Gay Católico…

 

 

Nosso gay teoricamente cristão enveredou pelo Evangelho de Jesus Cristo. Foi lá com a cara e a coragem. Precisava falar com Cristo que o levaria a Deus.

Pelas tantas ouviu dizer que Jesus havia dito que entre dois ou mais reunidos em Seu nome, então Ele lá estaria. E muitas outras coisas, tantas que nosso gay apaixonou-se intelectualmente por Jesus. Que também dissera que Dele fizessem memória.

Computou aquelas informações todas e deduziu sabiamente que deveria procurar uma igreja, que era o lugar mais óbvio e adequado para se reunir com outros em nome de Jesus. Nosso gay já havia deduzido que o cristianismo crescera a partir de Pedro, o Apóstolo, por indicação do próprio Jesus. Tornou-se uma religião universal dentro do universo conhecido pelo ocidente, e que por isso denominou-se “católica”.

Procurou e encontrou uma igreja… católica… a mais perto dele, pediu licença e entrou. Como ninguém lhe havia pedido contas de nada, foi entrando mesmo, sentando e ouviu o padre. No entanto não lhe saia da cabeça que o cristianismo era composto de outras denominações. Os ortodoxos, os protestantes, os evangélicos, tantos outros e até os rejeitados espíritas. Deu uma olhada nas razões porque o cristianismo estava assim tão pulverizado e não deu a menor importância a elas, as razões. Pareceu-lhe briga de comadres e decidiu que o catolicismo era o que tinha o cordão umbilical mais próximo da origem. Como nosso gay tinha sangue de rebelde tradicional, ou rebelde conservador como queiram; entendeu que quanto mais perto da origem, mais perto de Jesus. E sentou-se no meio dos católicos.

Como, apesar de reunidos em nome de Jesus naquela igreja, Jesus não dava as caras como prometera, nosso agora gay-católico-intelecualmente, que na verdade não tinha era ainda olhos de ver, passou a circular por outros templos católicos. Quem sabe mudando de comunidade ele talvez encontrasse uma que fosse mais agradável a Jesus e Ele então aparecesse. E andou pelas Missões, pelos beneditinos e outras, até que entrou numa que tinha um padre com uma linguagem que lhe era familiar e agradável. Esqueceu por um tempo a ansiedade de encontrar Jesus que o levaria Deus.

Uma noite… No silêncio de sua morada, foi invadido por um tênue núcleo de calor no centro do coração. Estranhou… por pouco tempo… porque o calor no seu coração disparou a crescer. Apavorou-se pensando estar sofrendo um infarto. O calor tomou todo o coração, o peito inteiro, seu corpo viu-se envolvido por um fogo que não cessava de expandir-se e intensificar-se. Impossível acostumar-se à sua temperatura porque não parava de aumentar. O fogo envolveu seu corpo, todo o espaço do seu quarto, sua casa que ficava cada vez mais quente a partir do centro do seu coração. O Inferno! E agora ela sabia porque não era possível acostumar-se ao inferno. Porque lá o calor não pára de crescer. No inferno, a temperatura é a cada instante mais elevada que no instante imediatamente anterior. Cresce sempre tendendo para ao infinito.

Repentinamente tudo cessou e a única coisa que nosso gay-católico-intelectualmente sabia dizer era: – Isso foi uma imagem do inferno. Eu não quero isso para mim! Isso eu não quero!

A vida voltou ao normal e ele continuou a frequentar àquela comunidade que o atraía, aquela que tinha um padre com um discurso bonito.

Uma outra noite… Depois de algumas horas de reunião com alguns membros dessa comunidade, já na solidão de sua morada, nosso gay-católico-intelectualmente foi abduzido. Isso mesmo, foi abduzido… literalmente. Seu espírito foi sugado por uma força incontrolável e irresistível. Uma espada de luz esquartejou-lhe o cérebro para eliminar toda sorte e resquício de impureza porque a ele seria dado o privilégio de ver! Ver o quê?

Ele foi lançado num espaço de cores luminosas, livre de qualquer sensação de desconforto ou necessidade, invadido por uma paz absoluta até onde se pode entender o Absoluto, e teve uma locução interior que lhe dizia que ali era a porta de entrada do Paraíso que lhe aguardava num futuro qualquer, mas que ainda não podia penetrar, e que aquilo que ele via era só como que um tira gosto.

Tendo retornado inexplicavelmente da abdução para o silêncio de sua morada, nosso gay-católico-intelectualmente achou que a companhia daqueles católicos de momentos antes tinha sido a responsável por aquela inesquecível, absurda, fantástica e maravilhosa viagem. E “aquilo” ele queria… Era tudo o que ele poderia querer. Foi tempos depois que ele se deu conta de que o responsável por sua abdução não foram os católicos, fora a Virgem Maria.

Coincidentemente aquela foi a última vez que os viu por um longo tempo. Foi “circunstancialmente” empurrado montanhas acima a quilômetros da tal comunidade, mas com a certeza de que já não era mais um simples gay-catolico-intelectualmente, mas um legítimo gay-católico. Viu-se então, a partir daí como um eremita, sem saber exatamente porque.

Entretanto, sua ambição de encontrar Jesus que o levaria a Deus, se não arrefecia também não o impulsionava para tentar reunir-se em nome Dele com outros católicos.

Mergulhou no trabalho, já esquecido dos católicos afortunados quando um dia, um carro chega à sua casa trazendo alguns daquele grupo e entre eles, ninguém menos do que Ele. E mau, nosso gay católico ainda não tinha olhos de ver. Mas, bom… SENTIU Sua Presença.

Confuso, atordoado com a maravilha que aportava à sua casa, confundiu alhos com bugalhos e viu-se apaixonado por um dos membros do grupo. Uma paixão pura, joanina, absolutamente livre de malícia, toda generosidade e doação. Mal sabia ele que havia sido incorporado por Jesus. Jesus veio sim… dentro dele! O Amor fazia morada em nosso gay católico.

Continua…

Uma resposta to “Gay Católico…”

  1. O AMOR É O ESPÍRITO DE DEUS PRESENTE E VISÍVEL EM CADA UM DE NÓS E NO OUTRO. « Gay Católico Says:

    […] como um gay se torna católico a despeito da opressão gerada pela discriminação no meio. [03] , [04] , [05] Gay nasce gay, mas escolhe ser católico. E escolhe ser católico porque, à exceção da […]

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