A SEXUALIDADE DOS CÔNJUGES GAYS

MAPA 2 – A SEXUALIDADE DOS CÔNJUGES GAYS 

I

Dois homossexuais católicos, unidos no amor e vivendo maritalmente, partilhando o leito e neste mantendo relações sexuais como um casal heterossexual, e com o conhecimento público dessa relação nesses termos. Alguém já viu um?

É sobre a sexualidade destes que se pretende aqui e agora arriscar uma abordagem.

Até o presente momento, por óbvio, não se tem notícia de um casal nessa situação, portanto só uma visão idealizada é passível de enfoque. Mas é importante que se a registre porque assegura, no mínimo, uma comparação com a vida sexual de um casal católico heterossexual, a quem este registro também há de beneficiar. Com a vantagem de que aqui se poderá abrir a porta de um aposento onde o pejo não entra.

A sexualidade no mundo católico, mesmo de um casal sacramentado, é ainda um tabu.

E a consequência desse tabu é tudo o que já se conhece em termos de sexo na sociedade humana. Sexo que vai do “sexo coisa” até toda a sorte de perversão sexual.

Como o calouro, ou mesmo o veterano do sexo não tem referência do que é sexo espiritualizado porque a sexualidade dos pais, ou do Outro, nunca é assunto das rodas familiares ou outras, e, como tudo o que se sabe a respeito da espiritualidade no sexo católico é sugerido exatamente pelos abstinentes sexuais, os padres, e sempre através de uma retórica ininteligível; aos jovens e adultos resta a tentativa de encontrar nas manifestações artísticas, alguma coisa que possa remetê-los à uma vaga idéia do que é sexo pleno, sexo espírito e carne.

O sexo encontrado na arte de boa qualidade não deixa de ser uma vaga analogia do sexo de atitude. Mas vaga, muito vaga.

A única referência católica é o livro bíblico O Cântigo dos Cânticos. Uma boa iniciação haveria de começar por ele. Mas é preciso ir além, muito além para não se reduzir o sexo apenas a um evento poético carnal. Já não é o “sexo coisa”, mas também não é o “sexo santo”.

E não há kama sutra que dê conta do recado.

[O AMOR entre os cônjuges]

Para se alcançar os limites superiores do sexo é necessario antes de tudo e primordialmente: desvendar, revelar, descobrir a mais absoluta verdade do significado e conteúdo da palavra Amor.

Não se considera o casamento, a união, o matrimônio sem a presença do Amor. Não se considera a vida sem Essa presença.

O senso comum e o incomum considera que Deus é Amor. E é o que dizem as Sagradas Escrituras.

Como não se pode atribuir a Deus um valor menor que Ele e nem maior, resulta que o Amor é Deus.

Sendo Deus, Espírito, então o Amor é Espírito.

Logo, o Amor é Espírito e não é um sentimento. Até porque sentimento é atributo dos homens e não atributo de Deus.

O Amor não é um sentimento.

O Amor é Espírito.

E é o Espírito de Deus.

Assim, não existe amor humano. Nem de pai, nem de mãe, nem de filho, nem de amante, nem de amigo, nem qualquer outro tipo de amor que se possa imaginar.

Porque o Amor é Deus e é único. E é Espírito.

Mesmo a catolicidade não vê assim, nunca viu. Até a catolicidade fala em amor humano. Que não existe.

Porque o Amor é Único e é Deus.

Quando se diz: “eu te amo”, só o que se pode entender e perceber é que o Espírito Amor incorporou o amante e o faz tender à pessoa amada. O que se deve entender e perceber é a Presença de Deus no amante.

Assim, entre duas pessoas que se amam, o que se vê não é um sentimento que une essas pessoas. O que se vê ou sente, mesmo sem a consciência que se realizaria na carne, é infinitamente maior, é a Presença de Deus entre os amantes.

É Deus e é Visível! Ainda que como por um espelho de cobre polido dos antigos tempos de São João. A imagem perceptível mas sem a perfeita definição. Definição que só cresce à medida em que a vivência aplaina e alisa na incessante manufatura do espelho perfeito, cujo climax de perfeição é só quando da Parusia.

Desse entendimento dessa palavra é que se pode dar início à reflexão da sexualidade entre cônjuges.

Quando duas pessoas formam um casal legítimo, a Presença de Deus está entre os cônjuges. É Deus Presente.

Quando um par se une formando um verdadeiro casal, será sempre um casal do tipo que ao acordar cada manhã um ao lado do outro, no estupor da surprêsa contínua e sempre renovável… a cada manhã… um diz ao outro: “Olha! Veja! Somos um casal! Eu te amo como nunca antes e tanto quanto a mim mesmo como nunca me amei…”.

É um par de humanos que recebeu entre os dois a graça da Presença do Senhor, Criador de tudo. Uma Presença que vive com eles ininterruptamente. E que dorme com eles. E que os transforma dois em um.

É sobre a sexualidade e o sexo desse casal o objeto deste post. Que não pode esgotar-se aqui. Só se completa no leito e no coração dos cônjuges amantes.

Como o sexo entre dois não se restringe às quatro paredes de uma alcova, antes, começa com a chegada de Deus entre eles e só termina com a Sua retirada, que nem a morte temporal de um dos cônjuges é capaz de cessar, é na Chegada que se dá… o Primeiro Toque.

O Primeiro Toque.

O Senhor vem e como quem diz, e a respeito de Um:

– Este corpo me pertence, é do meu agrado, é um templo meu, farei neste felizardo minha morada.

E a respeito do Outro:

– Do mesmo modo, aquele outro que alí está também me pertence, também é do meu agrado, também é meu templo e também farei naquele não menos feliz a minha morada.

E a respeito do Um e do Outro:

– Agora, vai Um! Olha ali aquele Outro e veja o que será a Beleza ao teu alcance. E não desvie daquele Outro o teu olhar nem por um instante porque estás prestes a Me conhecer.

E o Um, numa hipnose não consentida, antes… assaltado… o Um percebe, sente uma Presença infinita e irresistivelmente imantada. E mergulha no que se poderia confundir com um estado alterado da consciência. Que até é uma alteração da consciência mas no sentido de que esta deu um enorme salto qualitativo, por primeiro com a Presença em si mesmo e depois com o sentimento Dessa Presença num Outro.

Do mesmo modo, o Senhor no Outro. E do mesmo modo o Outro na direção e sentido do Um. 

É o Primeiro Toque, o primeiro encontro do olhar. É o que o senso comum chama de “amor à primeira vista” que só é dado experimentar a aquele que está aberto e acredita.

O Primeiro Toque. Um estremecimento. Uma suspensão. Um inspirar sem expirar. Um salto no abismo sem mergulhar. Uma simples troca de olhar e o proscênio se abre por detrás do Um e do Outro, e ambos descortinam uma vastidão jamais vista ou sequer possível de ser imaginada. Vastidão em hora ainda enevoada e iluminada pela primeira luz. O primeiríssimo instante do Primeiro Toque, no espaço sem chão… no ar.

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3 Respostas to “A SEXUALIDADE DOS CÔNJUGES GAYS”

  1. Lucas Says:

    Boa Tarde!

    Muito bom esse blog!
    Parabens para os criadores, ja li quase todas as materias, continuem assim

    Que Deus continuem iluminando os que promoveram essa iniciativa

  2. Benjamin Bee Says:

    É isso, Lucas! Ler tudo o que puder para compreender o conceito do blog e participar da sua construção.

    O Gay Católico já foi um expressão importante dessa realidade há uns dez anos. Naquela altura fomos banidos do YahooGroups sem explicações e vítimas de hackers no gaycatólico.com

    Sim, chegamos a ter um domínio.com na web. Era um site muito bonito. Tinha até capela e pároco. A capela era virtual mas o padre era real. Ele tinha que se proteger num pseudônimo mas prestou um extraordinário serviço a todos.

    Infelizmente nossa lista de endereços eletrônicos se perdeu, mas quem viveu conosco aqueles tempos há de voltar.

    Tivemos que parar por todo esse tempo mas não foi em vão. Aprimoramos a visão da nossa realidade e agora estamos perfeitamente prontos para dá-la a conhecer na sua melhor forma.

    Temos a certeza de que os gays católicos, ao menos os de língua portuguesa voltarão a se reunir aqui e com muito mais intensidade.

    E precisaremos de todo o apoio e ajuda moral e intelectual para levarmos aos mais necessitados de compreensão, nosso alento e a certeza de que não estamos mais sozinhos. E quem nos acompanha é a melhor das companhias… Jesus.

  3. O AMOR É O ESPÍRITO DE DEUS PRESENTE E VISÍVEL EM CADA UM DE NÓS E NO OUTRO. « Gay Católico Says:

    […] Cada um desses passos tem seu significado sem o qual não compreende a relação com o outro. [09] , [10] , [11] , [12] Sua religiosidade é isenta de culpa porque acredita em Jesus, quando em […]

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