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FLASHBACK

30/04/2010

FLASHBACK

 

No PRÓLOGO  do nosso blog apresentamos links para dois trabalhos científicos que remetem à evidência de que a homossexualidade é genética e, ou, resultante de fatores intra uterino.

Jesus Cristo, Nosso Senhor, já afirmava isso. Nasce-se gay. PALAVRA DO SENHOR.

Quem documenta essa verdade, essa afirmação, é o Apóstolo Mateus em

MATEUS 19, 11-12

¹¹Ele acrescentou: “Nem todos são capazes de compreender essa palavra, mas só aqueles a quem é concedido. ¹²Com efeito, há eunucos que nasceram assim, desde o ventre materno. E há eunucos que foram feitos eunucos pelos homens. E há eunucos que se fizeram eunucos por causa do Reino dos Céus. Quem tiver capacidade para compreender, compreenda!”

Se você leitor, me permitir, vou colocar aqui meu raciocínio. Simples, sem dúvida, e sem a menor pesquisa ou perspectiva histórica. Puro raciocínio de lógica.

2. “Eunucos feitos pelo homem”. CASTRADOS. Que não se recusavam ao sexo mas que não podiam procriar. ESTERILIZADOS INTENCIONALMENTE.

3. “Eunucos por causa do Reino dos Céus”. NÃO CASTRADOS. Que se recusavam ao sexo porque poderiam procriar e seus filhos poderiam ser um impedimento para dedicar-se a Deus. ESTERILIZADOS INTENCIONALMENTE.

1. “Eunucos desde o ventre materno”. NÃO CASTRADOS. Que não se recusavam ao sexo mas que não podiam procriar. ESTERILIZADOS CONGÊNITOS.

Ora, com efeito, os inférteis e os homossexuais estão neste último conjunto.

Por que haveria Jesus de dizer: “Nem todos são capazes de compreender essa palavra, mas só aqueles a quem é concedido”? E ainda reafirma concluindo: “Quem tiver capacidade para compreender, compreenda!”.

Se Ele só estivesse referindo-se aos adultos estéreis, aqueles que não tinham filhos do casamento, não seria necessário fazer a ressalva de que poucos compreenderiam Suas palavras.

Ou seria? Já que a infertilidade era sempre num primeiro momento atribuída à mulher.

Não. Porque quando a mulher era estéril, era dado ao homem o direito de ter outra mulher. É o caso de Abraão e Sara. Significa então, que era do conhecimento de todos que existiam homens estéreis, e assim não haveria necessidade de ressalvas.

Logo, Ele estava referindo-se APENAS aos que não se recusavam ao sexo, sem com isso passar a idéia de que se referia aos machos adultos estéreis. Quer dizer, Ele estava referindo-se somente aos nascidos sexualmente ativos que recusavam-se ao sexo com mulheres. Os homossexuais.

Conclui-se daí que Ele afirmou, em MATEUS 19, vers 11, que os homossexuais nascem homossexuais.

E é ainda de se reparar que Ele coloca os homossexuais no início da lista de eunucos.

A NOITE DE NÚPCIAS

21/04/2010

MAPA 2 – A SEXUALIDADE DOS CÔNJUGES GAYS

 

III

A NOITE DE NÚPCIAS

Eles não são apenas corpos humanos, não são só duas histórias de vida distintas que se encontram para trocar experiências, não são só dois indivíduos ou dois cidadãos, não são só dois desejos, dois sonhos, duas aspirações, duas fantasias. São infinitamente mais que isso. São duas almas que se encontraram para a fusão numa só. Dois para serem numa só alma. Duas almas para fazer nascer uma nova sem se perder das que eram e que continuarão sendo sempre duas. Um mistério de entendimento exclusivo. Só eles conhecerão.

Conceitos primitivos: Eros e Ágape.

Eros e Ágape duas formas de amor. Conceito politeista falso.

Se Ágape é Amor então: Ágape é criador. Eros é criatura. Eros é sensação. É atributo do corpo.

Sensação é informação concreta recebida no corpo.

Sentimento é a elaboração da sensação pela alma.

O Amor não é sentimento, é o Espírito de Deus que controla Eros através da alma do Um e do Outro. Eros é instrumento de linguagem. Instrumento de comunicação.

O Amor domina a alma que controla o cérebro que conduz Eros que informa o cérebro que submete a informação à alma dominada pelo Amor.

Eros informa o cérebro que sente e experimenta a informação que a alma lê e interpreta. O Amor conduz a pergunta e a resposta da alma.

Por quê essas colocações áridas antes de se espreitar o que seria a Noite de Núpcias de um casal gay católico?

Simplesmente porque ninguém, nem mesmo os casais heterossexuais católicos fazem sexo na frente de Deus. O tabu…

A rigor até fazem, mas não vêem Deus como Ele se apresenta no intercurso sexual, Visível. Cobrem-no com o véu do “sentimento de amor”. Esse é o pecado original… o pejo. Deus é esquecido no ato sexual, e no entanto Ele é quem conduz, coordena e instiga o ato sexual. O sexo santo nunca é entre duas pessoas. É sempre entre três pessoas. Os dois noivos e Deus. Ou então não é santo.

– Toma-me nos teus braços, meu amado. Conduz-me ao nosso leito nupcial e despe-me das minhas aparências. O Senhor é em mim para ti e eu O vejo através dos teus olhos que declaram que me amas. Sei que na verdade não és tu que me amas, sei que é o Criador em ti que projeta teu olhar, teus lábios, tua pele, teus músculos ao meu favor. Também eu sou criatura tomada pelo Criador que me move inteira ao teu favor. Sei que é Ele quem nos ama, porque só Ele ama, porque Ele é que é o Amor.

Só o Criador ama e só ama a criatura. A criatura não pode amar, ela só é amada. Amada pelo Senhor que está no Outro. Amada pelo Senhor que está em mim.

– É Ele quem aquece a tua pele e a faz tépida e generosamente agradável ao meu tato. É o Senhor em mim que sugere que tuas mãos deslizem sobre meu peito em direção à minha nuca, é Ele que conduz as minhas para afagar os teus cabelos e pedir que os teus lábios toquem os meus, porque Ele quer dizer-te que está em mim e quer que tu O vejas. Porque te ama e quer brindá-lo com a Sua glória.

– É Ele quem cola o teu corpo no meu. Teu corpo inteiro, simultâneamente teso e relaxado. Teus lábios umedecem do fluído divino que a um tempo aquece e refresca o mamilo junto do meu coração, que acelera de alegria, a alegria que diz aos teus lábios, capazes de ler o que Ele escreve, para que também tu sintas a mesma alegria na tua alma.

– É Ele quem nos leva a rolar no leito, numa espiral ascendente, no Seu propósito de nos fundir um no outro. Eu me abandono antes a Ele do que a ti, meu amado. E tu, do mesmo modo, e eu exulto em ver-te abandonado a Deus. E exulto comigo também, por me ver em completo abandono Naquele que Tudo criou. Aquele que tem todo o Poder, toda a Vida. Poder e Vida que derrama sobre nós, para nós dois.

– Leio o teu corpo, teus movimentos em cada pormenor. Cada poro, cada fio de cabelo, cada pelo. Leio com todo o meu corpo o que Ele escreve no teu corpo. Sem pejo conheço a linguagem do teu sexo que elabora o discurso poético do Senhor. Sim, teu sexo, tua genitália fala, canta para mim e eu ouço o Cântico dos Cânticos. Também em mim a música é divina. Nossos corpos são instrumentos musicais regidos por quem inventou a Música, a melodia é do Céu. E ouça, meu amado! Agora Ele convoca os Anjos para o Seu coro entoar a Sua Canção. Assim, dançamos nas nuvens, nos sóis, nas estrêlas, nas brisas das manhãs, nos luares de verão, nas marés das praias virgens, por tempo indefinido, por horas como segundos e instantes como eternidades. Instantes eternos. Um após o outro e cada vez mais perto um instante do outro.

– E o Senhor entre nós… Ele… no trono da letícia.

– Estremecemos de prazer, porque nada dá mais prazer do que ver o céu abrir-se para passar a Sua Luz. Porque é chegada a hora, é chegado o momento mais sublime do nosso Encontro. Já começo a sentir que tu, meu amado, despreende-se de ti, como eu me despreendo de mim, porque estamos prestes a alcançar a graça de ver revelada e tocar a nova criatura que Ele prometeu criar. Estamos em tempo de sermos não mais apenas dois, mas Dois em Um.

– A vertigem de levantar vôo, nossas almas desprendidas dos nossos corpos, enlaçadas, coladas uma na outra, rodopiando em aceleração crescente, e num único impacto sem volta começam a interpenetrar-se. Penetram-se uma na outra até que uma se confunde com a outra. Até que as duas se tornam uma única.

– E eu te vejo dentro de mim e tu me vês dentro de ti. E loucura… Eu me vejo com os teus olhos e tu te vês com os meus. E ainda maior delírio, eu te vejo com os teus olhos e tu me vês com os meus. E já não sabemos quem é um e quem é o outro, ao mesmo tempo em que nossos mistérios se evaporam. Mas sabemos que somos Um e um novo mistério.

– E Ele, o Senhor resplandece sobre o nosso leito enquanto nos abandonamos ao Um que agora somos.

– E como se nada fôssemos, desmaiamos no nosso abraço sem nos perguntarmos do amanhã.

PRIMEIROS TOQUES

18/04/2010

MAPA 2 – A SEXUALIDADE DOS CÔNJUGES GAYS

A APROXIMAÇÃO

II

Então, ali estão dois gays católicos e entre eles Deus. O Amor.

O Amor pode estar entre dois gays sem que estes sejam um para ou outro. Basta que estejam um com outro em nome de Jesus. Como nós aqui neste blog.

Mas a Presença de Deus quando um é para o outro tem um tom diferente. Eles caminham ao encontro de um terceiro humano aparentemente invisível. O casal gay católico. O Dois em Um.

A visibilidade de Deus entre eles vai-se definindo à medida em que atravessam as fases mencionadas num post anterior. A corte, o namoro, o noivado e o casamento.

Ao primeiro olhar, o Primeiro Toque, segue o nascimento de um sentimento de pertença entre eles. A Presença os agita com o claro propósito de amalgamar as duas vidas. E porque essa Presença é divina, e porque o divino é incontrolavelmente atraente, os dois nada mais desejam que permanecer Nela.

E se contornam o Um em torno do Outro para certificar que o acontecimento é verdadeiro. Que o milagre é legítimo. E para ter a certeza de que é real, provocam o Segundo Toque. Os corpos físicos se resvalam e arrastam juntos seus espíritos, suas almas que também se tocam. A descarga elétrica é de tal ordem que o céu se abre e esparrama luz sobre e ao redor deles. E o sentido da vida se transforma. E atravessam a fronteira que separa a Solidão do Encontro. E o sentimento de que não há nada a fazer a não ser entregar-se a esse Encontro, que resistir é voltar para o tédio do país da Solidão, e, que o país desse Encontro é uma aventura de inestimável alegria e prazer pleno, uma escolha entre o bom e o ruim; o par não vacila e decide enfrentar o Mistério desse país. Conhecer Esse Mistério!

E Deus entre eles.

Apaixonados iniciam a exploração desse território, exploração chamada namoro. Um território onde Segundos Toques acontecem sucessivamente, cada vez mais intensos e próximos, cada vez mais profundos, prazerosos, ternos e felizes. E em cada Segundo Toque a sensação de vertigem envolve os dois mais e mais, e a força da natureza das almas os leva ao abraço e o abraço revela uma vista inédita do País do Encontro, quente, macia, doce, terna e lânguida.

E Deus envolvendo-os.

No abraço, os rostos se tocam. O rosto, um muito do que se é, uma identidade. Os dois muitos se tocam. Duas identidades se tocam. Face na face. E Deus ali, Presente.

No Encontro em Cristo, no Toque em Cristo, no Abraço em Cristo. Face a face em Cristo. Em Deus, no Amor, envolvidos pela Presença. Vendo a Deus o Um no Outro e o Outro no Um. Deus alí. Porque o Amor é Deus. Porque Deus é Amor. O Espírito visível do Senhor.

A escandalosa Presença de Deus no encontro dos lábios. Deus no Beijo. O Beijo em Cristo. Duas identidades unidas no Amor e pelo Amor. O que nega tal Encontro, nega portanto a Deus.

Quaisquer católicos que se olham, ou que se tocam, ou que se abraçam, ou que se beijam não pode nunca agir sem Cristo.

O namoro chega à nova fronteira do novo e desconhecido país vizinho, o país do Matrimônio. Do país do Namoro, o par já pode vislumbrar a esplêndida paisagem do outro lado da fronteira. Uma fronteira abismal. Atravessá-la é avançar na direção do Mistério sem volta. Há uma ponte para a travessia. Concluída a travessia, a ponte desmorona. A tomada de decisão é irreversível. Uma exigência do Amor, porque do outro lado, a visão da Beleza é delirante e se um dos amantes negar, recusar a Presença do Amor após a travessia, será lançado na periferia do Mistério, onde a Confusão é tirana, e o amante poderá enlouquecer. A decisão é grave.

O Um perscruta a face do Outro e o Outro a face do Um. E Deus escuta. E o Um e o Outro, na insegurança natural da grave decisão, pedem para a Presença um sinal que lhes confirme continuar ou desistir antes da travessia. Porque o par gay católico sabe, tem plena consciência de que não haverá possibilidade de retorno caso decidam atravessar a ponte. E Deus na Sua magnífica generosidade deixa-os por um instante a sós para que decidam se querem ser Dois em Um.

No momento desse recuo de Deus, que será breve se a decisão for de atravessar, ou longa se a decisão for de não atravessar, a Sabedoria ensina que o par estará sujeito às inevitáveis investidas do Mal que os quer de volta ao país da Solidão, onde até terão nova chance mas já não mais serão um par este Um e este Outro. A Sabedoria sugere ao par então, que a tomada de decisão seja feita sem a influência do Mal. Por isso o par, para decidir livre da influência do Mal deverá agir de modo único. Ambos assumirão o Jejum, a Penitência e a Oração. É o noivado, a ponte é o noivado. Ao termino do que os Anjos os servirão com a decisão mais acertada que será tomada pouco antes de tocar o outro lado.

Se recuarem, voltarão às suas vidas de antes do Encontro e permanecerão à espera na memória do Amor agora conhecido, de que o Amor os incorpore novamente para nova tentativa. Se avançarem, se terminarem o noivado terminando de atravessar a ponte, tocarão o solo do país do Matrimônio.

E decidiram atravessar. Então, o Senhor retorna e agora com mais visibilidade ainda. O Amor reassume seu propósito e sua promessa. Lá, antes da consumação da fusão dos dois em Um, aguarda-os uma celebração, sempre na Presença de Deus. A cerimônia de casamento. Necessária, imprescindível porque é a um só tempo a despedida definitiva do país da Solidão, uma vitória, e, é também a recepção para a chegada do novo ser, o Dois em Um, a partida para a continuação da aventura do conhecimento do Mistério, que acontece na… Noite de Núpcias.

A SEXUALIDADE DOS CÔNJUGES GAYS

18/04/2010

MAPA 2 – A SEXUALIDADE DOS CÔNJUGES GAYS 

I

Dois homossexuais católicos, unidos no amor e vivendo maritalmente, partilhando o leito e neste mantendo relações sexuais como um casal heterossexual, e com o conhecimento público dessa relação nesses termos. Alguém já viu um?

É sobre a sexualidade destes que se pretende aqui e agora arriscar uma abordagem.

Até o presente momento, por óbvio, não se tem notícia de um casal nessa situação, portanto só uma visão idealizada é passível de enfoque. Mas é importante que se a registre porque assegura, no mínimo, uma comparação com a vida sexual de um casal católico heterossexual, a quem este registro também há de beneficiar. Com a vantagem de que aqui se poderá abrir a porta de um aposento onde o pejo não entra.

A sexualidade no mundo católico, mesmo de um casal sacramentado, é ainda um tabu.

E a consequência desse tabu é tudo o que já se conhece em termos de sexo na sociedade humana. Sexo que vai do “sexo coisa” até toda a sorte de perversão sexual.

Como o calouro, ou mesmo o veterano do sexo não tem referência do que é sexo espiritualizado porque a sexualidade dos pais, ou do Outro, nunca é assunto das rodas familiares ou outras, e, como tudo o que se sabe a respeito da espiritualidade no sexo católico é sugerido exatamente pelos abstinentes sexuais, os padres, e sempre através de uma retórica ininteligível; aos jovens e adultos resta a tentativa de encontrar nas manifestações artísticas, alguma coisa que possa remetê-los à uma vaga idéia do que é sexo pleno, sexo espírito e carne.

O sexo encontrado na arte de boa qualidade não deixa de ser uma vaga analogia do sexo de atitude. Mas vaga, muito vaga.

A única referência católica é o livro bíblico O Cântigo dos Cânticos. Uma boa iniciação haveria de começar por ele. Mas é preciso ir além, muito além para não se reduzir o sexo apenas a um evento poético carnal. Já não é o “sexo coisa”, mas também não é o “sexo santo”.

E não há kama sutra que dê conta do recado.

[O AMOR entre os cônjuges]

Para se alcançar os limites superiores do sexo é necessario antes de tudo e primordialmente: desvendar, revelar, descobrir a mais absoluta verdade do significado e conteúdo da palavra Amor.

Não se considera o casamento, a união, o matrimônio sem a presença do Amor. Não se considera a vida sem Essa presença.

O senso comum e o incomum considera que Deus é Amor. E é o que dizem as Sagradas Escrituras.

Como não se pode atribuir a Deus um valor menor que Ele e nem maior, resulta que o Amor é Deus.

Sendo Deus, Espírito, então o Amor é Espírito.

Logo, o Amor é Espírito e não é um sentimento. Até porque sentimento é atributo dos homens e não atributo de Deus.

O Amor não é um sentimento.

O Amor é Espírito.

E é o Espírito de Deus.

Assim, não existe amor humano. Nem de pai, nem de mãe, nem de filho, nem de amante, nem de amigo, nem qualquer outro tipo de amor que se possa imaginar.

Porque o Amor é Deus e é único. E é Espírito.

Mesmo a catolicidade não vê assim, nunca viu. Até a catolicidade fala em amor humano. Que não existe.

Porque o Amor é Único e é Deus.

Quando se diz: “eu te amo”, só o que se pode entender e perceber é que o Espírito Amor incorporou o amante e o faz tender à pessoa amada. O que se deve entender e perceber é a Presença de Deus no amante.

Assim, entre duas pessoas que se amam, o que se vê não é um sentimento que une essas pessoas. O que se vê ou sente, mesmo sem a consciência que se realizaria na carne, é infinitamente maior, é a Presença de Deus entre os amantes.

É Deus e é Visível! Ainda que como por um espelho de cobre polido dos antigos tempos de São João. A imagem perceptível mas sem a perfeita definição. Definição que só cresce à medida em que a vivência aplaina e alisa na incessante manufatura do espelho perfeito, cujo climax de perfeição é só quando da Parusia.

Desse entendimento dessa palavra é que se pode dar início à reflexão da sexualidade entre cônjuges.

Quando duas pessoas formam um casal legítimo, a Presença de Deus está entre os cônjuges. É Deus Presente.

Quando um par se une formando um verdadeiro casal, será sempre um casal do tipo que ao acordar cada manhã um ao lado do outro, no estupor da surprêsa contínua e sempre renovável… a cada manhã… um diz ao outro: “Olha! Veja! Somos um casal! Eu te amo como nunca antes e tanto quanto a mim mesmo como nunca me amei…”.

É um par de humanos que recebeu entre os dois a graça da Presença do Senhor, Criador de tudo. Uma Presença que vive com eles ininterruptamente. E que dorme com eles. E que os transforma dois em um.

É sobre a sexualidade e o sexo desse casal o objeto deste post. Que não pode esgotar-se aqui. Só se completa no leito e no coração dos cônjuges amantes.

Como o sexo entre dois não se restringe às quatro paredes de uma alcova, antes, começa com a chegada de Deus entre eles e só termina com a Sua retirada, que nem a morte temporal de um dos cônjuges é capaz de cessar, é na Chegada que se dá… o Primeiro Toque.

O Primeiro Toque.

O Senhor vem e como quem diz, e a respeito de Um:

– Este corpo me pertence, é do meu agrado, é um templo meu, farei neste felizardo minha morada.

E a respeito do Outro:

– Do mesmo modo, aquele outro que alí está também me pertence, também é do meu agrado, também é meu templo e também farei naquele não menos feliz a minha morada.

E a respeito do Um e do Outro:

– Agora, vai Um! Olha ali aquele Outro e veja o que será a Beleza ao teu alcance. E não desvie daquele Outro o teu olhar nem por um instante porque estás prestes a Me conhecer.

E o Um, numa hipnose não consentida, antes… assaltado… o Um percebe, sente uma Presença infinita e irresistivelmente imantada. E mergulha no que se poderia confundir com um estado alterado da consciência. Que até é uma alteração da consciência mas no sentido de que esta deu um enorme salto qualitativo, por primeiro com a Presença em si mesmo e depois com o sentimento Dessa Presença num Outro.

Do mesmo modo, o Senhor no Outro. E do mesmo modo o Outro na direção e sentido do Um. 

É o Primeiro Toque, o primeiro encontro do olhar. É o que o senso comum chama de “amor à primeira vista” que só é dado experimentar a aquele que está aberto e acredita.

O Primeiro Toque. Um estremecimento. Uma suspensão. Um inspirar sem expirar. Um salto no abismo sem mergulhar. Uma simples troca de olhar e o proscênio se abre por detrás do Um e do Outro, e ambos descortinam uma vastidão jamais vista ou sequer possível de ser imaginada. Vastidão em hora ainda enevoada e iluminada pela primeira luz. O primeiríssimo instante do Primeiro Toque, no espaço sem chão… no ar.

MAPA 2

13/04/2010
MAPA 2
O encontro, a formação do par, a situação legal, a situação religiosa do casal formado e a sexualidade dos cônjuges.

O ENCONTRO ( – A CORTE – )

Católicos têm sua perspectiva de vida centrada em Jesus, Cristo. Anseiam, ao menos num primeiro momento, encontrar seu par entre os católicos para que juntos possam estabelecer um convívio na presença de Deus, a partir do Amor. Assim, é muito frequente que os católicos frequentem sua comunidade religiosa e esperam que através dela o encontro com seu par aconteça.

Evidentemente não é uma regra, apenas uma estratégia. Não poucas vezes um católico encontrará seu futuro cônjuge fora do seu círculo religioso, que poderá até nem ser católico. Entretanto a maior frequência de encontros ocorrerá dentro da própria comunidade. Se o Amor se apresentar entre ambos, o par iniciará um período de reconhecimento entre si. É a fase da corte.

Contudo, o estigma de desordem moral lançado sobre os gays induz o gay católico a esconder sua sexualidade, na quase totalidade das vezes. Isso dificulta o encontro com outros gays dentro da comunidade porque quase todos estão na mesma situação. E a maioria em conflito com sua identidade sexual, muitas vezes tentando travesti-la de heterossexual, chegando mesmo ao casamento com alguém do sexo oposto dentro da comunidade, sem Amor e fadado ao sofrimento mútuo.

É muito comum encontrar grupos de gays não assumidos que buscam orientar-se para a vida religiosa. Pode-se afirmar que grupos de pré-postulantes são quase na totalidade constituídos por homossexuais. Não há estatísticas a respeito por dificuldades óbvias.

Raramente ocorre que dois gays se encontrem dentro da comunidade. Assumidos para si, unem-se e passam a viver uma relação do tipo “don’t ask, don’t tell”. Marginalizam-se, quando não afastam-se de vez da comunidade para viver sua parceria.

Outras vezes, sofrem a vivência de uma relação exclusivamente platônica.

Em qualquer situação, os gays católicos acabam por reprimir o afeto para o qual foram divinamente construídos. É o fracasso como seres humanos totais.

NAMORO, NOIVADO, CASAMENTO

Estas fases da formação de um casal ocorre em todas as culturas. Dir-se-ia que são ontológicas.

A FORMAÇÃO DO PAR ( – O NAMORO – )

Na felicidade de que o encontro seja bem sucedido, o par inicia o “namoro”.

Para poupar a comunidade do “escândalo”, afastam-se dela e na esperança de que o Amor sustente a relação tentam evoluir em Cristo isoladamente, relacionando-se com a Igreja apenas nas formalidades rituais. Dessa forma a identidade do par, enquanto casal, é sufocada e impedida de crescer social e religiosamente. Para a Igreja esse par, real e concreto, simplesmente não existe.

A SITUAÇÃO LEGAL ( – O NOIVADO – )

O casamento no civil para os gays católicos implica o “outing” para a Igreja. Não há ainda, referências do comportamento dos padres em relação à essas uniões, no que se refere à comunhão eucarística. É um futuro incerto tendo-se à vista que os padres não têm conhecimento se tais uniões implicam a prática sexual na vida privada dos cônjuges. Certamente estes serão convidados ao sacramento da confissão e nesta, a intimidade poderá ser ou não revelada, dependendo do fôro íntimo de cada confidente em considerar a relação pecaminosa ou não.

Como o Magistério da Igreja parte errôneamente da idéia de que as uniões civis sugerem obrigatoriamente uniões carnais, e, o “outing” que a legalização dessas uniões implica, arrastam os pares gays para fora desse instituto legal deixando-os ao relento das suas salvaguardas. Ou seja, vão evitar a união civil e perder os direitos a que fazem jus.

A SITUAÇÃO RELIGIOSA DO CASAL FORMADO ( – O CASAMENTO – )

Preconceito, estigma, repulsa, nojo e homofobia é o que o casal gay católico encontrará na sua comunidade religiosa, na missa, na eucaristia. Apesar de terem sido unidos pelo Amor, de viverem na Presença Dele, muitas vezes com verdade e em profundidade maior que entre muitos casais heterossexuais católicos, essa Presença não é enxergada, sentida, reconhecida pela comunidade. Como entre os cônjuges a Presença de Deus é mais forte que o preconceito, quem acaba por perder dessa relação é a própria comunidade religiosa.

Como o sacramento, dogma da Igreja, estabelece  – pela Tradição – que o matrimônio é união entre gêneros díspares, com fins de procriação e educação da prole, não há como sacramentar a união gay.

Na melhor das hipóteses, o que se poderia esperar a curto prazo seria a criação de um instituto religioso inteiramente novo, não sujeito a sacramento, mas que permitisse a integração do casal gay à vida comunitária religiosa. E a longuíssimo prazo, a extensão do sacramento do matrimônio a todo e qualquer casamento que tenha por objetivo a constituição de familia – no ESPÍRITO – independentemente dos gêneros dos cônjuges.

A SEXUALIDADE DOS CÔNJUGES GAYS CATÓLICOS

Este capítulo especialíssimo requer análise em separado no próximo post.

MAPAS DOS NOSSOS CONFLITOS

10/04/2010

O Gay Católico na pretensão de ser um dos espelhos de um corpo específico de católicos, rejeitado pela Igreja, acredita que é possível mapear os conflitos e pressões de que é alvo.

MAPA 1

1. A Igreja entende que a homossexualidade é sim uma doença, “uma perturbação intrinsecamente má”, “uma desordem moral e psíquica”, e isto gera o primeiro de todos os conflitos, já que os gays reconhecem a sua congenitalidade, i. e, sentem-se gays de nascença. Os sinais são vísiveis desde a primeira infância. Por isso, desde então são discriminados pelas próprias mãos que os batizaram.

2. Decorre do primeiro, porque sendo a homossexualidade inaceitável do ponto de vista clerical, sua efetiva expressão não só é reprimida pela Igreja que os obriga à rejeição da própria sexualidade através da abstinência sexual, como também lhes é imposta a “regressão à heterossexualidade” justificada pela “lei natural”, lei essa que por sua vez tem, a rigor, origem na Tradição Humana da Igreja, e que os gays consideram impossível já que não há um estado heterossexual anterior para o qual se possa reverter.

3. Não sendo admitidos à comunhão plena com a Igreja, não encontram nem espaço e nem reflexo para o seu desenvolvimento espiritual e cultural católico, o que acaba por afastá-los quando não fisicamente desse contexto, pelo menos da sua plenitude moral, e mormente da plenitude espiritual cujo significado para o gay católico é mais que imprescindível, é vital. Existe uma Espiritualidade Gay Católica que não emerge, permanecendo sufocada e impedida de se apresentar ao outro, e que seria de enorme valia para todo o corpo católico sem restrições.

4. Os que se afastam fisicamente não tem outra alternativa que inserir-se no mundo gay de espiritualidade controversa, onde se deparam com a permissividade e relatividade da cultura hodierna. Com isso assumindo atitudes que se opõem ao que foram projetados desde o nascimento como seres espirituais e espiritualizados.

5. Segue naturalmente que discriminados, sem a cultura e religiosidade que lhes correspondem, sua sexualidade é reduzida ao encontro possível e limitado dos seus corpos com o corpo do outro, sem alcance para a sexualidade espiritualizada, tornando-a insatisfatória, insuficiente e obstruída, vedando o alcance da felicidade, da alegria e da paz espiritual à plenitude. O meio hostil, quer religioso, quer mundano, sequestra o gay católico da liberdade e da verdade. Refém apartado compulsoriamente do Absoluto do qual faz parte, ao qual pertence e que representa o maior significado de sua existência enquanto pessoa humana.

6. O universo gay do mundo por sua vez, discrimina o gay católico, porque este não se vê fora da Igreja que o condena, e aquele não aceita essa compulsão que considera, à maneira do Magistério Católico, como “intrinsecamente desordenada”, i e, uma doença mental que deve ser curada e da única forma possível que seria deixar de ser católico.

7. Duplamente discriminados: pelos católicos porque são gays, e pelos gays porque são católicos, formam um corpo social pulverizado, marginalizado como nenhum outro e distantes entre si, perdidos da unidade necessária para refletir e resolver seus conflitos, e dar prosseguimento à sua existência como indivíduos e seres sociais.

Obs: Nos próximos mapas tentaremos abordar a questão da associação de dois gays católicos: o encontro, a formação do par, a situação legal, a situação religiosa do casal formado e a sexualidade dos cônjuges.

Também, o casamento gay, a formação da familia homoparental católica, a educação de sua prole, a velhice e a finalização da sua existência.

Um dos mapas será dedicado à vida profissional e às vocações sacerdotais.

E ainda um mapa específico para a diversidade gay católica, quer dizer: cada membro da sigla GLBTTT, inclusive os não gay que reconhecem a naturalidade da existência e defendem a sua inserção plena no catolicismo.

Aos mapas seguir-se-ão as discussões – posts e comentários – em torno de cada conflito, não necessariamente na ordem apresentada e não necessariamente sem solução de continuidade, podendo ser intercaladas com os eventos circunstanciais importantes que se apresentarem nos comentários ou na sociedade, segundo a sua urgência.

Com tudo isso o Gay Católico espera estabelecer as bases para a elucidação e consciência do mundo e da Igreja, daquela que é hoje a realidade mais desconhecida que obscurece a civilização.

Contamos com você.

FELIZ PÁSCOA A TODOS!

01/04/2010

Não vamos nem tentar dizer o que é a Páscoa. Nós católicos já o sabemos.

O Gay Católico deve evangelizar, sim, mas a idéia é que a evangelização que levamos ao outro acontece nas entrelinhas, no subtexto das nossas vidas.

O que queremos hoje, nesta Semana Santa é, além de adorar a Deus com toda a nossa força, de todo o coração e entendimento, aproveitar essa Proximidade para clamar para que o Magistério Católico, reconhecendo que somos nascidos gays por obra divina, reconheça também que queremos receber e dar afeto a um parceiro, sem restriçoes e ao abrigo da lei; que podemos e devemos constituir família em Cristo, e promover a nossa prole na direção do Espírito Santo, que é o que de fato representa criar e multiplicar

– humanamente – conforme determinação do Criador.

E queremos agradecer a Deus por nos ter dado o dom da alegria que bem nos define, o dom da generosidade para com os que nos rejeitam, a fé que nos abraça como a ninguém à proscrição que nos sacrifica, e que aceitamos com serenidade em nome de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

E pedir, como São João, o díscipulo mais amado – Vem, Senhor Jesus!

A Paz de Cristo esteja com todos.

 


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