Gay e Católico?!

O gay católico não decide que é gay, mas decide que é católico.
Ser gay não é uma escolha. Ser católico é.

Por quê decide o gay que é católico? Por que opta por uma doutrina e a defende se o magistério dela condena sua natureza homossexual?

Um caso…

Ele, longe das religiões, encontrou-se gay e viveu esse encontro. Experimentou sua sexualidade ao limite do possível, sem reservas, sem limites.

Mas tanto quanto sua orientação sexual, sua gênese era religiosa. Nasceu gay e com fé no transcendente maior. Nasceu gay e acreditando em “Deus”. Nasceu gay e crente.

Pensou o céu e a terra até os infinitos limites inferiores e superiores. Tirou conclusões e acabou só, isolado, porque considerado utópico.

Viveu anos ao deus-dará. Achou que recebeu pouco e insatisfeito resolveu tomar satisfações com “Deus”. Que audácia!

Saiu ao encontro desse Criador, que se “existisse” estaria em algum lugar. Mas onde?

Como bom pensador que era olhou o mundo dos crentes e ateus e verificou que os crentes tinham uma referência histórica, uma tradição. Seus livros sagrados. Concluiu que “Deus” poderia realmente ter-se manifestado através desses escritos e foi atrás.

Leu a Bíblia de cabo a rabo, como quem lê um jornal. Chorou muito no Velho Testamento porque não sendo judeu não teria o privilégio de conhecer “Deus”. Se este “existisse”, claro. Na verdade chorou de pena de si mesmo porque insatisfeito não via grandes perspectivas de solução para seu caso. Mas, persistente, sabendo que não tinha outra saída que não ir até o fim, ao menos na primeira fase do seu projeto, chegou ao Novo Testamento. Deu de cara com Jesus.

Surprêsa! Sua utopia estava ali sem tirar nem pôr. E o mundo que o havia rotulado de utópico? Ora, o mundo…

Havia outros livros, pelo menos dois, que faziam parte de seu projeto de busca e que não poderia deixar de olhar, ou correria o risco de tomar satisfações com a Pessoa errada. Primeiro leu o Bagavad Gita seguido pelo Alcorão.

Não restou dúvida. Para ele “Deus”, se “existisse”, apresentou-se melhor na Bíblia. Não era à toa que era famosa a Bíblia. E nesta, na sua segunda grande coleção, o Novo Testamento, um homem especialíssimo havia dito: “… se te baterem numa face, dá a outra.” Pronto. Voltou a olhar para o mundo e constatou que ninguém nunca antes havia proferido tal frase, mágica, reveladora, epifânica! Nada de Lei do Talião, nada de sensibilidade indiferente.

Dá a outra face, disse ele, Jesus de Nazareth. Então, Ecce Homo! Esse é o Homem! Porque ele foi o que foi mais longe. E ainda é.

Teoricamente, tendo esse homem afirmado que “Deus” existe, nosso gay não teve alternativa a não ser reconhecer de fato que sua fé na transcendência do Maior tinha razão de ser. Teoricamente… O modelo teórico era perfeito! Então dava para ir em frente. Ou melhor, dava para ir atrás desse Jesus, de Nazareth. Era o caminho mais seguro. Do meio de bilhões de humanos vivos e mortos, foi ele o único que disse: “Dá a outra face.”

E foi atrás, seguiu… Tornou-se cristão… teoricamente.

Continua…

Uma resposta to “Gay e Católico?!”

  1. O AMOR É O ESPÍRITO DE DEUS PRESENTE E VISÍVEL EM CADA UM DE NÓS E NO OUTRO. « Gay Católico Says:

    […] de como um gay se torna católico a despeito da opressão gerada pela discriminação no meio. [03] , [04] , [05] Gay nasce gay, mas escolhe ser católico. E escolhe ser católico porque, à […]

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