasse. Como se penetrasse nosso soma, e nossos pensamentos e emoções são os dele.

Mesmo longe está tão perto de nós quanto perto é dentro de nós mesmos.

Mais do que um estado alterado da consciência é a transcendência da consciência.

Seu corpo invisível mas sensível encaixa-se no nosso, e sentimos em nós o jeito de ser do nosso amado.

A experiência só é possível no Amor ao outro. Amor Verdadeiro.

Quando a entrega de si mesmo ao outro é plena, este outro se nos incorpora. E passamos a ser ele sem deixarmos de ser nós mesmos. É o Amor. É o casamento. É a fusão de dois em um. É o novo ser. O Um de dois. Dois num só corpo.

O que está descrito acima não é poesia, é fato, é real, é concreto. Esse é o significado de um só corpo no casamento entre dois que se amam verdadeiramente. Quando o Amor é entre dois, é assim que Ele se manifesta. É assim que Ele opera.

Nessa fusão, a Presença divina é sentida na pele, no cérebro, na alma. É a Graça. É o Estado de Graça

E assim segue o casal gay católico na união verdadeira no Amor. Nesse novo corpo que nasceu na noite de núpcias, começa a crescer na manhã seguinte e inicia sua jornada no Caminho. Porque é cristão. E é católico.

Por isso o que Deus uniu o Homem não separa. Porque separar significa matar essa Nova Pessoa.

Jesus é tão ou mais presente nesse casal que em encontros “em nome Dele” carregados de retórica.

Talvez a maior virtude que se segue desse encontro, porque pleno de felicidade no Amor, é a generosidade abundante. Quem ama e é correspondido, melhor dizendo, o Um quem tem o Amor em si pelo Outro e tem o Amor no Outro pelo Um, não olha para o pecado nos outros. Olha, exclusivamente para a Santidade ao seu redor. Está tão compenetrado no serviço à santidade que não tem tempo para apontar o pecado.

É assim o casal gay católico. Positivo. Faz campanha da Luz, do que é Santo, do que é agradável a Deus. Não critica, não julga, não pressiona, não exige que os outros sejam santos, apenas espera que os outros sintam a santa inveja dos que “se amam”. Inveja que se for santa fará com que se busque a mesma santidade. É a evangelização por osmose e não por decreto.

Estão livres em Cristo. E nada, nada poderá obstruir sua caminhada na direção e sentido do Supremo. A subida é íngreme mas um sustenta o outro, cantando. E Jesus no meio dos dois, e Jesus dentro do Dois que agora é Um. E Jesus com eles.

A vida sexual do casal gay católico é ativa e é sem culpa. Porque sabem que aqueles que julgam essa relação o fazem a partir de ensinamentos que receberam dos homens suscetíveis à incompreensão. E o casal GC não os culpa por isso. Não interessa atribuir culpa a ninguém. É um desperdício de tempo e de emoção. É um consumo de energia da qual não se podem privar porque deverão armazená-la para as necessidades espirituais de sua família, dos seus filhos e da família dos santos. E para o próprio bem estar de todos, inclusive daqueles que os atacam, estes consumidos que estão pela xenofobia, pelo terror do novo, do original, do inédito ainda que genuíno.

E o conhecimento do corpo de Um do Outro cresce continuamente. E a cada degrau sua alegria só faz aumentar, a cada dia seu prazer de estarem juntos aumenta sem solução de continuidade. Um conhecimento que cresce continuamente sem a menor expectativa de cessar. E guardam esse conhecimento, essa sabedoria com zelo porque seus herdeiros virão e herdarão esse conhecimento como herdarão o Reino de Deus.

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11 Respostas to “DOIS EM UM”

  1. Silva Says:

    Por muito tempo, eu tive vergonha de mim mesmo, por muito tempo, durante 5 anos da minha vida, eu vivi na igreja tentando me curar, mas hoje, Graças a Deus, eu me aceito, me amo e eu tenho Certeza que Deusm e ama do jeito que eu sou, e graçar a Deus eu pude e estou experimentando pela primeira vez um namoro, tenho 19 anos, nunca tinha esperimentado um beijo, mas hoje Deus te me abençoado muito. E aqueles passarem por aqui, e não conseguirem entender o que é ser feliz, precisa conversar um pouco comigo para entender que a homossexualidade não pode nem ser espinho nem estigma, porque para Deus, o que mais importa não é se somos homossexuais ou se somos heterossexuais, mas o que podemos fazer com a nossa sexualidade e há sim, uma forma de viver e conquistar respeito dignidade e confiança das pessoas, Deus Abençoe a Todos, curtam os textos que são bacanas

  2. Everth Queiroz Oliveira Says:

    Transcrevendo o que lhe mandei por e-mail, conforme me pediu:

    * * *

    Meu caro,

    Paz de Nosso Senhor!

    Especificamente em um post sobre A sexualidade dos cônjuges gays, lê-se muito, mas o mais importante não consegui ler. Não li, p. ex., em momento nenhum, que é preciso que os homossexuais vivam a castidade; também não li que a relação homossexual é um pecado terrível contra Deus.

    Meu caro, para não criar confusão na cabeça das pessoas, se quiseres manter esse nome no seu blog – Gay Católico -, deverias ser fiel ao que está no Catecismo da Igreja:

    CASTIDADE E HOMOSSEXUALIDADE

    2357 A homossexualidade designa as relações entre homens ou mulheres, que experimentam uma atracção sexual exclusiva ou predominante para pessoas do mesmo sexo. Tem-se revestido de formas muito variadas, através dos séculos e das culturas. A sua génese psíquica continua em grande parte por explicar. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves (103) a Tradição sempre declarou que «os actos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados» (104). São contrários à lei natural, fecham o acto sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afectiva sexual, não podem, em caso algum, ser aprovados.

    2358. Um número considerável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas. Esta propensão, objectivamente desordenada, constitui, para a maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição.

    2359. As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, e, às vezes, pelo apoio duma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.

    Escrevo-lhe em Cristo.

    Salve Maria Santíssima!

  3. Benjamin Bee Says:

    Obrigado, Everth

    Como esse é o ponto crucial dos nossos “conflitos” é preciso que seja discutido em público e em aberto para que todos tomem conhecimento. A transparência no trato de questões delicadas é um dos principais objetivos do Gay Católico.

    E pela mesma razão, responderei em seguida, com calma. Peço que aguarde um pouquinho.

    Benjamin

  4. gaycatolico Says:

    Importante discussão pública leiga católica, i. e. com a participação – não exclusiva – de leigos católicos ou não, sobre a questão chave:

    A Sexualidade dos Não Heterossexuais.

    Mais precisamente dos homossexuais.

    Todas as manifestações que aqui chegarem: argumentos e contra argumentos, teses e antíteses; serão aqui publicadas para a avaliação dos leitores, fiéis ou não, no sentido de esmiuçar e esclarecer as posições a favor, contra ou ambíguas. Para que se aproxime à compreensão dessas duas perspectivas antagônicas: a da Congregação para a Doutrina da Fé, e a da comunidade GLBT católica.

    A moderação no blog Gay Católico será feita pelo owner gaycatolico, e só ocorrerá quando a linguagem for ofensiva contra quem quer que seja. Entender-se-á por linguagem ofensiva, toda manifestação explícita ou implicita de “bulling” intelectual. Moderação essa que não só irá proteger os atacados como também os atacantes.

    Não é de se esperar vitoriosos uns sobre os outros, mas vitoriosos todos em Cristo.

    Lembramos que a blogosfera é um espaço de manifestação pública que ficará gravada para a consulta futura de todos quantos nela circularem. As posições e a linguagem dos manifestantes poderá ser lida pelas gerações que virão, dos filhos e netos de todos aqueles que emitirem suas opiniões e que das discussões participarem ativamente, e muito principalmente de todos que um dia buscarão encontrar na internet respostas às suas inquietações.

    E sempre, em todos os momentos, em cada letra digitada e publicada, aqui estaremos reunidos em nome de Jesus Cristo.

    “POIS ONDE DOIS OU TRÊS ESTIVEREM REUNIDOS EM MEU NOME, ALI ESTOU EU NO MEIO DELES.” Mateus 18, 20

  5. Benjamin Bee Says:

    Everth

    Antes de entrar na discussão propriamente dita, eu gostaria de tentar explicar porque se é católico hoje no mundo.

    Por que se é cristão? Porque se tem Cristo como filho unigênito de Deus.

    As inúmeras filiações, denominações e doutrinas em Cristo diferem entre si. A partir de um determinado momento histórico a Igreja começou a pulverizar-se por conta de desentendimentos quanto à doutrina. Desentendimentos que aqui são detalhes e dizem respeito exclusivamente à cada filiação.

    Os católicos, gays ou não, fizeram a opção pelo catolicismo, e filiar-se à uma igreja é uma questão de opção. Uma IDENTIDADE com a sua doutrina, que pode ser absoluta ou não.

    Mesmo nos variados carismas católicos: Opus Dei, Renovação Carismática, Comunhão e Libertação, etc. existem diferenças, que nesses casos poderíamos defini-las como estilos, mas que são importantes para um católico decidir onde participará da EUCARISTIA.

    Um cristão que não afina ABSOLUTAMENTE com qualquer doutrina, buscará aquela que esteja mais próxima da sua compreensão do que é ser cristão, buscará aquela que lhe é relativamente mais cognoscível. Ele não tem outra alternativa.

    É de se salientar que RELIGIÃO é e sempre será um modelo de “religare”. Um modelo inapelavelmente sempre construído dentro de cada indivíduo que lhe permite expressar sua fé em Deus e com Ele se comunicar. Esse modelo individual varia de cultura para cultura. As culturas não evangelizadas não têm Cristo como seu Deus, mas por isso mesmo, porque não evangelizadas, não podem ser alvo de condenação. Antes, em se não tendo sido ATINGIDA, a responsabilidade dessa não evangelização é dos cristãos. Por isso que condenar qualquer religião não cristã é condenar-se. Do mesmo modo dentro do cristianismo, dentro das diversas denominações e dentro dos diversos carismas.

    Um católico, gay ou não, excluida a sua orientação sexual, é católico porque a doutrina católica preenche TODAS as suas necessidades doutrinárias. E só a doutrina católica preenche suas exigências religiosas. Por exemplo: os símbolos religiosos católicos, as imagens de veneração, são caros para um católico, gay ou não. É só um exemplo. Poderíamos também citar os DOGMAS do catolicismo. Há outros exemplos que não caberiam aqui se fôssemos elencá-los.

    Isto é essencial e imprescindível para a escolha do modelo religioso católico.

    Se até aqui, você concordar comigo, poderemos passar para o próximo patamar da nossa discussão que é a questão da obediência e do Catecismo Católico.

    Benjamin

  6. ENDIM MAWESS Says:

    BELISSIMO TEXTO, MEU PRIMEIRO ACESSO NO SEU BLOG E SÓ AGORA REPAREI QUE FALTAVA MESMO UM BLOG COM ESSE TEMA GAY CATOLICO

    • Benjamin Bee Says:

      Endim

      Seja benvindo.

      Há cerca de dez anos atrás não havia blog, mas o Gay Catolico chegou a ter um largo grupo de discussão no Yahoo! que foi deletado pelo host sem aviso prévio. Homofobia. Perdemos todos os dados. Depois, tivemos o gaycatolico.com, um domínio exclusivo que também foi vítima de hackers. Novamente homofobia e novamente perdemos tudo.

      Agora, com mais maturidade, conhecimento, mais informação científica, e mais abertura à questão homossexual, voltamos como blog que também é ferramenta mais acessível.

      Acompanhe-nos e participe dele. É um espaço democrático como deve de ser qualquer blog, porque só assim conheceremos parte da toda a Verdade e toda a verdade.

      Vai ser uma alegria ter você por aqui.

  7. CASAMENTO, FAMÍLIA, VELHICE E MORTE « Gay Católico Says:

    […] gays católicos só podem casar nas catacumbas. E não podem ainda, por tempo indeterminado, publicar a sua […]

  8. O AMOR É O ESPÍRITO DE DEUS PRESENTE E VISÍVEL EM CADA UM DE NÓS E NO OUTRO. « Gay Católico Says:

    […] às suas exigências. A sua “desobediência” será analisada a posteriori. [# in comentários] Ele entende que há um percurso para – sem perder nada – viver plenamente a sua […]

  9. Ewerton Says:

    Pow! Adorei o site…
    Fala de homossexualismo sem vulgaridades e tal! Mostra de uma forma bem romantica e sexy amor entre pessoas do mesmo sexo… Legal mesmo!

    • gaycatolico Says:

      Ewerton

      Não posso deixar de fazer apenas uma correção de termo. Não se usa mais o termo “homossexualismo” porque denota doença e a homossexualidade não é doença. A Organização Mundial de Saúde há muitos anos definiu as relações entre pessoas do mesmo sexo como não sendo doença, Retirou da lista das patologias. Isso vale para o mundo todo embora, muitas mentes atávicas ainda insistem em considerar doença para poderem com isso evitar distribuir direitos inalienáveis aos homossexuais, por puro preconceito.

      Agradecemos sua visita ao site e esperamos que ele possa ser-lhe útil no sentido de revelar esse aspecto da diversidade sexual. E inclusive que o site possa ser mais um instrumento para nossos leitores em geral, héteros, bissexuais ou homossexuais que pretendem estar do lado certo da História considerando os Direitos LGBTs como Direitos Humanos que são, do mesmo modo que os Direitos Humanos são Direitos LGBTs.

      Direitos Humanos são do interesse de todos e qualquer um porque os próprios direitos dependem dos direitos do outro.

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