Sim… Gay Católico!

Então ele se viu católico! Gay e católico.

O Levítico que ele já tinha lido dizia literalmente que os gays eram malignos. Mas ele sabia que não era. Quando Aquele Amor o possuiu, sua dúvidas se dissiparam de vez. Aquilo que estava nele e que o transformava em pura luz não anulava, nem sequer questionava sua convicção de que era gay porque era sua natureza. Aliás era essa sua natureza que o aproximava de Deus, do Transcendente e agora de Jesus.

Ser gay o levou a Jesus. E Jesus o levou a Igreja.

Mas a Igreja…

Um dia, quando a doutrina ia refletir o Amor, nosso GC estava radiante. Achava que naquela hora todos o compreenderiam. Mas pularam o capítulo!!! Como? Não vamos falar do Amor? Nunca um capítulo foi tirado da ordem e esse que é o mais importante de todos vai ser ignorado?

Levantou em silêncio, saiu e nunca mais voltou. E aquela comunidade se esfumaçou na sua lembrança. Sua dignidade não se permitia ser ultrajada. Não agora que o Amor era a sua Vida.

Afastou-se das comunidades religiosas sem deixar de ser católico. Sem deixar de pertencer a Igreja Santa no Amor. Porque tudo o que não é Amor não é Igreja. Tudo o que não é Amor não é Católico. E Jesus lhe deu o maior apoio. GC voltou à sua ermida e nela permaneceu a serviço solitário do Amor. Até o dia em que Ele o enviou de volta ao mundo para aprender o que faltava.

Finalmente, quando seu coração terminou de amadurar, Jesus o colocou diante de um outro. E desabaram as últimas pedras do edifício antigo e nosso gay católico chegou mais perto ainda do Mistério.

Sua busca terminara. Agora só faltava que Jesus o levasse até Deus, pessoalmente. Sua ansiedade já era coisa do passado, sua pressa também, mas não tardou para que ele O visse e finalmente O reconhecesse.

Quando a morte levou seu ente mais querido, ele viu. Ele entendeu. Quando o Amor que estava no outro se afastou com a sua morte, nosso gay católico compreendeu que se Deus é Amor então o Amor é Deus. E sendo Deus, não é sentimento, é Espírito.

Ele encontrou Deus e viu que Seu Espírito Amor está por toda a parte, nos outros em que Ele, o Amor, incorpora. Nosso Gay Católico agora vê Deus.

E foi como católico que tudo começou, então porque deixar de ser católico?

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7 Respostas to “Sim… Gay Católico!”

  1. Rip Says:

    Muita bonita sua trajetória. E o que é mais importante, você se expressou pelo amor, e não pela agressividade. Parabéns.

  2. Benjamin Bee Says:

    Rip, como pode o Amor ser agressivo? A agressividade é a ausência do Amor. Eu Sou no Amor. Nós gays católicos fomos chamados por esse dom. É a nossa glória. Nosso sofrimento, a nossa cruz, continuará e terá que ser carregada sempre, como com os nossos irmãos. E são muitos, você ainda os verá. A nós, o que nos cabe é tentar dividir o peso sobre nossos ombros. E se nos juntarmos, na Presença Dele, o fardo será leve. Só não podemos nos furtar dessa missão.

  3. T. Says:

    Sugiro que também divulgue o seguinte site no seu blog:

    http://www.diversidadecatolica.com.br/

  4. Sandra Says:

    Oi Ben

    Não conhecia seu blog

    Sou paulistana, tenho 43 anos.

    Meu primeiro amigo gay conheci em 1976.

    Ele trabalhava comigo no Banco Auxiliar de São Paulo.

    Naquela época não era comum ser assumido.O Alcides era.

    Em plena ditadura militar, onde não existia tolerancia nenhuma, para nada.

    Nós tinhamos a mesma idade.

    No começo foi meio difícil pois eu nunca tinha conhecido nennhum homossexual.

    Ele foi o homem mais íntegro que já conheci, como amigo, como cidadão e como católico.

    Quando disse para neu pai que iria levar um gay em casa, na festa do meu aniversário,ele quase teve um ataque do coração.

    Bem teve a festa e meu pai no final me perguntou se eu tinha desistido de lavar a “bicha”

    Então disse pro meu pai que era aquele jovem de Bauru/SP ( meu pai também era do interior de SP )que ele e minha mãe tinham coversado por quase uma hora. Aliás, ambos faziam aniversário dia 13 de janeiro.

    Eles não perceberam que o Alcides era homossexual.

    Resumindo a história o Alcides batizou meu primeiro filho. E foi um padrinho maravilhoso.

    Com ele aprendi que o que faz a pessoa é o caráter, independente da sua orientação sexual.

    Ele era um ótimo filho, um ótimo irmão, um ótimo companheiro e um amigo excepcional, mais que um irmão para mim.

    Ele era devoto de Santa Rita de Cassia e Nossa Senhora das Graças ( que era Padreira da Paroquia onde foi criado )

    Frequentava a Santa Missa regularmente, fazia parte de uma Pastoral ( acho que da Liturgia ) não me lembro direito.

    Infelizmente, ele faleceu em 2000 e tenho certeza que ele está no Reino de Deus.

    • Benjamin Bee Says:

      O blog não é meu, é nosso, Sandra. De todos nós que almejamos, enquanto estivermos aqui no mundo, viver em paz com o próximo. Irmanarmo-nos na alegria e na dor. E sermos instrumentos de Jesus para que em nós Ele se instale e propague a sua magnífica grandeza.

      Aqui estamos começando a nos reunir, e em nome Dele. Porque assim é certo que Ele estará entre nós e Sua companhia aqui é o prenúncio do céu, quando estaremos com Ele, ao Seu lado, se Ele assim o permitir e desejar.

      Lindo o seu depoimento. Um ato do Amor, mais uma revelação do quanto o Senhor é bom.

      O seu amigo Alcides serviu a Deus como Deus esperava. Rompeu barreiras e não só aplainou o caminho de tantos que carregam o fardo do preconceito, como ajudou a descarregá-lo das costas daqueles que nem sabiam que suportavam um peso inútil na sua caminhada.

      O sacrifício dele não foi em vão. E veja, há dez anos que se foi e agora aqui está ele, para nós, na tua memória.

      Os homens passam mas jamais acabam.

  5. Sandra Says:

    Ben, não foi por querer.

    Eu juro que digitei errado!

    Sou de 1956 tenho 53 anos

    Faço aniversário no dia dos professores.

    Meu filho mais velho tem 32 anos!

  6. O AMOR É O ESPÍRITO DE DEUS PRESENTE E VISÍVEL EM CADA UM DE NÓS E NO OUTRO. « Gay Católico Says:

    […] gay se torna católico a despeito da opressão gerada pela discriminação no meio. [03] , [04] , [05] Gay nasce gay, mas escolhe ser católico. E escolhe ser católico porque, à exceção da […]

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